domingo, 23 de junho de 2019

ESCOLAS DEMOCRÁTICAS DA INTENÇÃO À AÇÃO

Quando iniciamos o eixo VII do PEAD, na aula presencial do Seminário Integrador fomos convidados a refletir sobre o curta “Escolas Democráticas”. A semelhança com a realidade das nossas escolas não é, certamente, uma coincidência, e sim uma crítica a um sistema educacional que não contempla as especificidades de um alunado que é produto da terceira revolução industrial, onde os meios de comunicação estão instrumentalizados pela informática e pela internet.
A partir de meados do século XX, quando termina a Segunda Guerra Mundial, a eletrônica aparece no centro da modernização industrial. É nesse momento que começam a surgir os primeiros produtos eletrônicos, computadores, televisões, satélites e robôs. Para esse período, os historiadores dão o nome de Terceira Revolução Industrial ou Revolução Informacional. Até hoje, vivemos esse processo de transformação do mundo a partir da informática e da eletrônica.  As inovações tecnológicas nas telecomunicações refletiram e refletem significativamente na vida das pessoas. Atualmente, a facilidade de acesso à televisão, ao telefone, à internet e aos celulares possibilita o acesso rápido e fácil às informações, as notícias podem ser dadas em tempo real, as antigas correspondências deram lugar às mensagens eletrônicas instantâneas. Nesta perspectiva, o mercado de trabalho passa a exigir dos indivíduos novas competências como: autonomia, flexibilidade, criatividade e liderança, entre outras.
Em contrapartida, nossas escolas trazem, ainda, muitas marcas de um modelo educacional centrado na figura do professor e dependente de uma organização rígida de tempo e espaço para que possa dar conta de um grande número de alunos por turma em salas pequenas e sem nenhuma infra-estrutura ou tecnologia. A educação bancária ainda predomina nas práticas educacionais brasileiras. Segundo Freire (1996), Na visão “bancária” da educação, o “saber” é uma doação dos que se julgam sábios aos que julgam nada saber. Doação que se funda numa das manifestações instrumentais da ideologia da opressão, a absolutização da ignorância, que constitui o que chamamos de alienação da ignorância, segundo a qual esta se encontra sempre no outro. Por isso, não é difícil entender o porquê das permanências na organização do tempo, nas metodologias e nas relações que se estabelecem entre os atores da escola pública no Brasil.
Assim se estabelece uma dicotomia, por um lado necessitamos formar cidadãos pensantes, críticos e capazes de responder às novas exigências do capital, por outro lado as políticas públicas para a educação mantém as escolas no século passado, vitimadas pelo descaso dos governantes deste país, que com o discurso velho e amarrotado da falta de verba  justificam o sucateamento das escolas e inviabilizam a qualificação do ensino. Sobre o professor recai, então, toda responsabilidade pelas mudanças na educação, a sociedade quer uma revolução na escola, mas armam os professores com giz e mimeógrafo.
É preciso se ter consciência que a verdadeira revolução na educação passa pela participação de toda sociedade, se a comunidade não conhece a realidade da escola, se não participa das decisões, também não se sente responsável por reivindicar e por cobrar providências dos órgãos públicos. A escola pública precisa de investimento em tecnologia, em material didático atrativo, em espaços físicos adequados e em recursos humanos capacitados e dignamente remunerados. Em relação ao sujeito professor podemos dizer que ele precisa ser dialógico, crítico e reflexivo. Ter consciência das intencionalidades que presidem sua prática. Sintetizando com a afirmativa de Imbert (2003, p. 27): “o movimento em direção ao saber e à consciência do formador não é outro senão o movimento de apropriação de si mesmo”.
O que ainda sustentava a educação era a vontade dos professores, mas nossa classe esta cada vez mais sendo contaminada pela falta de perspectiva e de esperança. Entretanto, ainda encontramos professores que realizam um milagre por dia na tentativa de fazer a diferença nas comunidades em que trabalham e na vida de seus alunos. São estes profissionais que me inspiram e que alimentam minha fé nas mudanças.

REFERÊNCIAS

FREIRE, Paulo. Ação cultural para a liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.
FREIRE, Paulo. Conscientização. São Paulo: Cortez, 1983.
IMBERT, Francis. Para uma práxis pedagógica. Brasília, DF: Plano, 2003.

Nenhum comentário:

Postar um comentário