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terça-feira, 19 de junho de 2018

AINDA SOBRE OS ALUNOS DA EJA


As entrevistas que realizamos com alunos da EJA evidenciaram que suas histórias estão retratadas nas leituras que realizamos este semestre ou nos vídeos que assistimos sobre a Educação de Jovens e Adultos. Estas entrevistas nos aproximaram de uma realidade social de descaso e abandono. A história da EJA no Brasil é permeada por avanços e retrocessos tanto no âmbito das políticas públicas quanto nos modelos pedagógicos pensados para este público. Neste sentido, os desafios para a EJA passam por garantias legais de financiamento para esta modalidade de ensino, bem como por práticas pedagógicas adequadas às necessidades de aprendizagens destes jovens e adultos para que possam se cumprir aquelas funções inerentes à EJA: reparadora, equalizadora e qualificadora.
No Brasil, a negligência histórica com a educação escolar dos negros, índios e trabalhadores braçais resultou nos atuais índices de analfabetismo e numa desigualdade social que precisa ser reparada através de uma escola de qualidade para aqueles que não tiveram acesso a ela ou que não concluíram seus estudos idade certa lhes devolvendo a possibilidade de exercerem plenamente sua cidadania. A escola democrática, que tem como princípios a igualdade e liberdade, é um direito de todos, sendo dever do Estado estabelecer e fazer cumprir políticas públicas capazes de garantir o acesso e permanência na escola destes jovens e adultos a fim de que se conquiste uma maior igualdade social. Entretanto o que se percebe é o avanço das políticas neoliberais aliadas à crescente falta de compromisso do governo com a educação pondo em risco o futuro da EJA e desafiando-nos a lutar pela manutenção desta modalidade de ensino nas escolas públicas.
Em relação à metodologia de ensino, é preciso qualificar os professores da EJA para que adotem práticas pedagógicas que respeitem as especificidades deste público que, embora tenha defasagem no conhecimento acadêmico, traz consigo uma bagagem cultural. O aluno da EJA tem conhecimentos adquiridos no mundo, bem como, competências e habilidades que não podem ser ignoradas pelo currículo escolar sob pena de reproduzirem as mesmas práticas excludentes da escola regular.
No que se refere à função equalizadora e qualificadora, o desafio da EJA é ter como foco a educação continuada, ou seja, ensinar autonomia para que o aluno seja capaz de gerenciar sua aprendizagem e transcender os espaços formais da escola na busca de qualificação e realização pessoal.