segunda-feira, 29 de maio de 2017

UMA AULA PARA REFLETIR

A aula inaugural do Professor Carlos Roberto Jamil Cury ofereceu num curto espaço de tempo um panorama da política educacional brasileira desde o tempo do império até os dias atuais. De forma sucinta o professor nos conduziu ao entendimento do retrocesso que representa a medida provisória (MP) que altera a LDBEN. A aula foi esclarecedora ao demonstrar que a educação é campo de disputa política e nos lembrar do quanto é recente a  legislação que institui o direito à educação pública no Brasil, se comparada a países como a Noruega, onde este direito é garantido há 400 anos. Outro aspecto relevante foi o sentimento de que conquistas históricas como, por exemplo, a valorização da educação básica, enquanto conceito de formação do cidadão pode ser pulverizada por uma MP, de um governo ilegítimo, que serve a interesses capitalistas e tem como objetivo aprofundar as desigualdades sociais. Em relação às mudanças no ensino médio, fica a certeza de que estes burocratas nunca entraram em uma sala de aula, pois qualquer professor sabe o quanto é difícil para os adolescentes fazerem escolhas tão definitivas nesta fase da vida. Como podem escolher sem antes experimentar?

Os autores da MP desconhecem, ainda, a realidade das nossas escolas que, em sua maioria, não tem como oferecer aos alunos do ensino médio cinco itinerários diferentes com os recursos que lhes são disponibilizados

segunda-feira, 22 de maio de 2017

DIÁRIO DE CLASSE - PARTE II

Estamos em pleno andamento da Meta 3 da interdisciplina de Projeto Pedagógico em Ação. Esta semana estamos construindo os mapas conceituais, achei esta a parte mais difícil do projeto até aqui porque os alunos nunca tinham feito um mapa conceitual e tive que explicar tudo passo-a-passo. Pesquisamos na internet alguns exemplos para servir de base à construção dos mapas dos grupos. Depois de muito fazer e desfazer, estamos chegando aos primeiros resultados satisfatórios. Certamente ainda teremos que melhorar estes primeiros esboços, mas estou satisfeita com os resultados até aqui. Alguns grupos desanimaram e resolveram deixar para depois, outros, entretanto, estão trabalhando com entusiasmo e já podemos expor alguns aqui no blog. A construção destes mapas só foi possível porque os alunos já estão se apropriando de conceitos importantes e estão utilizando os dados da pesquisa para compor seus mapas conceituais. Ainda estamos validando nossas certezas e pouco a pouco respondendo às dúvidas que deram origem às pesquisas. Novas dúvidas estão surgindo e procuro não oferecer respostas, mas estimular os grupos a irem em busca do conhecimento explorando várias fontes de pesquisa. 


DIÁRIO DE CLASSE

Estou dando andamento aos projetos de aprendizagem com os alunos do oitavo ano. Esta semana foi dedicada à socialização das primeiras descobertas, os alunos  trouxeram muitas novidades relativas às pesquisas dos grupos. Vou enumerar algumas que achei muito interessantes:
                              
*O grupo que está pesquisando sobre refrigerantes trouxe um vídeo- disponível em https://www.youtube.com/watch?v=d2JuaCXUSUQ- que compara a quantidade de açúcar contida em uma coca-cola normal e uma light. No final do vídeo o recipiente que contém a coca-cola normal apresenta uma grande quantidade de açúcar (em forma de um melado) e o com coca-cola light fica com um pequeno resíduo no fundo. Depois do espanto em relação a quantidade de açúcar que contém o refrigerante, um aluno questiona o grupo: - Então é melhor beber a light que tem menos açúcar?
Fiquei esperando a resposta do grupo para depois fazer a intervenção, mas não foi necessário porque a resposta foi a seguinte: - Não. O melhor é não consumir nenhum porque aquilo que vocês estão vendo no fundo do recipiente que  contém a coca-cola light é adoçante. Eu li que este adoçante, que não lembro o nome agora, é cancerígeno.
Combinamos, então, que o grupo vai analisar os rótulos dos dois refrigerantes, compará-los e pesquisar mais sobre o assunto.

*O grupo que está pesquisando sobre obesidade trouxe alguns dados sobre obesidade infantil e focou bastante na responsabilidade dos pais em relação à qualidade da alimentação das crianças. Levantaram, ainda, a questão do bullying na escola a que estão sujeitos crianças e adolescentes gordinhos.

*O grupo que está pesquisando sobre o sódio trouxe vários rótulos de produtos, inclusive os de água mineral comparando as marcas com maior quantidade de sódio.

Estes são alguns exemplos dos primeiros resultados das pesquisas, que foram muito ricas até aqui e que geraram bastante discussão na turma. Alguns grupos, ainda, estão com dificuldades para dar andamento às pesquisas. Estou tentando dar algum suporte, porém como não estou diariamente em contato com a turma isto tem se tornado uma dificuldade. Em contrapartida, este trabalho tem ajudado bastante na interação da turma e principalmente na de alguns alunos mais tímidos que estão tendo a oportunidade de auxiliar os colegas nas áreas que tem conhecimento, como postagem de vídeos ou uso da internet.


domingo, 7 de maio de 2017

MÉTODOS GLOBALIZADOS

A atividade da disciplina Projeto Pedagógico em Ação, neste semestre,  é o desenvolvimento de projetos de aprendizagem com nossos alunos. Iniciei os projetos com o oitavo ano e após estabelecermos  os grupos de trabalho por temas de interesse, partimos para o inventário dos conhecimentos dos alunos sobre o tema que escolheram para pesquisa e para a relação de  suas dúvidas. A partir disso cada grupo elaborou seu plano de ação e, então, se iniciaram os problemas: como pesquisar se não há internet na escola? Se pesquisar em casa como trazer a pesquisa se não possuem pen drives?  Que outros métodos são possíveis de utilizar para apropriar-se dos conhecimentos desejados? Como compartilhar as descobertas com os colegas?
Estes problemas práticos relacionados a recursos  estão se resolvendo com muita criatividade e solidariedade, emprestando-se materiais, compartilhando recursos e adaptando-se o que se tem. Entretanto, surgiram também resistências dentro da turma, indagações do tipo: por que temos que pesquisar? O professor não deveria ensinar este conteúdo?
E, nesta hora, o que nos salva é a teoria, todos os textos que lemos e que dão sustentação à nossa prática. Através deles podemos criar uma consciência no nosso aluno, sustentar a importância do autoconhecimento e da gestão da aprendizagem. Orientar o aluno para a reflexão e a busca de autonomia faz parte da nossa função enquanto educadores.
“O pensamento reflexivo é uma capacidade. Como tal, não desabrocha espontaneamente, mas pode desenvolver-se. Para isso, tem de ser cultivado e requer condições favoráveis para o seu desabrochar” (Alarcao, 1996).

A condição favorável para desenvolver um pensamento reflexivo no educando passa por um projeto pedagógico que se utilize dos métodos globalizados de aprendizagem, rompendo, assim, com um ensino compartimentado e trazendo uma proposta inter ou transdisciplinar que propicie o desenvolvimento integral do aluno e a conquista de sua autonomia.