quarta-feira, 26 de abril de 2017

HORA CERTA, LUGAR CERTO

[...] Clarice Lispector, escritora ucraniana que viveu no nosso país tem uma frase magnífica que, sintetizada, dizia: “O melhor de mim é aquilo que eu não sei”, ou, no escrito dela, “aquilo que desconheço é minha melhor parte”. Porque aquilo que já sei é mera repetição, mas aquilo que eu não sei é o que me renova, o que me faz crescer. O conhecimento é algo que me reinventa, recria, renova. Por isso, é preciso ter humildade para que possamos aprender a fazer melhor aquilo que fazemos. Para que aquilo que realizamos sirva para a vida em abundância. Você não precisa deixar o lugar em que está para fazer melhor. É fazer melhor onde você está. (CORTELLA, 2014 p.47).


Estamos iniciando os projetos do SI e tenho certeza de que, assim como eu, minhas colegas de grupo estão aproveitando esta oportunidade para reinventarem-se, todas estamos buscando fazer melhor  aquilo que fizemos diariamente: ensinar e aprender. Embora estejamos trabalhando com turmas bem diferentes- a Núbia no primeiro ano, a Ester com o terceiro e eu com o oitavo ano- pude perceber que  as três turmas têm em comum a vontade de aprender,  de viver a experiência  desta nova metodologia que lhes confere autonomia e protagonismo. Cada uma de nós irá enfrentar dificuldades na execução do projeto daqui pra frente, pois contamos com poucos recursos, minha escola, por exemplo, não tem internet, o que dificulta bastante a  ação. As gurias enfrentarão problemas em conduzir o projeto articulando com os conteúdos e com a alfabetização, porque exigirá  muita reflexão ao realizar o planejamento. Mas nossa realidade é esta e é com ela que teremos que lidar, nunca haverá uma ocasião perfeita, ou uma hora melhor. Parafraseando Cortella, este é o nosso lugar de fazer melhor. Vamos à luta!

sábado, 22 de abril de 2017

REFLEXÃO X AÇÃO


O texto de Alarcao, leitura proposta na interdisciplina de SI, apresenta o conceito de ser reflexivo ligado ao aspecto formativo do professor e do aluno. Na construção do blog nos tornamos reflexivos a partir destes dois lugares, enquanto alunos refletimos sobre a natureza do que aprendemos, buscamos comunicar nossa percepção sobre o objeto de aprendizagem de cada interdisciplina ligando as informações e construindo nosso conhecimento através das interações com nossa prática. No lugar de professores, refletimos sobre nossas ações à luz de tudo que nos é disponibilizado: metodologias, textos, vídeos, interações com os colegas nos fóruns, aulas presenciais...
Escrever no blog nos ajuda a avaliar nossa prática e é uma forma de buscar o auto-conhecimento, é um exercício de reflexão, como nos sugere o texto, na nossa ação, sobre nossa ação e para nossa ação enquanto professores e alunos do PEAD.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

PROFISSÃO: PROFESSOR

Esta semana iniciamos a disciplina Psicologia da Vida Adulta e sua proposta também  segue a linha de projetos de aprendizagem, o que é bom, pois assim poderemos exercitar esta prática e consolidá-la como metodologia de trabalho em nossas salas de aula. Nosso grupo de trabalho escolheu investigar as doenças ocupacionais que acometem os docentes, por se tratar de uma realidade com a qual convivemos cotidianamente.
O magistério vem perdendo prestígio ao longo dos anos e, em contrapartida, nunca houve tanta pressão para que o professor se atualize e consiga enfrentar os crescentes desafios da profissão. A atual desestruturação familiar e inversão de valores sociais atingem diretamente as escolas que, a cada ano, assumem mais e mais as obrigações que seriam do âmbito familiar e, até mesmo, do próprio estado. A inclusão de crianças com necessidades especiais nas escolas é outro fator que tem contribuído com o desgaste destes profissionais, pois não há nenhuma iniciativa de orientação adequada para os professores. Associam-se a tudo isto os baixos salários e excesso de carga horária e teremos o cenário propício para o desenvolvimento de doenças ocupacionais, acidentes de trabalho, depressão, síndrome do pânico e outras comorbidades resultantes do desgaste físico, emocional e psicológico dos docentes.

terça-feira, 4 de abril de 2017

NOSSO PRÓPRIO TEMPO

Segunda-feira, três de abril, aula do Seminário Integrador V (inacreditável como o tempo voa), a proposta foi refletir sobre o que constituiu para cada um de nós um entrave ou obstáculo  nos semestres anteriores do PEAD. Na maioria dos grupos surgiu a questão “tempo”, ou melhor, a falta dele. Uma colega alertou para o fato de que esta é uma peculiaridade da profissão de professor que cumpre uma carga horária excessiva e sempre tem uma infinidade de trabalhos extraclasse para realizar.  A falta de tempo para realizar as tarefas cotidianas foi a primeira coisa que me ocorreu também, assim como a maioria das minhas colegas, vivo constantemente correndo atrás de uma quantidade enorme de afazeres e  vou empurrando para amanhã ou depois os compromissos com aqueles que me são mais caros: o cinema com os filhos, o almoço com os pais,  o cafezinho com os amigos...
Todos os dias, abdicamos de pequenos prazeres, mas isto ocorre porque perseguimos um objetivo, queremos nos formar e  este é o nosso foco neste momento de nossas vidas. Esta dinâmica me fez lembrar os textos do semestre passado que abordavam a temática: tempo e espaço.
“Embora o tempo siga seu curso, temos de tomar consciência de que nosso tempo deve ser algo próprio, algo que nos ocorre e em que podemos intervir ativamente, convertendo-o em um tempo vivido e sentido e conscientemente assumido por cada um de nós.” (GÓMEZ, 2004, p.50).

Este tempo que estamos vivendo não é tempo perdido, é um tempo de que nos apropriamos conscientemente, tempo que assumimos para nossa formação, é um tempo vivido intensamente, mas do qual não precisamos nos tornar prisioneiros, com organização, disciplina e pró-atividade haveremos de encontrar um espaço de vida para além das escolas e do PEAD porque, afinal, ninguém é de ferro.