quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

TÁBUA DE SALVAÇÃO

Miguel Arroyo afirma que o padrão cognitivo e pedagógico tem operado como padrão de classificação social, étnica, racial, de gênero, de hierarquizações e bipolaridades dos coletivos humanos. Nesta lógica estabelece-se uma dicotomia entre os segregados do poder e da cultura e os civilizados, detentores do poder. A fala de Arroyo é provocativa no sentido de que sempre pensamos a escola como uma ponte, uma tábua de salvação ou um meio confiável de mudança da condição social. Segundo Arroyo:

“A visão dos Outros como coletivos à margem tem sido cara à pedagogia e às políticas sócio-educativas. A empreitada civilizatória, a escola e até as pedagogias libertadoras carregam essa identidade: oferecer percursos, passagens para sair da ignorância, da incultura, da tradição pré-política, da pobreza para a civilização, a cultura, a consciência política, o progresso, a ascensão social... Uma imagem incrustada em nossa cultura política, pedagógica, civilizatória dos marginais.”

Talvez, por isso a avaliação escolar esteja tão ligada ao mérito do esforço pessoal e uma trajetória escolar bem sucedida se traduza na conquista individual de uma posição social privilegiada condizente com a mais pura  lógica capitalista, abandonando a condição marginal e desfavorecida.
A mudança do coletivo é incompatível com os moldes da escola atual porque estruturalmente ela não oferece espaço à construção de uma consciência social que mobilize e empodere as comunidades na busca de visibilidade as suas necessidades e ao descaso com as condições subumanas a que estão submetidos. Boaventura de Sousa Santos (2009) aponta polarizações mais radicais para entendermos a conformação dos desfavorecidos:
“ O pensamento moderno (poderíamos incluir a moderna pedagogia) opera em um sistema de distinções visíveis e invisíveis estabelecidas através de linhas radicais que dividem a realidade em dois universos distintos, irreconciliáveis: o universo “deste lado da linha” e o universo “do outro lado da linha”.

A escola pode ter um papel, não de ponte entre os desfavorecidos e os privilegiados, mas de local afirmação identitária dessas comunidades através da valorização de suas  produções culturais.


MÉTODO CLÍNICO

               A Epistemologia Genética é uma teoria criada pelo biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), que estuda a gênese ou origem do conhecimento humano. Esta teoria estabelece que o conhecimento não vem pronto com a pessoa (apriorismo), nem é imposto pelo meio (empirismo), resulta sim de um processo interacional entre as condições internas do sujeito e do meio (construtivismo). Para realizar sua pesquisa, Piaget, desenvolveu um método, conhecido como “método clínico”, para acompanhar o pensamento das crianças e entendê-lo. Para entender melhor o método aplicamos com nossos alunos. Foi uma experiência muito interessante, observar o raciocínio das crianças através das respostas aos nossos questionamentos. A apresentação dos vídeos na aula presencial foi um momento de aprendizagem e troca. 

TIC's NA EJA

Sexta-feira passada realizamos na escola, com os alunos da EJA,  nossa primeira Feira de Ciências, resultado dos projetos de aprendizagem do semestre. Os trabalhos foram bem diversificados e a apresentação um desafio, pois a maioria dos alunos tem vergonha de falar em público. A proposta era utilizar a tecnologia na pesquisa, elaboração e apresentação dos trabalhos. O público da EJA, atualmente, é bastante heterogêneo. Uma parte composta por alunos oriundos do ensino regular e com idade entre quinze e dezoito anos e outra parte constituída por alunos mais velhos que trabalham ou que já estão aposentados, mas desejam completar sua escolarização. Conversando com os alunos percebemos que muitos não tinham acesso ou não utilizavam as tecnologias de informação (TIC), computadores ou celulares. Os alunos mais jovens utilizavam o computador ou celular apenas para entrar nas redes sociais. Por isso inserimos no nosso planejamento um tempo para utilização das tecnologias como ferramenta para pesquisa e apresentação dos trabalhos. Foi um grande desafio, pois os alunos mais velhos não sabiam nem ao menos ligar o computador, embora estivessem muito motivados a aprender. Promover a inclusão digital dos alunos da EJA é de certa forma dar-lhes autonomia para aprender, pois mesmo os alunos mais jovens e que estão habituados a lidar com computadores e celulares não sabiam pesquisar ou utilizar programas como o Word, PowerPoint, Excel, entre outros. Para PRENSKY (2011:
 (...) se os professores quiserem ajudar os alunos do século 21 a aprender. Alguns acham que a pedagogia vai mudar automaticamente, assim que os "nativos digitais" se tornarem professores. Eu discordo. Há pressões forçando os professores novos a adotar métodos antigos. Nós precisamos fazer um grande esforço de mudança. Primeiro, mudar a forma como nós ensinamos --nossas pedagogias. Depois, mudar a tecnologia que nos dá suporte. Finalmente, mudar o que nós ensinamos --nosso currículo-- para estarmos em acordo com o contexto e as necessidades do século 21.”

O nível dos trabalhos apresentados foi a confirmação que o esforço valeu a pena.


sábado, 2 de dezembro de 2017

CONDUTA ÉTICA

O professor sempre foi uma figura importante na formação da nossa personalidade, afinal, quem nunca se inspirou em um professor ou o considerou um modelo a seguir? Na minha vida acadêmica tive o prazer de conhecer ótimos professores que influenciaram positivamente minha formação. Penso que como educadores temos uma grande responsabilidade, não só pela palavra dita, mas pelo exemplo. A relação aluno–professor perpassa todo o desenvolvimento da criança. No início da vida escolar as crianças tendem a transferir a figura de autoridade dos pais para os seus professores e a escola é um dos seus primeiros locais de aprendizado do convívio social. Mesmo na adolescência, quando os jovens tendem a questionar a autoridade, o professor se constitui uma referência. Por estas razões, tem a capacidade de contribuir não só na formação acadêmica, mas também na construção dos valores. Através de sua postura e conduta diante das situações, ensina solidariedade, empatia e senso de alteridade. Como ressalta Márcia Tiburi, a sociedade não vai mudar de cima para baixo, logo os educadores têm grande responsabilidade na potencialização destas mudanças, formando indivíduos que pautem sua conduta social na ética, no diálogo e no respeito às diferenças. 

domingo, 26 de novembro de 2017

PESQUISAR A ESCOLA

Estudamos a história para entender o percurso da humanidade através do tempo, investigando o que os homens produziram, pensaram e expressaram enquanto seres sociais. Desta forma o conhecimento histórico possibilita a compreensão do homem enquanto constrói seu tempo. Analogamente, quando pesquisamos a escola tentamos compreender como os atores envolvidos na comunidade escolar interagem e reproduzem sua cultura. Nesta busca nos valemos de fontes escritas, orais e iconográficas para compreendermos as condições de existência de uma determinada comunidade.
 Quando nascemos nosso primeiro contato é com a família, da qual recebemos, além dos cuidados físicos e afetivos, crenças, valores e atitudes que influenciarão nosso desenvolvimento psicossocial. Num segundo momento entraremos em contato com a escola, na qual nossas referências de comportamento familiar sofrerão interferência e aonde iremos nos deparar com uma variedade de outras culturas. Desta forma, enquanto seres particulares e sociais nos desenvolvemos em um contexto multicultural, em que temos regras, padrões, crenças, valores, identidades muito diferenciadas. Assim, a cultura torna-se um processo de “intercâmbio” entre indivíduos. A cultura, não é algo isolado, mas um conjunto de comportamentos aprendidos que se refere ao modo de vida total de um grupo humano, compreendendo seus elementos naturais, não naturais e ideológicos. Segundo Ramos (2003, p. 265), “as culturas penetram o indivíduo [...] da mesma forma que as instituições sociais determinam estruturas psicológicas [...] o homem pensa e age dentro do seu ciclo de cultura”. Portanto, pesquisar a escola é tentar compreender a complexidade das relações e das condições de existência dos indivíduos que compõem a comunidade escolar.



