sexta-feira, 8 de setembro de 2017

PÚBLICO X PRIVADO

A história da América Latina é marcada pelo genocídio e pela negação do outro – seja no plano das representações ou no imaginário social. Embora a sociedade brasileira seja produto da miscigenação de diversas raças, não ficamos isentos ao racismo, à discriminação e à exclusão social. O papel que o sistema educacional exerce para a manutenção da desigualdade pode ser analisado com mais clareza a partir da disparidade existente entre educação pública e privada. A escola pública é constantemente acusada de desprezar os saberes das classes populares e forçar o ensino de uma cultura comum. Entretanto é preciso lembrar que existe um currículo comum às escolas públicas e privadas, que se baseia nos conhecimentos e valores da cultura ocidental, em detrimento de outras culturas e, inclusive, da nossa própria história. Segundo Perez Gomez (1993):
“A escola deveria ser concebida como um espaço de cruzamento de culturas e exercer uma função de mediação reflexiva daquelas influências plurais que as diferentes culturas exercem de forma permanente sobre as novas gerações (p. 80)”
Portanto, é preciso rever urgentemente estes currículos se desejamos uma educação multicultural e uma sociedade mais justa e inclusiva.
Outro ponto importante é a situação da escola pública no Brasil que, sujeita às políticas neoliberais, está em processo de sucateamento. O ensino é basicamente teórico porque não existe laboratórios, instrumentos, computadores ou qualquer tecnologia que possibilite um ensino de qualidade. Desta forma, não permite a redução da distância entre a escola pública e a privada e diminui as oportunidades de ascensão social às classes mais desfavorecidas. Segundo FREIRE (1973), a Educação pode dirigir-se a dois caminhos: para contribuir para o processo de emancipação humana, ou para domesticar e ensinar a ser passivo diante da realidade que está posta. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário