A partir de meados do século XX, quando termina a Segunda
Guerra Mundial, a eletrônica aparece no centro da modernização industrial. É
nesse momento que começam a surgir os primeiros produtos eletrônicos,
computadores, televisões, satélites e robôs. Para esse período, os
historiadores dão o nome de Terceira Revolução Industrial ou Revolução
Informacional. Até hoje, vivemos esse processo de transformação do mundo a
partir da informática e da eletrônica. As
inovações tecnológicas nas telecomunicações refletiram
e refletem significativamente na vida das pessoas. Atualmente, a facilidade de
acesso à televisão, ao telefone, à internet e aos celulares possibilita o
acesso rápido e fácil às informações, as notícias podem ser dadas em tempo
real, as antigas correspondências deram lugar às mensagens eletrônicas
instantâneas. Nesta perspectiva, o mercado de trabalho passa a exigir dos
indivíduos novas competências como: autonomia, flexibilidade, criatividade e
liderança, entre outras.
Em contrapartida, nossas escolas trazem, ainda, muitas
marcas de um modelo educacional centrado na figura do professor e dependente de
uma organização rígida de tempo e espaço para que possa dar conta de um grande
número de alunos por turma em salas pequenas e sem nenhuma infra-estrutura ou
tecnologia. A educação bancária ainda predomina nas práticas educacionais
brasileiras. Segundo Freire (1996), Na visão “bancária” da educação, o “saber”
é uma doação dos que se julgam sábios aos que julgam nada saber. Doação que se
funda numa das manifestações instrumentais da ideologia da opressão, a
absolutização da ignorância, que constitui o que chamamos de alienação da
ignorância, segundo a qual esta se encontra sempre no outro. Por isso, não é
difícil entender o porquê das permanências na organização do tempo, nas
metodologias e nas relações que se estabelecem entre os atores da escola
pública no Brasil.
Assim se estabelece uma dicotomia, por um lado necessitamos
formar cidadãos pensantes, críticos e capazes de responder às novas exigências
do capital, por outro lado as políticas públicas para a educação mantém as
escolas no século passado, vitimadas pelo descaso dos governantes deste país, que
com o discurso velho e amarrotado da falta de verba justificam o sucateamento das escolas e
inviabilizam a qualificação do ensino. Sobre o professor recai, então, toda
responsabilidade pelas mudanças na educação, a sociedade quer uma revolução na
escola, mas armam os professores com giz e mimeógrafo.
É preciso se ter consciência que a verdadeira revolução na
educação passa pela participação de toda sociedade, se a comunidade não conhece
a realidade da escola, se não participa das decisões, também não se sente
responsável por reivindicar e por cobrar providências dos órgãos públicos. A
escola pública precisa de investimento em tecnologia, em material didático
atrativo, em espaços físicos adequados e em recursos humanos capacitados e
dignamente remunerados. Em relação ao sujeito professor podemos dizer que ele
precisa ser dialógico, crítico e reflexivo. Ter consciência das
intencionalidades que presidem sua prática. Sintetizando com a afirmativa de
Imbert (2003, p. 27): “o movimento em direção ao saber e à consciência do
formador não é outro senão o movimento de apropriação de si mesmo”.
O que ainda sustentava a educação era a vontade dos
professores, mas nossa classe esta cada vez mais sendo contaminada pela falta
de perspectiva e de esperança. Entretanto, ainda encontramos professores que
realizam um milagre por dia na tentativa de fazer a diferença nas comunidades
em que trabalham e na vida de seus alunos. São estes profissionais que me
inspiram e que alimentam minha fé nas mudanças.
REFERÊNCIAS
FREIRE, Paulo. Ação cultural para a
liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.
FREIRE, Paulo. Conscientização. São
Paulo: Cortez, 1983.
IMBERT, Francis. Para uma práxis
pedagógica. Brasília, DF: Plano, 2003.
Nenhum comentário:
Postar um comentário