COMPREENSÃO E ÉTICA

Lendo os textos propostos e fazendo o trabalho do Seminário Integrador lembrei-me de um fato ocorrido em 2009 quando fiz vestibular para matemática. Estava aguardando para entregar os documentos e fazer a matrícula quando percebi que alguns dos colegas que aguardavam serem atendidos estavam promovendo uma "caça às bruxas", questionando a todos para descobrirem quem eram os cotistas. Ouvi comentários bastante preconceituosos por parte deles, não sei por que não me questionaram, talvez pensassem que eu era mãe de algum dos alunos e não uma futura colega. Embora não fosse cotista, fiquei apreensiva pensando o que aconteceria quando alguém se declarasse, na dúvida de até onde seriam capazes de ir com aquela atitude. Enquanto estive ali ninguém se apresentou como cotista, talvez por medo de represálias. Edgar Morin, nos "Sete Saberes" que a escola deveria produzir,  propõe no sexto e sétimo saberes o ensino da compreensão e da  ética, que podemos traduzir no ditado mais popular - "Não deseje para o outro aquilo que não quer para você"- ditado que parece simples, mas que envolve uma complexidade de valores e "verdades" que cada indivíduo carrega consigo. A lei das cotas foi e continua a ser bastante polêmica, mesmo alguns professores das universidades desvalorizam os alunos cotistas e ajudam na manutenção do preconceito. As pessoas, em geral, gostam de usar sua história de vida para se comparar com o outro, partem do pressuposto que se conseguiram vencer as adversidades a que foram expostas, então qualquer um pode, aquele que não consegue é porque não se esforça ou não tem interesse. Muitas vezes ouço este discurso dos professores na escola, mas a verdade é que não podemos medir dificuldades, sofrimentos ou adversidades. Cada pessoa tem uma história e é fácil julgar o outro do lugar onde me encontro. Vivemos em um país de enormes diferenças sociais.  Como afirma Hélio Jaguaribe em seu artigo "No limiar do século 21":
 “Num país com 190 milhões de habitantes, um terço da população dispõe de condições de educação e vida comparáveis às de um país europeu. Outro terço, entretanto, se situa num nível extremamente modesto, comparável aos mais pobres padrões afro-asiáticos. O terço intermediário se aproxima mais do inferior que do superior”.
A maioria dos alunos da escola pública pertence ao terço comparável com os padrões afro-asiáticos e convivem diariamente com o medo, a insegurança e o preconceito. Quem sou eu para dizer do outro o que ele pode ou não? Precisamos abandonar nossa arrogância, enquanto educadores, e acolher sem julgamentos, aprender com o outro, e, como propõe Morin, ensinar a compreensão e ética para que cada um possa buscar seu lugar no mundo conquistando a cidadania a que todos temos direito.   

domingo, 12 de novembro de 2017

COMUNIDADES INVISÍVEIS

A comunidade em que está inserida a escola na qual leciono é marcada pela pobreza, violência e disputa das facções de traficantes de drogas. Destaco especialmente as dificuldades enfrentadas pelos alunos que são provenientes de uma ocupação por eles denominada de “vilinha”. Muitas vezes, os alunos precisam se ausentar ou mesmo se transferir de escola devido às disputas por pontos de drogas ou por perseguições resultantes do envolvimento das famílias com o tráfico. As crianças são alvos fáceis dos traficantes, sendo comumente recrutadas para trabalhar como “aviãozinho” ou como “olheiros” nas principais vias de acesso à vila. Nascem reféns da violência e da insegurança, crescem numa comunidade desprovida de condições básicas de sobrevivência, sem luz, água encanada ou saneamento. As casas são construções precárias que não oferecem o mínimo conforto ou segurança. As famílias são desestruturadas e, a maioria, já perdeu algum parente, vítima de assassinato ou de doenças como a AIDS. As crianças não têm acesso a lazer, a livros ou brinquedos.
Embora na legislação brasileira (Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente) estejam previstos os direitos das crianças ao lazer, alimentação, segurança, proteção contra o trabalho infantil entre outros, na prática, como salienta Miguel Arroyo, o direito moderno é um campo onde se manifesta o pensamento abissal, ou seja, a inexistência dos desfavorecidos. Neste sentido, Santos aponta:

 “Onde este lado da linha é determinado por aquilo que conta como legal ou ilegal de acordo com o direito oficial... o legal e o ilegal são as duas únicas formas relevantes de existência perante a lei... esta dicotomia central deixa de fora todo um território social onde ela seria impensável como princípio organizador, isto é, o território sem lei, fora da lei, o território do ilegal” (SANTOS, 2009,p. 260).

Quando chegam à idade escolar, do ponto de vista do processo de alfabetização, estas crianças estão com 5 anos de atraso em relação às  da classe média e alta, por falta de contato com portadores de leitura, de materiais adequados ao desenvolvimento de habilidades motoras finas (tesoura, massinha de modelar, lápis de cor...) ou de um adulto letrado com tempo para ensiná-la coisas básicas como: cores, números ou letras.  São estes fatores conjugados que dificultam a alfabetização desses alunos no primeiro ano de escolarização e não sua incapacidade cognitiva. Emilia Ferreiro deixa clara a implicação desta defasagem imposta pelo meio social para a alfabetização das crianças ao chegarem à escola:
 “Há crianças que chegam à escola sabendo que a escrita serve para escrever coisas inteligentes, divertidas ou importantes. Essas são as que terminam de alfabetizar-se na escola, mas começaram a alfabetizar muito antes, através da possibilidade de entrar em contato, de interagir com a língua escrita. Há outras crianças que necessitam da escola para apropriar-se da escrita”. (Ferreiro, 1999, p.23).

Penso que a realidade desta comunidade ilustre com clareza as ideias defendidas por Arroyo em seu artigo “Ações coletivas e Conhecimento: outras pedagogias?”, pois a invisibilidade destas comunidades resulta no abandono das crianças, no desrespeito aos seus direitos, inclusive ao direito à infância. A trajetória escolar da maioria dos alunos expostos a esta realidade será duramente marcada pelo fracasso, pela evasão e pelo abandono da escola.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

