Trabalho em uma escola de ensino fundamental em Gravataí, no diurno. Este ano estamos recebendo diversos estagiários, tanto de universidades quanto do curso de magistério nível médio. Enquanto supervisora da escola, acompanho os estágios para orientação e posterior avaliação. O que tem me chamado a atenção são as práticas pedagógicas.
Os estagiários trazem seu planejamento bem elaborado e adaptado à proposta pedagógica da escola, entretanto esperava ansiosamente que estes alunos, principalmente aqueles oriundos das universidades, estivessem mais atualizados e trouxessem algumas inovações no seu fazer pedagógico. Entretanto, não é o que se verifica.
Para ser justa devo acrescentar que a maioria dos estagiários que recebemos eram organizados e comprometidos. Indiscutivelmente, trouxeram atividades mais lúdicas e interativas, mas nada realmente inovador ou que causasse alguma desacomodação na escola.
Saindo, agora, deste lugar de avaliadora e assumindo o papel de aluna universitária prestes a iniciar o estágio, me questiono: O que levarei de inovador para o meu estágio? Como irei equalizar todas as aprendizagens que fiz e transmutá-las em práticas pedagógicas?
Neste momento não tenho respostas, me resta apenas vontade de romper com práticas tradicionais de ensino aprendizagem, baseadas nos modelos positivistas, que estimulam a repetição, a memorização e a padronização. Entretanto, embora saiba o que quero evitar, ainda preciso buscar meu caminho, não antes de muito estudo e propriedade. Na educação é preciso segurança no fazer pedagógico e uma metodologia que guie ao alcance dos objetivos traçados.
sexta-feira, 22 de junho de 2018
terça-feira, 19 de junho de 2018
AINDA SOBRE OS ALUNOS DA EJA
As entrevistas que realizamos com
alunos da EJA evidenciaram que suas histórias estão retratadas nas leituras que
realizamos este semestre ou nos vídeos que assistimos sobre a Educação de
Jovens e Adultos. Estas entrevistas nos aproximaram de uma realidade social de
descaso e abandono. A história da EJA no Brasil é permeada por avanços e
retrocessos tanto no âmbito das políticas públicas quanto nos modelos
pedagógicos pensados para este público. Neste sentido, os desafios para a EJA
passam por garantias legais de financiamento para esta modalidade de ensino,
bem como por práticas pedagógicas adequadas às necessidades de aprendizagens
destes jovens e adultos para que possam se cumprir aquelas funções inerentes à
EJA: reparadora, equalizadora e qualificadora.
No Brasil, a negligência histórica
com a educação escolar dos negros, índios e trabalhadores braçais resultou nos
atuais índices de analfabetismo e numa desigualdade social que precisa ser
reparada através de uma escola de qualidade para aqueles que não tiveram acesso
a ela ou que não concluíram seus estudos idade certa lhes devolvendo a
possibilidade de exercerem plenamente sua cidadania. A escola democrática, que
tem como princípios a igualdade e liberdade, é um direito de todos, sendo dever
do Estado estabelecer e fazer cumprir políticas públicas capazes de garantir o
acesso e permanência na escola destes jovens e adultos a fim de que se
conquiste uma maior igualdade social. Entretanto o que se percebe é o avanço
das políticas neoliberais aliadas à crescente falta de compromisso do governo
com a educação pondo em risco o futuro da EJA e desafiando-nos a lutar pela
manutenção desta modalidade de ensino nas escolas públicas.
Em relação à metodologia de ensino, é
preciso qualificar os professores da EJA para que adotem práticas pedagógicas
que respeitem as especificidades deste público que, embora tenha defasagem no
conhecimento acadêmico, traz consigo uma bagagem cultural. O aluno da EJA tem
conhecimentos adquiridos no mundo, bem como, competências e habilidades que não
podem ser ignoradas pelo currículo escolar sob pena de reproduzirem as mesmas
práticas excludentes da escola regular.
