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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

LUTANDO COM CROCODILOS

 A autora Ligia Amaral utiliza uma metáfora ao se referir aos mitos, preconceitos e barreiras atitudinais que desenvolvemos ao entrarmos em contato com as pessoas com deficiência: crocodilos e avestruzes.
Os Crocodilos  são revestidos das seguintes situações: Generalização Indevida ; Correlação Linear; Ideologia da Força de Vontade ; Culpabilização da Vitima; e Contagio Osmótico.
Todos os dias, como educadores, nós precisamos combater os “crocodilos” dos quais nos cercamos para nos mantermos em uma zona de conforto. Penso que todos estes crocodilos são resultado de uma convivência escassa com pessoas com deficiência na nossa vida escolar. Diariamente convivemos com o diferente, passamos nossa vida nos comparando e comparando aqueles com quem convivemos a um padrão de normalidade, mas a inclusão de pessoas com deficiência no ambiente escolar é algo recente e uma experiência que constituiu, até a implantação da lei, uma exceção. De acordo com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência:
“Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas”. (2007, p.2)
 Hoje, enquanto professores, nós estamos lutando para combater nossos preconceitos e superar as barreiras que construímos ao longo de toda nossa formação. No cotidiano escolar observo a dificuldade que os profissionais da educação têm em desvincular deficiência e incapacidade, incorrendo numa generalização, numa homogenização das deficiências. Desta forma, não se recebe um deficiente, recebe-se um incapaz, a condição é colocada a priori.
 O desafio que se impõe a escola é modificar o olhar, é encontrar meios de explorar as possibilidades dos alunos. As deficiências, incapacidades e limitações devem ser reconhecidas, mas não devem se tornar um entrave ao processo de ensino.
“Vale sempre enfatizar que a inclusão de indivíduos com necessidades educacionais especiais na rede regular de ensino não considera apenas a sua permanência junto aos demais alunos, nem na negação dos serviços especializados àqueles que deles necessitam. Ao contrário, implica uma reorganização do sistema educacional, o que acarreta a revisão de antigas concepções e paradigmas educacionais na busca de se possibilitar o desenvolvimento cognitivo, cultural e social desses alunos, respeitando suas diferenças e atendendo às suas necessidades”. (Glat e Nogueira, 2002, p.26)

A função da escola inclusiva é tornar-se um espaço de aprendizagem, de interação e de respeito às especificidades de cada um, concebendo as diferenças individuais como uma singularidade e não como um empecilho. Guenther conceitua escola de orientação inclusiva como:
“Aquela em que todos e cada um dos alunos têm o seu lugar na sala de aula, integra-se à convivência com pares etários diversificados, sendo aceito como um indivíduo, do modo como é, sem ser preciso apresentar uma característica predeterminada que venha a definir a qual agrupamento ele deveria pertencer.” (2003 p.46)

Precisamos atentar para o fato de que a inclusão não beneficia apenas os alunos com deficiência, no que se refere à construção de valores, uma escola inclusiva ensina, a todos: solidariedade, comprometimento com o próximo, respeito à diversidade e ética.