LUTANDO COM CROCODILOS

 A autora Ligia Amaral utiliza uma metáfora ao se referir aos mitos, preconceitos e barreiras atitudinais que desenvolvemos ao entrarmos em contato com as pessoas com deficiência: crocodilos e avestruzes.
Os Crocodilos  são revestidos das seguintes situações: Generalização Indevida ; Correlação Linear; Ideologia da Força de Vontade ; Culpabilização da Vitima; e Contagio Osmótico.
Todos os dias, como educadores, nós precisamos combater os “crocodilos” dos quais nos cercamos para nos mantermos em uma zona de conforto. Penso que todos estes crocodilos são resultado de uma convivência escassa com pessoas com deficiência na nossa vida escolar. Diariamente convivemos com o diferente, passamos nossa vida nos comparando e comparando aqueles com quem convivemos a um padrão de normalidade, mas a inclusão de pessoas com deficiência no ambiente escolar é algo recente e uma experiência que constituiu, até a implantação da lei, uma exceção. De acordo com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência:
“Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas”. (2007, p.2)
 Hoje, enquanto professores, nós estamos lutando para combater nossos preconceitos e superar as barreiras que construímos ao longo de toda nossa formação. No cotidiano escolar observo a dificuldade que os profissionais da educação têm em desvincular deficiência e incapacidade, incorrendo numa generalização, numa homogenização das deficiências. Desta forma, não se recebe um deficiente, recebe-se um incapaz, a condição é colocada a priori.
 O desafio que se impõe a escola é modificar o olhar, é encontrar meios de explorar as possibilidades dos alunos. As deficiências, incapacidades e limitações devem ser reconhecidas, mas não devem se tornar um entrave ao processo de ensino.
“Vale sempre enfatizar que a inclusão de indivíduos com necessidades educacionais especiais na rede regular de ensino não considera apenas a sua permanência junto aos demais alunos, nem na negação dos serviços especializados àqueles que deles necessitam. Ao contrário, implica uma reorganização do sistema educacional, o que acarreta a revisão de antigas concepções e paradigmas educacionais na busca de se possibilitar o desenvolvimento cognitivo, cultural e social desses alunos, respeitando suas diferenças e atendendo às suas necessidades”. (Glat e Nogueira, 2002, p.26)

A função da escola inclusiva é tornar-se um espaço de aprendizagem, de interação e de respeito às especificidades de cada um, concebendo as diferenças individuais como uma singularidade e não como um empecilho. Guenther conceitua escola de orientação inclusiva como:
“Aquela em que todos e cada um dos alunos têm o seu lugar na sala de aula, integra-se à convivência com pares etários diversificados, sendo aceito como um indivíduo, do modo como é, sem ser preciso apresentar uma característica predeterminada que venha a definir a qual agrupamento ele deveria pertencer.” (2003 p.46)

Precisamos atentar para o fato de que a inclusão não beneficia apenas os alunos com deficiência, no que se refere à construção de valores, uma escola inclusiva ensina, a todos: solidariedade, comprometimento com o próximo, respeito à diversidade e ética.






sábado, 21 de outubro de 2017

INCLUSÃO NA ESCOLA PÚBLICA


           Este texto refere-se à análise da Escola Estadual Estado de São Paulo em relação à inclusão, tendo como base os textos propostos na interdisciplina de Educação de Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais.
          A Escola Estadual Estado de São Paulo está localizada na zona rural do município de Gravataí, conta com um quadro docente de 49 profissionais, incluindo-se 41 professores, 1 diretor, 3 vice-diretores 2 orientadores e 2 supervisores. Atualmente possui em média 600 alunos matriculados e distribuídos nas modalidades de Ensino Fundamental de 9 Anos e a Educação de Jovens e Adultos anos finais do fundamental. A escola possui sete alunos com necessidades especiais que compreendem: deficiência intelectual, síndrome de down e deficiência locomotora, todos atendidos em classe comum e sem apoio pedagógico especializado. Três desses no currículo por atividade e os demais já nos anos finais do ensino fundamental. Estes alunos se deparam diariamente com dificuldades de toda natureza. Barreiras arquitetônicas lhes dificultam frequentar os ambientes da escola como biblioteca e sala de vídeo que, localizados no andar superior, não oferecem acesso por rampa ou elevador. Barreiras sociais por falta de um projeto de integração e de uma educação voltada para aceitação da diversidade e barreiras no ensino por diversos fatores, entre eles a falta: de flexibilização do currículo, de material didático adequado, de profissionais capacitados e de uma avaliação diferenciada. Fatores essenciais ao seu desenvolvimento cognitivo, social e emocional.
            A Lei nº 13.146, de 6 de julho de  2015., em seu artigo 2º, define a pessoa deficiente nos seguintes termos:
“considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas”.  
          A própria definição sinaliza para as dificuldades do deficiente de participação na sociedade em igualdade de condições com os demais, o que pressupõe a necessidade de se criar condições para a integração desta pessoa, principalmente no ambiente escolar que será um dos primeiros locais de socialização da criança fora do âmbito familiar. A mesma Lei 13.146, em seu capítulo IV, relativo aos direitos do deficiente à educação, prevê:

“Art. 28.  Incumbe ao poder público assegurar, criar, desenvolver, implementar, incentivar, acompanhar e avaliar:

II - aprimoramento dos sistemas educacionais, visando a garantir condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem, por meio da oferta de serviços e de recursos de acessibilidade que eliminem as barreiras e promovam a inclusão plena;

                     XVII - oferta de profissionais de apoio escolar;”

          Entretanto, podemos perceber pela análise feita da Escola São Paulo, que a inclusão das crianças com necessidades especiais não se deu obedecendo à lógica de ofertar condições para que as escolas acolhessem estas crianças e a elas propiciassem uma educação de qualidade.
          O texto “Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva” explicita o fato de que para atuar na educação especial, o professor deve ter como base da sua formação, inicial e continuada, conhecimentos gerais para o exercício da docência e conhecimentos específicos da área, o que infelizmente não se configura como realidade. O caso da escola São Paulo não é uma exceção, os professores estaduais receberam os alunos de inclusão sem terem tido a oportunidade de um preparo adequado e sem terem recebido materiais pedagógicos, ou profissionais de apoio escolar, que viabilizassem a permanência e o desenvolvimento cognitivo destas crianças.
          Não queremos negar as vantagens de uma educação inclusiva, em 1994, a Declaração de Salamanca, proclamou que as escolas regulares com orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias e, como ressaltou, em 2008, em entrevista a revista Inclusão, o então ministro da Educação Fernando Haddad:
 ”... o benefício da inclusão não é apenas para crianças com deficiência, é efetivamente para toda a comunidade, porque o ambiente escolar sofre um impacto no sentido da cidadania, da diversidade e do aprendizado” (Fernando Haddad).
          Desejamos esclarecer que o que está sendo questionado aqui não é a necessidade de efetivar-se a inclusão escolar, garantindo a todas as crianças independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, lingüísticas ou outras, o acesso à escola regular. A intenção é problematizar a ineficácia das políticas públicas no que se refere à inclusão escolar.  
          O Plano Nacional de Educação – PNE, Lei nº 10.172/2001, destaca que:
“o grande avanço que a década da educação deveria produzir seria a construção de uma escola inclusiva que garanta o atendimento à diversidade humana”.
          Para que a inclusão se efetue são necessárias mudanças relevantes no sistema de ensino, que não se efetivam somente por estarem garantidas em lei. A educação precisa de investimento para evitarmos que estas crianças ao ingressem na escola continuem sendo excluídas devido às barreiras arquitetônicas, à falta de qualificação dos professores, à inexistência de material adequado ao atendimento especializado, ao número excessivo de alunos em sala de aula e a tantos outros fatores que dificultam o acesso e a permanência com qualidade do aluno com necessidades especiais.
          Portanto as mudanças são fundamentais para que o processo de inclusão escolar se concretize, mas exige esforço de todos possibilitando que a escola possa ser vista como um ambiente de construção de conhecimento com capacidade de receber qualquer aluno, ofertando oportunidades adequadas para o desenvolvimento de suas potencialidades.