No que se refere à função
equalizadora e qualificadora, o desafio da EJA é ter como foco a educação
continuada, ou seja, ensinar autonomia para que o aluno seja capaz de gerenciar
sua aprendizagem e transcender os espaços formais da escola na busca de
qualificação e realização pessoal.
ANÁLISE DE UMA PRÁTICA
Realizamos uma atividade solicitada pela disciplina de Didática,
explorando rimas. A atividade com rimas possibilita que as crianças desenvolvam
a consciência fonológica. A consciência fonológica refere-se tanto à
consciência de que a fala pode ser segmentada quanto à habilidade de manipular
tais segmentos, e se desenvolve gradualmente à medida que a criança vai tomando
consciência do sistema sonoro da língua, ou seja, de palavras, sílabas e
fonemas como unidades identificáveis (Capovilla &Capovilla, 2000b).
As crianças na idade de 7 e 8 anos
encontram-se, segundo Piaget, no estágio das operações concretas. Neste período
do desenvolvimento infantil ocorre o início da capacidade de usar a lógica, a capacidade
de compreender e lembrar-se de fatos, a auto-análise, a possibilidade de compreensão dos próprios
erros e o planejamento das ações. Contudo, embora a criança consiga
raciocinar de forma coerente, tanto os esquemas conceituais como as ações
executadas mentalmente se referem, nesta fase, a objetos ou situações passíveis
de serem manipuladas ou imaginadas de forma concreta. Em relação à linguagem a
criança começa a abandonar a fala egocêntrica, característica do período
anterior de desenvolvimento, o pré-operatório. Desta forma é importante
explorar atividades que oportunizem as crianças refletirem sobre a escrita e
sobre os significados sociais dela. Além disto, a exposição da criança a
atividades que explorem a manipulação consciente dos sons favorece a linguagem
escrita, pois há uma relação de reciprocidade entre o desenvolvimento das
habilidades metalinguísticas e da leitura e escrita, em que um impulsiona o
desenvolvimento do outro.
As atividades lúdicas
que envolvem música e rimas são excelentes para a ampliação do vocabulário
infantil, bem como para o aprendizado de conteúdos e a socialização, pois,
segundo Piaget, o compartilhamento de
noções e signos com uma comunidade de falantes faz com que a criança se
aproprie da cultura.
Tanto Piaget quanto
Vigotsky concordam com a importância das interações sociais para o
desenvolvimento cognitivo e da linguagem. O próprio Vigotsky reconheceu a
aproximação da teoria de Piaget com a sua:
“Basicamente, o desenvolvimento da
fala interior depende de fatores externos: o desenvolvimento da lógica na
criança, como os estudos de Piaget demonstram, é uma função direta de sua fala
socializada. O crescimento intelectual da criança depende de seu domínio dos
meios sociais do pensamento, isto é, da linguagem” (Vygotsky, 1991 p.44).
Embora, Vigotsky, acreditasse que a
aquisição da linguagem e seu desenvolvimento era que possibilitava o avanço
cognitivo- Lev Vygotsky (1896-1934) defende que só há desenvolvimento
tipicamente humano se a pessoa for exposta a uma cultura, apropriando-se das
crenças, valores, tradições e habilidades do grupo social ao qual pertence - em
contraposição a Piaget que considerava que o desenvolvimento cognitivo precedia
a aquisição da linguagem, ambos partilhavam da mesma óptica interacionista.
A teoria de Vygotsky sobre o desenvolvimento da linguagem, assim
como a de Piaget, trazem implicações muito importantes para a
educação, uma vez que ambos enfatizam a
importância da aprendizagem ativa em vez da passiva. Para eles, é
imprescindível identificar o conhecimento que a criança possui para, a partir
de então, poder avançar.
