segunda-feira, 12 de junho de 2017

O PODER DA PUNIÇÃO

Esta semana estava lendo uma reportagem sobre os privilégios dos juízes e não pude deixar de fazer comparações com os professores. Os juízes assim como os professores gozam de dois meses de férias, porém, ao contrário dos professores, não são questionados por isso e nem por receberem 50% de adicional de férias. Outro ponto de convergência entre as duas profissões são os chamados "pendurucalhos" na composição do salário de ambos, com um pequeno detalhe, enquanto mesmo com os pendurucalhos o salário dos professores continua sendo miserável; o salário dos juízes que chega a R$ 33 mil reais é acrescido de pendurucalhos bem polpudos, como por exemplo: auxílio moradia em torno de R$ 4000, mesmo que possuam casa própria, auxílio creche, auxílio alimentação, auxílio saúde, auxílio formação, auxílio para compra de livros ( em torno de R$ 3000) e outros auxílios que podem elevar os rendimentos de um ministro do STF a R$ 350.000. 
Não é possível ler os textos propostos na interdisciplina de Organização do Ensino Fundamental referente à importância do projeto político pedagógico das escolas para uma educação pública de qualidade e ler sobre esta discrepância nos salários dos juízes e não estabelecer comparações ou medir forças. Como é possível mudar este país através da educação, se os professores estão cada vez mais desvalorizados, empobrecidos e impossibilitados de aperfeiçoar sua formação. Enquanto um juiz recebe R$ 3000  para comprar livros, o professor está totalmente excluído do acesso à cultura. Como o professor pode formar cidadãos críticos, capazes de transformar sua realidade, se sua profissão lhe confere tão pouco para viver com dignidade. 
Se compararmos a situação do judiciário com países como a Suécia onde os juízes recebem salários que variam entre 50 a 100 mil coroas suecas- o equivalente a R$ 16,5 mil a R$ 33mil, respectivamente, para viver em um país que tem um dos mais altos impostos do mundo e um dos custos de vida mais elevados do planeta teremos uma ideia do quanto nossos juízes estão advogando em causa própria votando seus próprios aumentos. Os juízes suecos não recebem nem um tipo de auxílio Göran Lambertz, juiz do Supremo Tribunal da Suécia, alerta:

 "O judiciário de um país deve ter o respeito inabalável de seus cidadãos, porque uma das consequências da perda de respeito do cidadão pelos juízes, é que as pessoas acabam perdendo o respeito pela lei, Luxo pago com o dinheiro do contribuinte é imoral e  antiético"

O que se pode dizer de uma sociedade que privilegia a este ponto e com imensa tolerância o poder  judiciário, uma sociedade onde a mão que pude tem mais valor que a mão que educa. 
  



domingo, 4 de junho de 2017

GESTÃO DEMOCRÁTICA

                              
A gestão democrática nas escolas ainda está dando seus primeiros passos. Em muitas escolas podemos observar o ranço do autoritarismo e uma forma centralizada de exercer o poder. Ainda que eleitos de forma democrática, muitos diretores, talvez por uma hierarquia histórica, assumem uma posição de dominação tomando, sozinhos, decisões relevantes que afetam toda comunidade escolar.
  A escola deve ser o embrião da cidadania por isso é preciso administrá-la de forma democrática assegurando assim que as crianças aprendam desde cedo a importância da autonomia e da participação nas decisões que as afetam e à comunidade em que vivem.
           A LDB dispõe que:
Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas de gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
 I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto político-pedagógico da escola;
 II – participação das comunidades escolar e local em Conselhos Escolares ou equivalentes.
                 
A gestão democrática nas escolas é um processo que se concretiza quando pais, alunos e professores participam da administração da escola através da elaboração e acompanhamento do seu Projeto Político Pedagógico e da efetiva atuação nos conselhos escolares assumindo responsabilidades e participando com  igualdade na tomada de decisões. Este compartilhamento na administração da escola evita muitos conflitos, pois todos os atores da comunidade escolar passam a ter voz e a compartilharem de um interesse comum, a qualificação da escola pública. Nas palavras de Paulo Freire:                            
 “Tudo o que a gente puder fazer no sentido de convocar os que vivem em torno da escola, e dentro da escola, no sentido de participarem, de tomarem um pouco o destino da escola na mão, também. Tudo o que a gente puder fazer nesse sentido é pouco ainda, considerando o trabalho imenso que se põe diante de nós que é o de assumir esse país democraticamente.”                           

A escola deve ter um compromisso cotidiano com a gestão democrática visando efetivar sua função de formadora de cidadãos com habilidades de pensar criticamente, questionar e intervir na realidade.