RACISMO MASCARADO

            Em 2007, minha filha cursava a 5ª série em uma escola particular de Porto Alegre. Na sala dela havia um aluno negro. Este aluno e o Professor de Português costumavam trocar “ofensas”, mas como uma espécie de brincadeira, ironicamente. Numa ocasião, o aluno chamou o professor de gordo e ouviu dele a seguinte expressão: “neguinho de merda”. A turma toda riu e o fato não tomou proporções maiores, entretanto, até hoje, sempre que a turma se reúne relembram este fato, o que demonstra o impacto da situação sobre as crianças. O ocorrido ficou eternizado na memória de todos. O fato de terem achado graça revela que, embora com pouca idade, já eram capazes de inferir a mensagem por trás das palavras pronunciadas em tom de brincadeira. Conforme Fonseca:

"Os grupos sociais, quando riem de determinada piada, demonstram que estão aparentemente de acordo com suas mensagens, que elas encontram eco na sociedade; sua atitude manifesta consciência e assimilação, aludindo a uma relativa identificação entre a mensagem expressa por eles e a leitura de mundo que é feita pelo conjunto da sociedade." (Fonseca, 1994, p. 53).  

Podemos fazer diversas considerações em relação a este fato, primeiramente, não condiz com a postura de um educador entrar neste tipo de “jogo” com os alunos. O professor é o adulto e deve pautar suas relações em sala de aula pelo respeito mútuo. O professor nitidamente utilizou o termo “neguinho” de forma pejorativa, com intenção de ofender, embora num tom de brincadeira. O que isto nos revela das crenças e valores deste professor? O público era composto de crianças em fase de construção de seus valores, o que é um agravante. Além disso, a atitude do professor ficou impune, pois as crianças não tiveram voz para confrontá-lo ou denunciá-lo. A compreensão do racismo não pode ser desvinculada das relações de dominação presentes entre os grupos raciais na população brasileira. Segundo Silva:

"A relação complexa "entre raça, cor, posição social e nível educacional no Brasil está baseada em relações hierarquizadas e posicionamentos sociais sempre ambivalentes, dependentes de situações quotidianas e de contextos específicos" (Silva, M. L., 2007, p.165).

            Certamente o professor impactou a todos, principalmente ao aluno que sofreu a ofensa, porque reforçou a questão do racismo e da imagem negativa do negro, socialmente construída. A exclusão começa desde a infância dentro das escolas com a desvalorização das características físicas do indivíduo o que influencia na sua formação identitária num período da vida em que o caráter esta sendo formado. 

DE BOA VONTADE O INFERNO ESTÁ CHEIO

O Brasil deve ser disparado o país com um maior número de leis, entretanto o fato de algo estar escrito não é garantia de efetivação. No caso da inclusão escolar, a legislação visa garantir todas as condições  para que a criança com necessidades educacionais especiais receba o atendimento adequado nas escolas. Na prática, a inclusão está longe de se efetivar porque as escolas não foram preparadas para receber o público alvo da educação especial e assegurar o atendimento de suas especificidades educacionais.
Nas escolas estaduais, em especial, a realidade é uma só: não há verbas suficientes para que se faça uma escola de qualidade para todos os alunos, nem para os sem deficiência, nem para os com deficiência. Principalmente, nas séries finais do ensino básico, as crianças ficam depositadas nas salas de aula, sem tarefas ou com atividades infantis, que não acrescentam nada em sua formação. Como disse Carlos Skliar- no vídeo "O papel da escola, do professor e da educação inclusiva"- os países que mais falam em inclusão são aqueles que têm grandes dificuldades de incluir. Receber todas as crianças na escola é apenas o primeiro passo para garantir a inclusão e, embora de grande relevância, não é o único, a escola precisa estar equipada com recursos físicos, tecnológicos, material didático adequado e, sobretudo,  com professores  preparados e aptos a lidar com os alunos com necessidades educacionais especiais.

domingo, 24 de setembro de 2017

RACISMO NA UNIVERSIDADE

Segundo o dicionário da língua portuguesa racismo é “atitude hostil ou discriminatória em relação a um grupo de pessoas com características diferentes, notadamente etnia, religião, cultura, etc". 
O racismo foi criminalizado em 1988, com a promulgação da nova Constituição:
“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
“XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei”

A criminalização do racismo, embora necessária para coibir essa prática, não foi suficiente para erradicar este câncer social de raízes históricas. Os grandes centros urbanos e as periferias das cidades são compostas majoritariamente por negros, porém nas universidades existem pouquíssimos professores(as) negros(as). A maioria do povo negro trabalha em empregos informais e sofre com a repressão policial que pune e mata seletivamente dia após dia.
 Como uma forma de compensar erros cometidos no passado contra essas etnias, a Lei de cotas raciais foi sancionada em 29 de agosto de 2012. Elaborada para ajudar a respeitar e a cumprir os direitos de grupos tradicionalmente marginalizados ou excluídos,  as cotas raciais ganharam visibilidade a partir dos anos 2000, quando universidades e órgãos públicos começaram a adotar tal medida em vestibulares e concursos. Entretanto, o acesso da população negra à universidade revelou novas facetas do racismo, nada velado, daqueles que ridiculamente se consideram superiores em função da cor de sua pele.  Recentemente uma universidade pública do Rio Grande do Sul foi condenada a pagar indenização a dois alunos que sofreram racismo por parte de uma professora, do curso de letras, na disciplina de Língua Alemã. Os alunos provaram na justiça que a professora dispensava um tratamento diferenciado aos dois pelo fato de serem negros, inclusive em relação às notas que eram sempre inferiores às dos colegas, embora o nível das atividades fosse equivalente.  
Esta situação não se configura em um fato isolado, porque  diariamente estudantes negros das universidades sofrem com o preconceito de colegas e professores, o que demonstra que o preconceito de cor continua latente na sociedade brasileira. Carneiro (2003, p.5) afirmou que:
 "o Brasil sempre procurou sustentar a imagem de um país cordial, caracterizado pela presença de um povo pacífico, sem preconceito de raça e religião [...]Sempre interessou ao homem branco a preservação do mito de que o Brasil é um paraíso racial, como forma de absorver as tensões sociais e mascarar os mecanismos de exploração e de subordinação do outro, do diferente [...]" (CARNEIRO, 2003, p.5).

 É lamentável que nas universidades, local de produção e incentivo à cultura, nos deparemos com situações de preconceito e discriminação contra representantes de uma etnia que, em sua maioria, já sofrem com a marginalização ou exclusão social herdadas de um passado de escravidão que mancha e envergonha a história deste país.




sábado, 9 de setembro de 2017

DIVERSIDADE CULTURAL

Convidei as crianças à sentarem em círculo para ouvir a história de  “Obax” ( texto e ilustrações de André Neves) uma menina criada nas savanas da África e dotada de uma grande imaginação. Perguntei se alguém conhecia algo sobre a África e houve apenas comentários sobre os animais.  Iniciei, então, a contação e fui mostrando as imagens onde eram retratados os animais, a vegetação, costumes e vestimentas típicas. Ressaltei a vivacidade das cores e a riqueza das lendas e costumes do povo.  As crianças demonstraram curiosidade sobre a localização e os costumes do povo africano. Fomos à biblioteca para pesquisar mais sobre o Continente Africano.  As crianças exploraram diversos materiais, inclusive atlas e o globo terrestre. Ficaram encantados com os animais e com o deserto do Saara. Os trajes típicos também chamaram a atenção pelas cores vivas. 
Depois da pesquisa fizemos produções textuais e representações por desenho.
Considero muito importante incorporar ao currículo o estudo das civilizações que ao longo da nossa história tiveram seus saberes suprimidos em favor de uma cultura ocidental dominante. Explorar o continente africano em relação a suas belezas naturais e à riqueza cultural de seu povo foi uma atividade que atraiu a atenção das crianças que demonstraram interesse e curiosidade pela cultura e diversidade existente neste continente. Continuaremos tratando do tema para evidenciar a influência do povo africano na nossa cultura. 
                                        