É função do professor, através de suas
práticas pedagógicas, fazer esta mediação
entre os conhecimentos prévios das crianças e o avanço em suas
aprendizagens, ampliando, assim, suas competências linguísticas.
REFERÊNCIAS
Montoya, Oscar Dongo. PENSAMENTO E LINGUAGEM: PERCURSO
PIAGETIANO DE INVESTIGAÇÃO .
Nunes C, Frota S, Mousinho
R. Consciência fonológica e o processo de aprendizagem de leitura e escrita:
implicações teóricas para o embasamento da prática fonoaudiológica. Rev CEFAC.
2009; 11(2):20712. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-18462009000200005. [ Links ]
Silva, Samanta Demetrio da. Aquisição da Linguagem. Artigo
publicado em 22 de julho de 2010.
PROJETOS DE APRENDIZAGEM
Neste semestre, fomos
questionados sobre a possibilidade de trabalharmos com projetos na sala de aula
no estágio, que se inicia no próximo semestre. Depois de oito anos na supervisão
escolar, retornei agora para sala de aula na disciplina de ciências na EJA. Na
minha escola não se trabalha com projetos interdisciplinares, embora esta
prática favoreça muito o processo de aprendizagem. Mesmo assim respondi que
estou disposta a adotar esta metodologia em meu estágio, pois acredito na
eficácia deste método. No primeiro semestre do ano de 2017, organizei um
trabalho de projeto de aprendizagem na escola em que trabalhava. Estava na
supervisão naquele ano e precisávamos adequar
as matrizes curriculares às áreas de conhecimento. Um dos pontos de
discussão foi a avaliação que deveria ser globalizada dentro das áreas de
conhecimento. Para resolver este impasse sugeri um trabalho que seria avaliado
por todos e viria a compor a nota juntamente com as avaliações individuais das
diversas disciplinas.
A escola tinha um projeto chamado
“Qualidade de Vida”, logo os alunos poderiam escolher um tema, para desenvolver
seu projeto, que tivesse ligação com o tema geral. Os alunos do 6º ao 9º ano
reuniram-se em duplas ou grupos conforme o assunto de interesse.
O desenvolvimento dos projetos de
aprendizagem seguiu as etapas: escolha dos temas, tabela de certezas e dúvidas,
mapa conceitual, pesquisa, apresentação. Durante este processo utilizamos
diversos recursos. Os alunos criaram grupos de whatsapp, pesquisaram na
internet utilizando sites confiáveis, trabalharam no Cmap para construção de
mapas conceituais, aprenderam a trabalhar no Word (escrever os textos) e no
Excel (construção de gráficos) e elaboraram um PowerPoint para apresentação. Os
professores auxiliaram os alunos nas suas áreas de conhecimento fazendo as
intervenções necessárias para a qualificação dos trabalhos.
Durante o desenvolvimento do
projeto enfrentamos diversas dificuldades, principalmente em relação à
tecnologia, os computadores da escola eram antigos, poucos funcionavam, não
havia recursos humanos no laboratório de informática e nem todos os alunos
tinham acesso a internet em casa. Entretanto, mesmo nas dificuldades
conseguimos perceber o envolvimento e o interesse dos alunos em contornar as
dificuldades com criatividade e colaboração.
Os resultados foram muito
positivos, 90% dos grupos apresentaram-se na data prevista e os demais se
apresentaram na segunda oportunidade oferecida. Os trabalhos foram bem
elaborados e apresentados com entusiasmo. Na avaliação feita ao final das
apresentações os alunos foram muito maduros trazendo os pontos positivos e os negativos
do projeto e dispondo-se a melhorar nas próximas edições, sugeriram novos temas
e formas de apresentação.
