O ambiente escolar é um microcosmo onde se estabelecem
inúmeras interações e onde nos deparamos com uma rica diversidade cultural, daí
a importância de se abordar temas como diversidade, respeito, tolerância e
empoderamento. Como já havia ressaltado em uma postagem, a história do Brasil é
marcada por conflitos étnicos, lutas de classe e relações de poder ( disponível
em: https://hermanncarmem23.blogspot.com/2016/07/curriculo-escolar-e-diversidade.html).
Na semana da Consciência Negra nossa escola
promoveu uma feira cultural e fomos convidados a realizar uma apresentação. Propus,
então, uma conversa informal sobre o tema, a leitura de artigos, tirinhas,
notícias e outros portadores de texto para ampliar o entendimento dos alunos a
respeito de conceitos como preconceito, discriminação, ações afirmativas ( que
visam oportunizar acesso às universidades e ao mercado de trabalho aqueles que
foram excluídos ao longo da história de
nosso país e do mundo). As crianças nesta idade têm pouco conhecimento e
criticidade para compreender o alcance deste problema social e o impacto na
vida de milhões de pessoas. Entretanto, é possível perceber que elas se
sensibilizam com o tema, se indignam com a história dos negros e de outros
povos que sofrem dominação.A empatia que demonstram pelo outro reforça em mim a
convicção de que o tema racismo deve ser tratado não só nesta semana, mas deve
perpassar todo o currículo de forma que as novas gerações cresçam acreditando
na igualdade de direitos e na importância de respeitarmos as diferenças. Durante
o curso do PEAD tratamos deste tema em interdisciplinas como Literatura e ,
Questões Étnico Raciais e Escola Cultura e Sociedade o que foi de extrema importância em nossa
formação, pois como educadores precisamos estar sempre atentos, pois a exclusão
começa desde a infância dentro das escolas com a desvalorização das
características físicas do indivíduo negro. Esta discriminação influencia
diretamente na sua formação identitária num período da vida em que o caráter
está sendo formado. É preciso lembrar
que a compreensão do racismo não pode ser desvinculada das relações de
dominação presentes entre os grupos raciais na população brasileira. Segundo
Silva:
"A relação
complexa "entre raça, cor, posição social e nível educacional no Brasil
está baseada em relações hierarquizadas e posicionamentos sociais sempre
ambivalentes, dependentes de situações quotidianas e de contextos
específicos" (Silva, M. L., 2007, p.165).
Após debatermos bastante o tema, optamos por pesquisar sobre
algumas personalidades que lutaram pela causa do negro e pelos direitos humanos,
desta forma selecionamos 4 personalidades: Zumbi e Dandara dos Palmares, pela
sua luta pelo fim da escravidão no Brasil e pela coragem de salvar tantos
escravos tornando-se modelo de resistência. Além destes, escolhemos Martin
Luther King e Nelson Mandela. Além da pesquisa os alunos pensaram em homenagear
estes personagens contando suas histórias aos colegas e produzindo material
para divulgação de suas ideias. De acordo com Nilma Lino Gomes, o racismo pode ser
caracterizado como:
[...] um
comportamento, uma ação resultante da aversão, por vezes, do ódio, em relação a
pessoas que possuem um pertencimento racial observável por meio de sinais, tais
como: cor da pele, tipo de cabelo, etc. Ele é por outro lado um conjunto de
ideias e imagens referente aos grupos humanos que acreditam na existência de
raças superiores e inferiores. O racismo também resulta da vontade de se impor
uma verdade ou uma crença particular como única e verdadeira (NILMA, 2005,
p.52).
Trazer para
o debate as questões sobre racismo, preconceito e discriminação possibilita que
os alunos reflitam sobre suas ações e aprendam a respeitar o outro. Cavalleiro
(2006) coloca que:
“É imprescindível, portanto, reconhecer esse problema e
combatê-lo no espaço escolar. É necessária a promoção do respeito mútuo, o
respeito ao outro, o reconhecimento das diferenças, a possibilidade de se falar
sobre as diferenças sem medo, receio ou preconceito”. (Cavalleiro, 2006, p.23)