INTERNET E ACESSO À INFORMAÇÃO

Pensar sobre as redes sociais e sua implicação para a nova geração me fez considerar dois pontos cruciais: distração e aprendizagem.
A nova realidade de acesso à internet permite a interação de uma gama enorme de usuários através do whatsapp, facebook, twitter ou instagram; Inclusive o acesso à podcasts, sites sobre uma variedade ilimitada de assuntos, jogos online, blogs e vídeos constituem um espaço de comunicação entre internautas. Todas estas possibilidades demandam um tempo que é roubado das atividades offline, como o convívio com familiares e amigos, as atividades acadêmicas, prática de esportes. Enfim, é saudável estar conectado também com o mundo real. Quando aprendemos a dosar o uso das mídias, garantimos uma maior qualidade de vida.
A tecnologia no dia-a-dia das pessoas alterou as culturas sociais, ao configurar-se como uma nova maneira de transmitir informações e gerar conhecimento. No que diz respeito à aprendizagem, as redes sociais são bons espaços para os educadores compartilharem com os alunos materiais multimídia, notícias de jornais e revistas, vídeos, músicas, trechos de filmes ou de peças de teatro que envolvam assuntos trabalhados em sala, como material complementar. O aluno também desenvolve uma autonomia em relação a sua formação: pesquisa, acessa, explora, visita e descobre um universo além da sala de aula. Em linhas gerais, a internet democratizou o acesso ao conhecimento.
Todavia, o papel do professor é imprescindível na educação dos usuários, para que possam filtrar o conteúdo das informações recebidas, visando o uso das redes sociais de forma ética e responsável. Obtendo-se essa seleção, a interação entre os meios de comunicação, professores e alunos torna-se mais segura e possibilita que o uso das redes venha a se tornar válido no processo de ensino-aprendizagem.


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

PÚBLICO X PRIVADO

A história da América Latina é marcada pelo genocídio e pela negação do outro – seja no plano das representações ou no imaginário social. Embora a sociedade brasileira seja produto da miscigenação de diversas raças, não ficamos isentos ao racismo, à discriminação e à exclusão social. O papel que o sistema educacional exerce para a manutenção da desigualdade pode ser analisado com mais clareza a partir da disparidade existente entre educação pública e privada. A escola pública é constantemente acusada de desprezar os saberes das classes populares e forçar o ensino de uma cultura comum. Entretanto é preciso lembrar que existe um currículo comum às escolas públicas e privadas, que se baseia nos conhecimentos e valores da cultura ocidental, em detrimento de outras culturas e, inclusive, da nossa própria história. Segundo Perez Gomez (1993):
“A escola deveria ser concebida como um espaço de cruzamento de culturas e exercer uma função de mediação reflexiva daquelas influências plurais que as diferentes culturas exercem de forma permanente sobre as novas gerações (p. 80)”
Portanto, é preciso rever urgentemente estes currículos se desejamos uma educação multicultural e uma sociedade mais justa e inclusiva.
Outro ponto importante é a situação da escola pública no Brasil que, sujeita às políticas neoliberais, está em processo de sucateamento. O ensino é basicamente teórico porque não existe laboratórios, instrumentos, computadores ou qualquer tecnologia que possibilite um ensino de qualidade. Desta forma, não permite a redução da distância entre a escola pública e a privada e diminui as oportunidades de ascensão social às classes mais desfavorecidas. Segundo FREIRE (1973), a Educação pode dirigir-se a dois caminhos: para contribuir para o processo de emancipação humana, ou para domesticar e ensinar a ser passivo diante da realidade que está posta. 


sexta-feira, 7 de julho de 2017

DESAFIOS DA GESTÃO DEMOCRÁTICA


Um dos primeiros movimentos que trata sobre a função social da escola teve origem por volta dos anos 20 e 30. Alguns educadores como Anísio Teixeira, Fernando Azevedo e Lourenço Filho contribuíram para grandes progressos na área educacional com idéias divulgadas em um documento conhecido como “Manifesto dos Pioneiros da Educação (1932), trecho transcrito abaixo:
“A escola, campo específico de educação, não é um elemento estranho à sociedade humana, um elemento separado, mas “Uma instituição social, um órgão feliz e vivo, no conjunto das instituições necessárias à vida, o lugar onde vivem a criança, a adolescência e a mocidade de conformidade com os interesses e as alegrias profundas de sua natureza […].”
Trecho que parece bastante atual, entretanto, somente com a Constituição de 1988 e com a publicação da LDB/96, a escola terá reconhecida sua importância social e será desafiada a repensar sua gestão para garantir um ensino de qualidade e o  acesso e permanência na escola.
A Lei 10.576/95 dispõe sobre a gestão democrática do ensino público, no seu artigo 6º orienta sobre a administração dos estabelecimentos de ensino:
Art. 6º A administração do estabelecimento de ensino será exercida por uma Equipe Diretiva – ED – integrada pelo Diretor, pelo Vice-Diretor e pelo Coordenador Pedagógico que deverá atuar de forma integrada e em consonância com as deliberações do Conselho Escolar. (Redação dada pela Lei n.º 13.990/12).
Neste artigo fica clara a responsabilidade e a importância dos Conselhos Escolares, entretanto a descentralização do poder, na administração das escolas, se constitui em um desafio. As instâncias colegiadas como os Conselhos Escolares e os Grêmios estudantis ainda têm tímida  participação nas decisões e nas atribuições que lhe competem. Ao entrevistar o presidente do conselho escolar percebi claramente a falta de informação sobre as responsabilidades e competências do conselho.
Das funções do conselho - deliberativa, consultiva, mobilizadora, fiscalizadora e avaliativa- a única que percebi alguma atuação foi a deliberativa, mesmo assim, o conselho é chamado mais para ratificar as decisões da direção do que propriamente para opinar.
O empoderamento das instâncias colegiadas é imprescindível para a efetivação da gestão democrática, da formação de lideranças e do desenvolvimento da cidadania.


quarta-feira, 5 de julho de 2017

PROJETOS DE APRENDIZAGEM EM AÇÃO

Os Projetos de Aprendizagem estão em andamento, a turma de oitavo ano com a qual estou desenvolvendo a atividade tem demonstrado uma crescente autonomia em suas pesquisas, os primeiros resultados já estão aparecendo e percebe-se que as aprendizagens estão ocorrendo. Iniciamos, então, uma revisão nos quadros de certezas e dúvidas e um aperfeiçoamento nos mapas conceituais. Assim daremos prosseguimento ao trabalho traçando o Plano de ação.
O plano de ação é imprescindível para sistematizar o processo de investigação, elencar os recursos necessários à pesquisa e estabelecer as fontes a serem utilizadas nos projetos de aprendizagem.
Organizamos um cronograma estabelecendo o tempo necessário à validação dos itens do inventário dividindo as etapas de  coleta,  análise de dados, debates e produção da síntese reflexiva.
Elencamos os recursos necessários para tais como: vídeos sobre alimentação saudável; pesquisas na internet; manuseio de materiais (como rótulos de produtos industrializados), palestras (sobre a importância da alimentação no desenvolvimento das civilizações); pirâmide alimentar; experiências com alimentos e bebidas e  tabelamento de dados de pesquisas com a comunidade escolar.