Além das aprendizagens, a
metodologia de projetos evidenciou lideranças, aumentou a interação aluno-aluno
e aluno-professor, favoreceu a inclusão e deu visibilidade aos diferentes
talentos individuais.
segunda-feira, 18 de junho de 2018
ALUNOS DA EJA
Para atividade
da disciplina de Educação de Jovens e Adultos entrevistei dois alunos da turma
T4 da escola em que leciono à noite. Foram duas histórias de vida bem
diferentes, mas ambas culminando no abandono dos estudos. Embora estas
situações tenham ocorrido a 20 ou 30 anos atrás e a legislação brasileira tenha
evoluído no sentido de incluir um maior número de crianças na escola,
infelizmente esta realidade é recorrente. Se assim não fosse, a EJA estaria com
seus dias contados, pois não seria alimentada por novos alunos que a cada dia
trilham este mesmo caminho, empurrados por uma sociedade que não os protege e
que não fornece condições para que eles ingressem na escola e lá permaneçam com
a exclusiva preocupação de aprender e concluir os estudos. Concentrar-se apenas
em estudar não é a realidade para a grande maioria das crianças brasileiras,
que desde muito pequenas têm outras demandas, precisam conviver com a violência,
com a pobreza e com o abandono. Estudar para elas não é prioridade porque não
vislumbram um futuro, ou melhor, uma utilidade no presente, no seu cotidiano.
BRINCADEIRAS DO MUNDINHO II PARTE
Continuando
o projeto com o livro “Brincadeiras do Mundinho”, realizamos uma atividade em
que as crianças deveriam utilizar libras na interpretação de algumas canções. A
professora Flávia, nossa estagiária, é professora de libras e se propôs a
ensiná-las. Antes de iniciarmos a atividade conversamos com as
crianças sobre a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). No
Brasil, a língua brasileira de sinais foi estabelecida através da Lei nº
10.436/2002, como a língua oficial das pessoas surdas.
Parágrafo
único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS a forma de
comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza
visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema
linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de
pessoas surdas do Brasil.
Salientamos
a importância da comunicação para todas as pessoas e a existência de diferentes
idiomas (línguas), mas que todos eles têm em comum a possibilidade de troca de
ideias, de cultura. Realizar tarefas do cotidiano, planejar ações futuras e
pensar sobre acontecimentos do passado são atos humanos constituídos pela
linguagem e na linguagem. Por isso é importante nos comunicarmos com todos e
nos esforçarmos para entender e nos fazer entender, inclusive por pessoas que
se utilizam de outra línguas como no caso da LIBRAS. Assim, possibilitaremos que todos tenham o direito de se integrar e participar
das várias dimensões do nosso ambiente, sem sofrer qualquer tipo de discriminação
e preconceito. Para autores como Vygotsky (1989),
Kishimto (1998) e Oliveira (2000), a forma como as crianças brincam refletem
sua forma de ver, viver, entender e aprender o mundo.
O resultado foi muito lindo, as crianças têm muito a nos
ensinar sobre humanidade e empatia.
domingo, 17 de junho de 2018
BRINCADEIRAS DO MUNDINHO
Para a disciplina
de didática realizamos um projeto com nossa turma, a partir de um livro didático.
Escolhi um livro da coleção do “Mundinho” de Ingrid Biesemeyer Bellinghausen. O
livro chamado “As Brincadeiras do Mundinho” que resgata as brincadeiras de roda, as
cantigas e outras brincadeiras muito comuns na minha infância, como: passar
anel, mímica, Cinco Marias, brincadeiras de roda onde tínhamos que pagar uma “prenda”
(no caso declamar um verso). Kishimoto (1997) descreve as brincadeiras
tradicionais infantis como folclóricas, uma parte da cultura popular, e esta
cultura vem sofrendo algumas mudanças devido às transformações sociais e
tecnológicas, sendo que a escola está incluída nessas transformações.
