Há
escolas que são gaiolas. Há
escolas
que são asas. (Rubens Alves)
Não
quero aqui cair no lugar-comum de vitimizar o professor, porque o
professor é um profissional que, como qualquer outro, merece
respeito e valorização, e não pena, porém preciso expressar minha
insatisfação a respeito de algumas coisas que se falam e se escrevem
sobre educação, no que diz respeito às mudanças que se fazem
necessárias. Muitos discursos carecem de objetividade e, em geral,
lançam suas teorias sempre na mesma direção: o professor com sua
metodologia atrasada e estagnada.
A
escola atual não tem mais a função única de ensinar, a própria
legislação reconhece e amplia suas funções incluindo o “educar”
e o “cuidar”, entretanto esse reconhecimento não vem acompanhado
da devida instrumentalização dessa instituição. Muito
se fala em mudanças,
mas pouco se faz para fornecer ferramentas ao professor que
viabilizem estas mudanças e, principalmente, muito pouco se investe
nas escolas para melhorar sua estrutura e oferecer espaço físico e
recursos pedagógicos adequados.
Escolher
o magistério como profissão é uma opção carregada de intenções,
de vontade de fazer diferente, mas a realidade de nossas escolas
acaba minando e desmotivando o professor. Como retrata
Rubens Alves referindo-se
ao cotidiano do professor na sala de aula:
“..
Ouvindo os seus relatos, vi uma jaula cheia de tigres
famintos,
dentes arreganhados, garras à mostra – e os domadores com os seus
chicotes,
fazendo
ameaças fracas demais para a força dos tigres... Sentir alegria ao
sair de casa
para
ir à escola? Ter prazer em ensinar? Amar os alunos? O sonho é
livrar-se de tudo
aquilo.
Mas não podem. A porta de ferro que fecha os tigres é a mesma porta
que os
fecha
com os tigres.”
Usando
a metáfora do autor, a escola não é gaiola só para as crianças e
adolescentes, é também para o professor a medida que não oferece
absolutamente nada para atrair o aluno. Para ensinar, educar e cuidar,
a escola precisa passar por uma profunda mudança de paradigma,
precisa tornar-se, além de espaço de aprendizagem, espaço de
lazer, de arte, de esporte, espaço de vida.
E
o professor?
Esse
precisa ser instrumentalizado, capacitado para
ensinar o voo aos seus alunos. Só se
ensina o que
se
sabe,
dessa forma nossas escolas serão asas e
não gaiolas.