Estamos planejando a melhor forma de socializarmos as sínteses reflexivas com os colegas e professores.

FATORES QUE INFLUENCIAM NA QUALIDADE DA EDUCAÇÃO

O Brasil é um  país com extrema desigualdade socioeconômica, que se estabelece entre as regiões, estados e município chegando até às escolas públicas. Os recursos variam bastante de escola para escola, dependendo se a  localização é mais ou menos privilegiada economicamente. A qualidade do ensino é diretamente afetada pelos fatores intra e extra-escolares.
Os fatores intra-escolares  são aqueles que dão suporte ao trabalho pedagógico, envolvem os espaços como: refeitório, biblioteca, salas de multimídia, laboratório de ciências, ginásio esportivo e sala de música, entre outros. Envolvem, ainda, os materiais didáticos como: livros, jogos, internet e material esportivo, por exemplo.
Os fatores extra-escolares incluem as políticas públicas e os programas de financiamento da educação como PDE Escola, o PDDE, o transporte escolar e outros que oportunizam o acesso e a permanência na escola.
o artigo 22 da LDBEN/96 estabelece os fins da educação básica:                                
“A educação básica tem por finalidade desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores.”

Para que se cumpram estas finalidades é necessário qualificar a escola, ou seja, é preciso que haja  financiamento adequado às necessidades de cada escola, destinando mais recursos aquelas que mais necessitam sem, contudo, descuidar das demais.  A qualidade da educação passa por qualificação e valorização do professor, pela instrumentalização da escola e por uma gestão de qualidade.

domingo, 2 de julho de 2017

PROJETOS DE APRENDIZAGEM

Após semanas do início dos Projetos de Aprendizagem (PA'S), quando escolhemos os temas de pesquisa e iniciamos nossa caminhada passando por todas as etapas como: inventário dos conhecimentos,  elaboração das tabelas de dúvidas e certezas,  construção dos mapas conceituais, estabelecimento do plano de ação e de inúmeras  pesquisas, debates e retomadas do processo, finalmente iremos apresentar os resultados do nosso trabalho.
A metodologia de aprendizagem por projetos inclui situações-problema, como propõe PERRENOUD (2000), na qual reforça o papel do aluno em participar de um esforço coletivo para elaborar um projeto e construir novas competências. Ele tem direito a ensaios e erros e é convidado a expor suas dúvidas, a explicitar seus raciocínios, a tomar consciência de suas maneiras de aprender, de organizar o conhecimento e de comunicar-se. 

Esta semana iniciaremos as apresentações dos PA'S com a seguinte proposta: cada grupo deverá apresentar sua síntese em forma de PowerPoint para os colegas da turma e do outro oitavo ano assistirem, além disto foi solicitado um trabalho escrito. Cada aluno receberá uma ficha para avaliação dos grupos. Os alunos estão empolgados em se apresentar e compartilhar suas aprendizagens, embora um pouco apreensivos devido à exposição. Para nós professores foi um desafio instrumentalizar os alunos para este processo de educação continuada, ensiná-los a aprender por conta própria, com autonomia e capacidade de gerenciamento da sua própria formação. 
Segundo Vasconcelos e Brito(2006, p.98) a dialética entre o aprender e o ensinar constitui um ciclo gnosiológico,  que se dá pela prática e pela pesquisa favorecendo a autonomia dos educandos.
Como educadores estamos satisfeitos em ter dado este primeiro passo em busca de mudanças nas nossas práticas pedagógicas e orgulhosos com os resultados obtidos até aqui.


                                    



segunda-feira, 12 de junho de 2017

O PODER DA PUNIÇÃO

Esta semana estava lendo uma reportagem sobre os privilégios dos juízes e não pude deixar de fazer comparações com os professores. Os juízes assim como os professores gozam de dois meses de férias, porém, ao contrário dos professores, não são questionados por isso e nem por receberem 50% de adicional de férias. Outro ponto de convergência entre as duas profissões são os chamados "pendurucalhos" na composição do salário de ambos, com um pequeno detalhe, enquanto mesmo com os pendurucalhos o salário dos professores continua sendo miserável; o salário dos juízes que chega a R$ 33 mil reais é acrescido de pendurucalhos bem polpudos, como por exemplo: auxílio moradia em torno de R$ 4000, mesmo que possuam casa própria, auxílio creche, auxílio alimentação, auxílio saúde, auxílio formação, auxílio para compra de livros ( em torno de R$ 3000) e outros auxílios que podem elevar os rendimentos de um ministro do STF a R$ 350.000. 
Não é possível ler os textos propostos na interdisciplina de Organização do Ensino Fundamental referente à importância do projeto político pedagógico das escolas para uma educação pública de qualidade e ler sobre esta discrepância nos salários dos juízes e não estabelecer comparações ou medir forças. Como é possível mudar este país através da educação, se os professores estão cada vez mais desvalorizados, empobrecidos e impossibilitados de aperfeiçoar sua formação. Enquanto um juiz recebe R$ 3000  para comprar livros, o professor está totalmente excluído do acesso à cultura. Como o professor pode formar cidadãos críticos, capazes de transformar sua realidade, se sua profissão lhe confere tão pouco para viver com dignidade. 
Se compararmos a situação do judiciário com países como a Suécia onde os juízes recebem salários que variam entre 50 a 100 mil coroas suecas- o equivalente a R$ 16,5 mil a R$ 33mil, respectivamente, para viver em um país que tem um dos mais altos impostos do mundo e um dos custos de vida mais elevados do planeta teremos uma ideia do quanto nossos juízes estão advogando em causa própria votando seus próprios aumentos. Os juízes suecos não recebem nem um tipo de auxílio Göran Lambertz, juiz do Supremo Tribunal da Suécia, alerta:

 "O judiciário de um país deve ter o respeito inabalável de seus cidadãos, porque uma das consequências da perda de respeito do cidadão pelos juízes, é que as pessoas acabam perdendo o respeito pela lei, Luxo pago com o dinheiro do contribuinte é imoral e  antiético"

O que se pode dizer de uma sociedade que privilegia a este ponto e com imensa tolerância o poder  judiciário, uma sociedade onde a mão que pude tem mais valor que a mão que educa. 
  



domingo, 4 de junho de 2017

GESTÃO DEMOCRÁTICA

                              
A gestão democrática nas escolas ainda está dando seus primeiros passos. Em muitas escolas podemos observar o ranço do autoritarismo e uma forma centralizada de exercer o poder. Ainda que eleitos de forma democrática, muitos diretores, talvez por uma hierarquia histórica, assumem uma posição de dominação tomando, sozinhos, decisões relevantes que afetam toda comunidade escolar.
  A escola deve ser o embrião da cidadania por isso é preciso administrá-la de forma democrática assegurando assim que as crianças aprendam desde cedo a importância da autonomia e da participação nas decisões que as afetam e à comunidade em que vivem.
           A LDB dispõe que:
Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas de gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
 I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto político-pedagógico da escola;
 II – participação das comunidades escolar e local em Conselhos Escolares ou equivalentes.
                 
A gestão democrática nas escolas é um processo que se concretiza quando pais, alunos e professores participam da administração da escola através da elaboração e acompanhamento do seu Projeto Político Pedagógico e da efetiva atuação nos conselhos escolares assumindo responsabilidades e participando com  igualdade na tomada de decisões. Este compartilhamento na administração da escola evita muitos conflitos, pois todos os atores da comunidade escolar passam a ter voz e a compartilharem de um interesse comum, a qualificação da escola pública. Nas palavras de Paulo Freire:                            
 “Tudo o que a gente puder fazer no sentido de convocar os que vivem em torno da escola, e dentro da escola, no sentido de participarem, de tomarem um pouco o destino da escola na mão, também. Tudo o que a gente puder fazer nesse sentido é pouco ainda, considerando o trabalho imenso que se põe diante de nós que é o de assumir esse país democraticamente.”                           

