Estudamos a história para entender o percurso da humanidade
através do tempo, investigando o que os homens produziram, pensaram e
expressaram enquanto seres sociais. Desta forma o conhecimento histórico
possibilita a compreensão do homem enquanto constrói seu tempo. Analogamente,
quando pesquisamos a escola tentamos compreender como os atores envolvidos na
comunidade escolar interagem e reproduzem sua cultura. Nesta busca nos valemos
de fontes escritas, orais e iconográficas para compreendermos as condições de
existência de uma determinada comunidade.
Quando nascemos nosso
primeiro contato é com a família, da qual recebemos, além dos cuidados físicos
e afetivos, crenças, valores e atitudes que influenciarão nosso desenvolvimento
psicossocial. Num segundo momento entraremos em contato com a escola, na qual
nossas referências de comportamento familiar sofrerão interferência e aonde
iremos nos deparar com uma variedade de outras culturas. Desta forma, enquanto
seres particulares e sociais nos desenvolvemos em um contexto multicultural, em
que temos regras, padrões, crenças, valores, identidades muito diferenciadas.
Assim, a cultura torna-se um processo de “intercâmbio” entre indivíduos. A
cultura, não é algo isolado, mas um conjunto de comportamentos aprendidos que se refere ao modo de vida total de um
grupo humano, compreendendo seus elementos naturais, não naturais e ideológicos.
Segundo Ramos (2003, p. 265), “as culturas penetram o indivíduo [...] da mesma
forma que as instituições sociais determinam estruturas psicológicas [...] o
homem pensa e age dentro do seu ciclo de cultura”. Portanto, pesquisar a escola
é tentar compreender a complexidade das relações e das condições de existência
dos indivíduos que compõem a comunidade escolar.