As entrevistas que realizamos com
alunos da EJA evidenciaram que suas histórias estão retratadas nas leituras que
realizamos este semestre ou nos vídeos que assistimos sobre a Educação de
Jovens e Adultos. Estas entrevistas nos aproximaram de uma realidade social de
descaso e abandono. A história da EJA no Brasil é permeada por avanços e
retrocessos tanto no âmbito das políticas públicas quanto nos modelos
pedagógicos pensados para este público. Neste sentido, os desafios para a EJA
passam por garantias legais de financiamento para esta modalidade de ensino,
bem como por práticas pedagógicas adequadas às necessidades de aprendizagens
destes jovens e adultos para que possam se cumprir aquelas funções inerentes à
EJA: reparadora, equalizadora e qualificadora.
No Brasil, a negligência histórica
com a educação escolar dos negros, índios e trabalhadores braçais resultou nos
atuais índices de analfabetismo e numa desigualdade social que precisa ser
reparada através de uma escola de qualidade para aqueles que não tiveram acesso
a ela ou que não concluíram seus estudos idade certa lhes devolvendo a
possibilidade de exercerem plenamente sua cidadania. A escola democrática, que
tem como princípios a igualdade e liberdade, é um direito de todos, sendo dever
do Estado estabelecer e fazer cumprir políticas públicas capazes de garantir o
acesso e permanência na escola destes jovens e adultos a fim de que se
conquiste uma maior igualdade social. Entretanto o que se percebe é o avanço
das políticas neoliberais aliadas à crescente falta de compromisso do governo
com a educação pondo em risco o futuro da EJA e desafiando-nos a lutar pela
manutenção desta modalidade de ensino nas escolas públicas.
Em relação à metodologia de ensino, é
preciso qualificar os professores da EJA para que adotem práticas pedagógicas
que respeitem as especificidades deste público que, embora tenha defasagem no
conhecimento acadêmico, traz consigo uma bagagem cultural. O aluno da EJA tem
conhecimentos adquiridos no mundo, bem como, competências e habilidades que não
podem ser ignoradas pelo currículo escolar sob pena de reproduzirem as mesmas
práticas excludentes da escola regular.
No que se refere à função
equalizadora e qualificadora, o desafio da EJA é ter como foco a educação
continuada, ou seja, ensinar autonomia para que o aluno seja capaz de gerenciar
sua aprendizagem e transcender os espaços formais da escola na busca de
qualificação e realização pessoal.
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