A escola deve ter um compromisso cotidiano com a gestão democrática visando efetivar sua função de formadora de cidadãos com habilidades de pensar criticamente, questionar e intervir na realidade.



segunda-feira, 29 de maio de 2017

UMA AULA PARA REFLETIR

A aula inaugural do Professor Carlos Roberto Jamil Cury ofereceu num curto espaço de tempo um panorama da política educacional brasileira desde o tempo do império até os dias atuais. De forma sucinta o professor nos conduziu ao entendimento do retrocesso que representa a medida provisória (MP) que altera a LDBEN. A aula foi esclarecedora ao demonstrar que a educação é campo de disputa política e nos lembrar do quanto é recente a  legislação que institui o direito à educação pública no Brasil, se comparada a países como a Noruega, onde este direito é garantido há 400 anos. Outro aspecto relevante foi o sentimento de que conquistas históricas como, por exemplo, a valorização da educação básica, enquanto conceito de formação do cidadão pode ser pulverizada por uma MP, de um governo ilegítimo, que serve a interesses capitalistas e tem como objetivo aprofundar as desigualdades sociais. Em relação às mudanças no ensino médio, fica a certeza de que estes burocratas nunca entraram em uma sala de aula, pois qualquer professor sabe o quanto é difícil para os adolescentes fazerem escolhas tão definitivas nesta fase da vida. Como podem escolher sem antes experimentar?

Os autores da MP desconhecem, ainda, a realidade das nossas escolas que, em sua maioria, não tem como oferecer aos alunos do ensino médio cinco itinerários diferentes com os recursos que lhes são disponibilizados

segunda-feira, 22 de maio de 2017

DIÁRIO DE CLASSE - PARTE II

Estamos em pleno andamento da Meta 3 da interdisciplina de Projeto Pedagógico em Ação. Esta semana estamos construindo os mapas conceituais, achei esta a parte mais difícil do projeto até aqui porque os alunos nunca tinham feito um mapa conceitual e tive que explicar tudo passo-a-passo. Pesquisamos na internet alguns exemplos para servir de base à construção dos mapas dos grupos. Depois de muito fazer e desfazer, estamos chegando aos primeiros resultados satisfatórios. Certamente ainda teremos que melhorar estes primeiros esboços, mas estou satisfeita com os resultados até aqui. Alguns grupos desanimaram e resolveram deixar para depois, outros, entretanto, estão trabalhando com entusiasmo e já podemos expor alguns aqui no blog. A construção destes mapas só foi possível porque os alunos já estão se apropriando de conceitos importantes e estão utilizando os dados da pesquisa para compor seus mapas conceituais. Ainda estamos validando nossas certezas e pouco a pouco respondendo às dúvidas que deram origem às pesquisas. Novas dúvidas estão surgindo e procuro não oferecer respostas, mas estimular os grupos a irem em busca do conhecimento explorando várias fontes de pesquisa. 


DIÁRIO DE CLASSE

Estou dando andamento aos projetos de aprendizagem com os alunos do oitavo ano. Esta semana foi dedicada à socialização das primeiras descobertas, os alunos  trouxeram muitas novidades relativas às pesquisas dos grupos. Vou enumerar algumas que achei muito interessantes:
                              
*O grupo que está pesquisando sobre refrigerantes trouxe um vídeo- disponível em https://www.youtube.com/watch?v=d2JuaCXUSUQ- que compara a quantidade de açúcar contida em uma coca-cola normal e uma light. No final do vídeo o recipiente que contém a coca-cola normal apresenta uma grande quantidade de açúcar (em forma de um melado) e o com coca-cola light fica com um pequeno resíduo no fundo. Depois do espanto em relação a quantidade de açúcar que contém o refrigerante, um aluno questiona o grupo: - Então é melhor beber a light que tem menos açúcar?
Fiquei esperando a resposta do grupo para depois fazer a intervenção, mas não foi necessário porque a resposta foi a seguinte: - Não. O melhor é não consumir nenhum porque aquilo que vocês estão vendo no fundo do recipiente que  contém a coca-cola light é adoçante. Eu li que este adoçante, que não lembro o nome agora, é cancerígeno.
Combinamos, então, que o grupo vai analisar os rótulos dos dois refrigerantes, compará-los e pesquisar mais sobre o assunto.

*O grupo que está pesquisando sobre obesidade trouxe alguns dados sobre obesidade infantil e focou bastante na responsabilidade dos pais em relação à qualidade da alimentação das crianças. Levantaram, ainda, a questão do bullying na escola a que estão sujeitos crianças e adolescentes gordinhos.

*O grupo que está pesquisando sobre o sódio trouxe vários rótulos de produtos, inclusive os de água mineral comparando as marcas com maior quantidade de sódio.

Estes são alguns exemplos dos primeiros resultados das pesquisas, que foram muito ricas até aqui e que geraram bastante discussão na turma. Alguns grupos, ainda, estão com dificuldades para dar andamento às pesquisas. Estou tentando dar algum suporte, porém como não estou diariamente em contato com a turma isto tem se tornado uma dificuldade. Em contrapartida, este trabalho tem ajudado bastante na interação da turma e principalmente na de alguns alunos mais tímidos que estão tendo a oportunidade de auxiliar os colegas nas áreas que tem conhecimento, como postagem de vídeos ou uso da internet.


domingo, 7 de maio de 2017

MÉTODOS GLOBALIZADOS

A atividade da disciplina Projeto Pedagógico em Ação, neste semestre,  é o desenvolvimento de projetos de aprendizagem com nossos alunos. Iniciei os projetos com o oitavo ano e após estabelecermos  os grupos de trabalho por temas de interesse, partimos para o inventário dos conhecimentos dos alunos sobre o tema que escolheram para pesquisa e para a relação de  suas dúvidas. A partir disso cada grupo elaborou seu plano de ação e, então, se iniciaram os problemas: como pesquisar se não há internet na escola? Se pesquisar em casa como trazer a pesquisa se não possuem pen drives?  Que outros métodos são possíveis de utilizar para apropriar-se dos conhecimentos desejados? Como compartilhar as descobertas com os colegas?
Estes problemas práticos relacionados a recursos  estão se resolvendo com muita criatividade e solidariedade, emprestando-se materiais, compartilhando recursos e adaptando-se o que se tem. Entretanto, surgiram também resistências dentro da turma, indagações do tipo: por que temos que pesquisar? O professor não deveria ensinar este conteúdo?
E, nesta hora, o que nos salva é a teoria, todos os textos que lemos e que dão sustentação à nossa prática. Através deles podemos criar uma consciência no nosso aluno, sustentar a importância do autoconhecimento e da gestão da aprendizagem. Orientar o aluno para a reflexão e a busca de autonomia faz parte da nossa função enquanto educadores.
“O pensamento reflexivo é uma capacidade. Como tal, não desabrocha espontaneamente, mas pode desenvolver-se. Para isso, tem de ser cultivado e requer condições favoráveis para o seu desabrochar” (Alarcao, 1996).

