Um dia desses uma amiga queixava-se da dificuldade de encontrar roupas e calçados adequados a faixa etária da filha de 11 anos, pois as blusas deixavam ombros e barriga a mostra, as saias e vestidos eram exageradamente curtas e os sapatos, botas e sandálias todas com saltos altos, ou seja, cópias do vestuário adulto diferenciada apenas por estampas de personagens admirados pelas crianças que pressionam os pais para que comprem. Este comentário veio de encontro ao texto "Erotização dos Corpos Infantis na Sociedade de Consumo", proposta de leitura da disciplina "Infâncias de 0 a 10".
A sociedade está estimulando o ingresso das crianças na vida adulta, cada vez mais cedo, queimando etapas importantes do desenvolvimento infantil que contribuem positivamente para formação de sua personalidade. O forte apelo da mídia exerce poder sobre o imaginário infantil, produzindo modelos a seguir e explorando a imagem da mulher através da erotização do corpo feminino. Resta aos pais que, diferente das crianças, já têm discernimento para escolher o que é mais adequado aos filhos resistirem ao apelo dos pequenos e impedi-los de refletir os desejos da indústria cultural.
Aos pais resta um verdadeiro desafio na tentativa de ensinar o consumo consciente com intuito de proteger seus filhos. Propagandas infantis, colegas na escola, novelas e diversos meios de comunicação consolidam um padrão de beleza erotizado do sexo feminino que independe de idade. A manipulação da criança é extremamente forte e difícil de esquivar-se. Um trabalho de reestruturação dos costumes compreendem modificação de certos hábitos para evitar exposição exacerbada dos jovens às imposições da sociedade até que tenham mais maturidade. Indepenedentemente do sexo, esse trabalho é importante para educar meninos que respeitem e não sexualizem a figura feminina e meninas que conheçam seu corpo e não vejam nele um objeto sexual.