Após a leitura do livro e da conversa na rodinha
para saber quais as brincadeiras que as crianças já conheciam e já brincavam,
propus uma brincadeira de roda “Ciranda-Cirandinha”. Quando a canção termina
uma criança deve entrar na roda e declamar um verso, fiquei espantada ao
perceber que as crianças não conhecem versos. Refletindo sobre isto me lembrei
de um texto que li aqui no PEAD em que o autor dizia que antigamente a educação
familiar era mais construtivista, as crianças passavam mais tempo com os
adultos e aprendiam com os pais e avós. Quando eu era criança minha avó materna
e minha bisavó costumavam me ensinar muitos destes versos, lembro que eu
adorava e ainda hoje lembro de vários. Conforme Vygotsky, o desenvolvimento
cognitivo se dá pelo processo de internalização da interação social com materiais
fornecidos pela cultura. Hoje em
dia, com os pais e até os avós trabalhando a troca de saberes dentro da família
ficou prejudicada. Atualmente as crianças ficam mais na companhia da televisão e do computador e acabam sendo privados
da presença dos adultos reduzindo a qualidade das trocas e até prejudicando o seu desenvolvimento cognitivo e sua socialização.
segunda-feira, 11 de junho de 2018
FAMÍLIA NA ESCOLA
Sábado de homenagem às mães, a escola estava cheia como dificilmente temos oportunidade de ver. A família presente na escola, participando é o sonho de todo professor. Invariavelmente, quando se questiona o professor sobre as dificuldades que encontra na profissão, ele cita o descomprometimento da família. Existe realmente um distanciamento entre família e escola, mas esta situação é reflexo da gestão escolar. Uma escola que constrói seu projeto político pedagógico com a comunidade escolar e com propostas coerentes para aquela comunidade não sofre deste abandono. Pais e responsáveis não podem ser visita na escola porque este seguimento da comunidade precisa ter voz, precisa ser consultado, escutado e ter protagonismo na gestão escolar. Chamar os pais à escola somente para resolver conflitos não é uma boa política, por isso a participação da comunidade na elaboração do PPP é fundamental para que se garanta uma educação de qualidade e um ambiente democrático que contemple todos os fatores capazes de influenciar nos processos de ensino aprendizagem. Nas palavras de Veiga:
O projeto político pedagógico, ao se constituir em processo democrático de decisões, preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que supere os conflitos, buscando eliminar as relações competitivas e autoritárias, rompendo com a rotina do mando impessoal e racionalizado da burocracia que permeia as relações no interior da escola, diminuindo os efeitos fragmentários da divisão do trabalho que reforça as diferenças e hierarquiza os poderes de decisão (2008, p.13).
IMIGRANTE DIGITAL
A partir dos anos 80 vivenciei
uma revolução tecnológica que alterou completamente meu relacionamento com o
mundo. Esta revolução exigiu de mim, uma “imigrante digital”, um esforço diário
de atualização e adaptação às novas tecnologias e também às possibilidades que
se abriram no trabalho, nos estudos, no meu gerenciamento financeiro e nas
interações sociais. Foi preciso coragem para explorar, aprender e fazer uso de
novas ferramentas.
Em contrapartida, as crianças e os adolescentes
de hoje, chamados de “nativos digitais”, por serem frutos da era da informação
e da comunicação têm acesso a uma gama enorme de conteúdos e uma relação de
muita intimidade com a tecnologia. Por isso, nosso papel como educadores não
reside em apresentar a tecnologia aos alunos, mas em ensiná-los a usá-la com consciência
e ética. O professor deve ensinar o aluno a buscar o conhecimento, a
preservar-se das armadilhas da internet, evitando exposição excessiva, e a opinar
com responsabilidade. Este é o desafio do professor e uma responsabilidade que precisamos
agregar a tantas outras já postas à nossa profissão de educadores.
segunda-feira, 4 de junho de 2018
FAÇA O QUE EU DIGO, MAS NÃO FAÇA O QUE EU FAÇO.