A condição favorável para desenvolver um pensamento reflexivo no educando passa por um projeto pedagógico que se utilize dos métodos globalizados de aprendizagem, rompendo, assim, com um ensino compartimentado e trazendo uma proposta inter ou transdisciplinar que propicie o desenvolvimento integral do aluno e a conquista de sua autonomia. 

quarta-feira, 26 de abril de 2017

HORA CERTA, LUGAR CERTO

[...] Clarice Lispector, escritora ucraniana que viveu no nosso país tem uma frase magnífica que, sintetizada, dizia: “O melhor de mim é aquilo que eu não sei”, ou, no escrito dela, “aquilo que desconheço é minha melhor parte”. Porque aquilo que já sei é mera repetição, mas aquilo que eu não sei é o que me renova, o que me faz crescer. O conhecimento é algo que me reinventa, recria, renova. Por isso, é preciso ter humildade para que possamos aprender a fazer melhor aquilo que fazemos. Para que aquilo que realizamos sirva para a vida em abundância. Você não precisa deixar o lugar em que está para fazer melhor. É fazer melhor onde você está. (CORTELLA, 2014 p.47).


Estamos iniciando os projetos do SI e tenho certeza de que, assim como eu, minhas colegas de grupo estão aproveitando esta oportunidade para reinventarem-se, todas estamos buscando fazer melhor  aquilo que fizemos diariamente: ensinar e aprender. Embora estejamos trabalhando com turmas bem diferentes- a Núbia no primeiro ano, a Ester com o terceiro e eu com o oitavo ano- pude perceber que  as três turmas têm em comum a vontade de aprender,  de viver a experiência  desta nova metodologia que lhes confere autonomia e protagonismo. Cada uma de nós irá enfrentar dificuldades na execução do projeto daqui pra frente, pois contamos com poucos recursos, minha escola, por exemplo, não tem internet, o que dificulta bastante a  ação. As gurias enfrentarão problemas em conduzir o projeto articulando com os conteúdos e com a alfabetização, porque exigirá  muita reflexão ao realizar o planejamento. Mas nossa realidade é esta e é com ela que teremos que lidar, nunca haverá uma ocasião perfeita, ou uma hora melhor. Parafraseando Cortella, este é o nosso lugar de fazer melhor. Vamos à luta!

sábado, 22 de abril de 2017

REFLEXÃO X AÇÃO


O texto de Alarcao, leitura proposta na interdisciplina de SI, apresenta o conceito de ser reflexivo ligado ao aspecto formativo do professor e do aluno. Na construção do blog nos tornamos reflexivos a partir destes dois lugares, enquanto alunos refletimos sobre a natureza do que aprendemos, buscamos comunicar nossa percepção sobre o objeto de aprendizagem de cada interdisciplina ligando as informações e construindo nosso conhecimento através das interações com nossa prática. No lugar de professores, refletimos sobre nossas ações à luz de tudo que nos é disponibilizado: metodologias, textos, vídeos, interações com os colegas nos fóruns, aulas presenciais...
Escrever no blog nos ajuda a avaliar nossa prática e é uma forma de buscar o auto-conhecimento, é um exercício de reflexão, como nos sugere o texto, na nossa ação, sobre nossa ação e para nossa ação enquanto professores e alunos do PEAD.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

PROFISSÃO: PROFESSOR

Esta semana iniciamos a disciplina Psicologia da Vida Adulta e sua proposta também  segue a linha de projetos de aprendizagem, o que é bom, pois assim poderemos exercitar esta prática e consolidá-la como metodologia de trabalho em nossas salas de aula. Nosso grupo de trabalho escolheu investigar as doenças ocupacionais que acometem os docentes, por se tratar de uma realidade com a qual convivemos cotidianamente.
O magistério vem perdendo prestígio ao longo dos anos e, em contrapartida, nunca houve tanta pressão para que o professor se atualize e consiga enfrentar os crescentes desafios da profissão. A atual desestruturação familiar e inversão de valores sociais atingem diretamente as escolas que, a cada ano, assumem mais e mais as obrigações que seriam do âmbito familiar e, até mesmo, do próprio estado. A inclusão de crianças com necessidades especiais nas escolas é outro fator que tem contribuído com o desgaste destes profissionais, pois não há nenhuma iniciativa de orientação adequada para os professores. Associam-se a tudo isto os baixos salários e excesso de carga horária e teremos o cenário propício para o desenvolvimento de doenças ocupacionais, acidentes de trabalho, depressão, síndrome do pânico e outras comorbidades resultantes do desgaste físico, emocional e psicológico dos docentes.

terça-feira, 4 de abril de 2017

NOSSO PRÓPRIO TEMPO

Segunda-feira, três de abril, aula do Seminário Integrador V (inacreditável como o tempo voa), a proposta foi refletir sobre o que constituiu para cada um de nós um entrave ou obstáculo  nos semestres anteriores do PEAD. Na maioria dos grupos surgiu a questão “tempo”, ou melhor, a falta dele. Uma colega alertou para o fato de que esta é uma peculiaridade da profissão de professor que cumpre uma carga horária excessiva e sempre tem uma infinidade de trabalhos extraclasse para realizar.  A falta de tempo para realizar as tarefas cotidianas foi a primeira coisa que me ocorreu também, assim como a maioria das minhas colegas, vivo constantemente correndo atrás de uma quantidade enorme de afazeres e  vou empurrando para amanhã ou depois os compromissos com aqueles que me são mais caros: o cinema com os filhos, o almoço com os pais,  o cafezinho com os amigos...
Todos os dias, abdicamos de pequenos prazeres, mas isto ocorre porque perseguimos um objetivo, queremos nos formar e  este é o nosso foco neste momento de nossas vidas. Esta dinâmica me fez lembrar os textos do semestre passado que abordavam a temática: tempo e espaço.
“Embora o tempo siga seu curso, temos de tomar consciência de que nosso tempo deve ser algo próprio, algo que nos ocorre e em que podemos intervir ativamente, convertendo-o em um tempo vivido e sentido e conscientemente assumido por cada um de nós.” (GÓMEZ, 2004, p.50).

Este tempo que estamos vivendo não é tempo perdido, é um tempo de que nos apropriamos conscientemente, tempo que assumimos para nossa formação, é um tempo vivido intensamente, mas do qual não precisamos nos tornar prisioneiros, com organização, disciplina e pró-atividade haveremos de encontrar um espaço de vida para além das escolas e do PEAD porque, afinal, ninguém é de ferro.

terça-feira, 28 de março de 2017

NOVOS DESAFIOS


Ontem, primeira aula do V eixo com as professoras Rosane e Aline  da disciplina de Projeto Pedagógico em Ação. Novos e grandes desafios para este semestre, trabalhar com projetos de aprendizagem. No eixo quatro vivenciamos como alunas esta experiência e agora precisamos aplicar o que aprendemos e orientar nossos alunos no desenvolvimento de seus projetos. Para mim uma experiência completamente inédita porque, embora já tenha trabalhado com projetos de ensino, nunca conduzi um projeto nestes moldes onde o professor não tem ideia dos temas de interesse que irão surgir e o rumo que as aulas irão tomar. O fato de termos  cinco metas a perseguir foi importante para dar um norte ao trabalho, mas a sensação de não estar totalmente no controle é bastante inquietante. Em contrapartida, surge uma curiosidade boa , uma vontade de iniciar logo e descobrir quais os interesses destes pequenos e  o  potencial de cada um na busca de conhecimento. Antes de tudo, porém muita leitura para nos apropriarmos  de conceitos que serão de grande utilidade nesta caminhada.