A história da América Latina é marcada pelo genocídio e pela
negação do outro – seja no plano das representações ou no imaginário social. Embora
a sociedade brasileira seja produto da miscigenação de diversas raças, não
ficamos isentos ao racismo, à discriminação e à exclusão social. O papel que o
sistema educacional exerce para a manutenção da desigualdade pode ser analisado
com mais clareza a partir da disparidade existente entre educação pública e
privada. A escola pública é constantemente acusada de desprezar os saberes das
classes populares e forçar o ensino de uma cultura comum. Entretanto é preciso
lembrar que existe um currículo comum às escolas públicas e privadas, que se
baseia nos conhecimentos e valores da cultura ocidental, em detrimento de
outras culturas e, inclusive, da nossa própria história. Segundo Perez Gomez (1993):
“A escola deveria ser
concebida como um espaço de cruzamento de culturas e exercer uma função de
mediação reflexiva daquelas influências plurais que as diferentes culturas exercem
de forma permanente sobre as novas gerações (p. 80)”
Portanto, é
preciso rever urgentemente estes currículos se desejamos uma educação
multicultural e uma sociedade mais justa e inclusiva.
Outro ponto
importante é a situação da escola pública no Brasil que, sujeita às políticas
neoliberais, está em processo de sucateamento. O ensino é basicamente teórico porque
não existe laboratórios, instrumentos, computadores ou qualquer tecnologia que
possibilite um ensino de qualidade. Desta forma, não permite a redução da
distância entre a escola pública e a privada e diminui as oportunidades de ascensão
social às classes mais desfavorecidas. Segundo FREIRE (1973), a Educação pode dirigir-se a dois caminhos: para
contribuir para o processo de emancipação humana, ou para domesticar e ensinar
a ser passivo diante da realidade que está posta.