Segundo Rays, a avaliação é um instrumento
de desenvolvimento e diagnóstico do processo de ensino-aprendizagem com vistas
a sua melhoria, por isso deve ser formativa e não classificatória. Afinal, uma
avaliação classificatória é seletiva e não favorece o trabalho pedagógico do
erro, enquanto avaliação formativa é parte integrante do processo de ensino e
seu valor pedagógico reside no fato de favorecer a aprendizagem do aluno.
Refletindo sobre o texto da Rays,
concluí que muitas mudanças na escola e na universidade se fazem necessárias
para que se abandone de vez a avaliação classificatória. Na escola, por
exemplo, nos deparamos com duas realidades diversas em um mesmo ambiente: as
séries iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) e as séries finais do
ensino fundamental e o ensino médio também. Percebemos que nas séries iniciais
o professor trabalha com uma turma por turno e tem total condição de conhecer
seu aluno, de avaliá-lo durante o processo de aprendizagem e trabalhar a partir
do erro para que o aluno avance no seu processo de aprendizagem e na construção
dos seus conhecimentos. Entretanto, nas séries finais do ensino fundamental e
no ensino médio nos deparamos com uma realidade bem diferente, pois os
professores trabalham com diversas turmas, com um número absurdo de alunos e um
tempo limitado a uma média de três a quatro períodos de quarenta e cinco minutos
cada por semana. Por isso, as provas geralmente são objetivas e a avaliação
classificatória. Muitas vezes, o professor só vai conhecer o aluno no final do
ano letivo, o que inviabiliza qualquer possibilidade de avaliação formativa.
Agora voltando nosso foco para as universidades,
principalmente nas disciplinas de exatas, encontramos a mesma situação: professores
dando aula em auditórios para turmas de sessenta ou mais alunos. E esta
situação é comum mesmo nas turmas de Licenciatura, nas quais o discurso das
aulas de didática não se concretiza na prática, por isso constantemente me
questiono acerca deste descompasso. Por certo, é função da Universidade e dos
cursos de Licenciatura apresentarem as teorias produzidas na área da educação,
mas também é preciso preparar o professor para enfrentar a realidade. Desta
forma se abriria espaço para discussão e para produção de propostas viáveis já
na academia, a qual seria o espaço de experimentação para que se fuja da máxima:
“faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.
domingo, 3 de junho de 2018
PLANEJAMENTO
Lendo o texto de Rays, aprendemos
que o planejamento do trabalho docente deve ter como referência inicial a realidade
sociocultural do educando e que um planejamento eficaz depende do conhecimento
que o educador tem da história e das inquietações do aluno. Compreendemos,
ainda, que é indispensável a um bom
planejamento que o professor seja capaz de desvendar as características de
aprendizagem individual e do grupo, considerando as especificidades do conteúdo
e estabelecendo relações com a realidade social. O planejamento deve levar em
consideração o momento histórico-cultural contextualizando-o para que os
conteúdos sejam significativos e a apropriação do conhecimento se dê de forma
crítica e consciente contribuindo para a ocorrência de transformações
socioculturais.
Entretanto, o que acontece nas nossas
escolas, em termos de planejamento, é bem diverso deste discurso. O
planejamento, em geral, ocorre antes do início do ano letivo e é mais focado
nos conteúdos que devem ser trabalhados do que na realidade dos alunos e nos
seus interesses (até porque ainda não se conhece os alunos ou a turma). Na
prática, os professores trabalham uma lista de conteúdos de sua disciplina e
sem fazer conexões com a realidade atual. Isto se deve a desatualização e a
crescente alienação dos professores causada pelo empobrecimento da classe e
consequente redução do acesso a cultura. O “planejamento” acaba sendo resultado
da cópia dos planos de estudo dos anos anteriores.
