A autora Ligia Amaral utiliza uma metáfora ao
se referir aos mitos, preconceitos e barreiras atitudinais que desenvolvemos ao
entrarmos em contato com as pessoas com deficiência: crocodilos e avestruzes.
Os Crocodilos são revestidos
das seguintes situações: Generalização
Indevida ; Correlação Linear; Ideologia da Força de Vontade ; Culpabilização da Vitima; e Contagio Osmótico.
Todos os dias, como
educadores, nós precisamos combater os “crocodilos” dos quais nos cercamos para
nos mantermos em uma zona de conforto. Penso que todos estes crocodilos são
resultado de uma convivência escassa com pessoas com deficiência na nossa vida escolar.
Diariamente convivemos com o diferente, passamos nossa vida nos comparando e
comparando aqueles com quem convivemos a um padrão de normalidade, mas a
inclusão de pessoas com deficiência no ambiente escolar é algo recente e uma
experiência que constituiu, até a implantação da lei, uma exceção. De acordo com a Convenção sobre os
Direitos das Pessoas com Deficiência:
“Pessoas com deficiência são aquelas que têm
impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou
sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua
participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as
demais pessoas”. (2007, p.2)
Hoje, enquanto professores, nós estamos
lutando para combater nossos preconceitos e superar as barreiras que
construímos ao longo de toda nossa formação. No cotidiano escolar observo a
dificuldade que os profissionais da educação têm em desvincular deficiência e
incapacidade, incorrendo numa generalização, numa homogenização das
deficiências. Desta forma, não se recebe um deficiente, recebe-se um incapaz, a
condição é colocada a priori.
O desafio que se impõe a escola é modificar o
olhar, é encontrar meios de explorar as possibilidades dos alunos. As
deficiências, incapacidades e limitações devem ser reconhecidas, mas não devem
se tornar um entrave ao processo de ensino.
“Vale
sempre enfatizar que a inclusão de indivíduos com necessidades educacionais
especiais na rede regular de ensino não considera apenas a sua permanência
junto aos demais alunos, nem na negação dos serviços especializados àqueles que
deles necessitam. Ao contrário, implica uma reorganização do sistema
educacional, o que acarreta a revisão de antigas concepções e paradigmas
educacionais na busca de se possibilitar o desenvolvimento cognitivo, cultural
e social desses alunos, respeitando suas diferenças e atendendo às suas
necessidades”. (Glat e Nogueira, 2002, p.26)
A função da escola inclusiva
é tornar-se um espaço de aprendizagem, de interação e de respeito às
especificidades de cada um, concebendo as diferenças individuais como uma
singularidade e não como um empecilho. Guenther conceitua escola de orientação
inclusiva como:
“Aquela em que todos e cada um dos alunos têm o
seu lugar na sala de aula, integra-se à convivência com pares etários
diversificados, sendo aceito como um indivíduo, do modo como é, sem ser preciso
apresentar uma característica predeterminada que venha a definir a qual
agrupamento ele deveria pertencer.” (2003 p.46)
Precisamos atentar para o
fato de que a inclusão não beneficia apenas os alunos com deficiência, no que
se refere à construção de valores, uma escola inclusiva ensina, a todos:
solidariedade, comprometimento com o próximo, respeito à diversidade e ética.