Os professores organizam suas aulas
de forma individual, não há a participação do educando neste processo, nem a
articulação com outras disciplinas, além disto, os recursos pedagógicos
empregados são escassos. Todos estes fatores conjugados desfavorecem uma
assimilação crítica do saber e não preparam o educando para autonomia. Como nos
ensina Paulo Freire:
Quando saio de casa não tenho dúvida nenhuma de que,
inacabados e conscientes do inacabamento, abertos à procura, curiosos,
“programados, mas para aprender”, exercitaremos tanto mais e melhor a nossa
capacidade de aprender e de ensinar quanto mais sujeitos e não puros objetos do
processo nos façamos (Freire, 1997, p.65)
Os gestores escolares precisam rever a
forma de organização do tempo na escola, o planejamento é de vital importância
na busca da qualidade de ensino e não pode ser negligenciado, planejar não é
uma ação burocrática, é um ato intencional, uma busca por objetivos concretos
e, portanto, necessita de tempo, de suporte pedagógico e de uma constante
revisão para que se cumpram as ações que dele resultarem:
Planejamento é
elaborar - decidir que tipo de sociedade e de homem se quer e que tipo de ação
educacional é necessária para isso; verificar a que distância se está deste tipo
de ação e até que ponto se está contribuindo para o resultado final que se
pretende; propor uma série orgânica de ações para diminuir esta distância e
para contribuir mais para o resultado final estabelecido; executar - agir em
conformidade com o que foi proposto e avaliar - revisar sempre cada um desses
momentos e cada uma das ações, bem como cada um dos documentos deles derivados
(Gandin, 1985, p.22).
DESAFIOS DA ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
O texto de Regina Hara, indicado na
disciplina de Educação de Jovens e Adultos no Brasil, nos oferece um panorama
dos desafios enfrentados pelos programas de alfabetização de adultos no Brasil.
Além das dificuldades em ensinar pessoas que chegam à vida adulta sem terem
acesso à escolarização e de manter a sua motivação para que concluam os estudos,
os programas de alfabetização esbarram nas dificuldades de cunho social, na
falta de financiamento e no despreparo dos professores, o que compromete os
resultados obtidos e inviabiliza garantir uma educação de qualidade. A autora
relata uma experiência em que foi utilizada uma metodologia que reunia tanto as
concepções de educação de Paulo Freire quanto à psicogênese da língua escrita
de Emilia Ferreiro na intencionalidade de alfabetizar adultos de um curso
supletivo em 1987. Considerando-se que o pensamento de Emília Ferreiro e de Paulo Freire convergem em
vários pontos- como na necessidade de se utilizar uma linguagem significativa na
alfabetização e no empoderamento do aluno enquanto sujeito da própria
aprendizagem- podemos dizer que esta metodologia tem um potencial grande de
sucesso, como de fato ocorreu neste curso, segundo a autora.
Além do texto pudemos acompanhar
outras experiências na alfabetização de adultos em que fica evidente a
importância de se valorizar os conhecimentos trazidos pelos alunos a respeito
da leitura e da escrita, bem como de entender suas concepções de mundo.
Percebemos que cada aluno tem uma
motivação para avançar nas suas conquistas e que depende do professor valorizar
e dar visibilidade aos avanços pessoais e do grupo nos processos de aprendizagem.
Em cada relato identificamos a vergonha, a impotência e o sentimento de
incapacidade que resultam do analfabetismo.
A Declaração de Hamburgo sobre a
Educação de Adultos, resultado da V Conferência Internacional para a Educação
de Adultos (CONFINTEA) enfatiza que:
A educação de adultos
torna-se mais que um direito: é a chave para o século XXI; é tanto conseqüência
do exercício da cidadania como uma plena participação na sociedade. Além do
mais, é um poderoso argumento em favor do desenvolvimento ecológico
sustentável, da democracia, da justiça, da igualdade entre os sexos, do
desenvolvimento socioeconômico e científico, além de um requisito fundamental
para a construção de um mundo onde a violência cede lugar ao diálogo e à
cultura de paz baseada na justiça (UNESCO, 1997, p.1).
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