O texto de Regina Hara, indicado na
disciplina de Educação de Jovens e Adultos no Brasil, nos oferece um panorama
dos desafios enfrentados pelos programas de alfabetização de adultos no Brasil.
Além das dificuldades em ensinar pessoas que chegam à vida adulta sem terem
acesso à escolarização e de manter a sua motivação para que concluam os estudos,
os programas de alfabetização esbarram nas dificuldades de cunho social, na
falta de financiamento e no despreparo dos professores, o que compromete os
resultados obtidos e inviabiliza garantir uma educação de qualidade. A autora
relata uma experiência em que foi utilizada uma metodologia que reunia tanto as
concepções de educação de Paulo Freire quanto à psicogênese da língua escrita
de Emilia Ferreiro na intencionalidade de alfabetizar adultos de um curso
supletivo em 1987. Considerando-se que o pensamento de Emília Ferreiro e de Paulo Freire convergem em
vários pontos- como na necessidade de se utilizar uma linguagem significativa na
alfabetização e no empoderamento do aluno enquanto sujeito da própria
aprendizagem- podemos dizer que esta metodologia tem um potencial grande de
sucesso, como de fato ocorreu neste curso, segundo a autora.
Além do texto pudemos acompanhar
outras experiências na alfabetização de adultos em que fica evidente a
importância de se valorizar os conhecimentos trazidos pelos alunos a respeito
da leitura e da escrita, bem como de entender suas concepções de mundo.
Percebemos que cada aluno tem uma
motivação para avançar nas suas conquistas e que depende do professor valorizar
e dar visibilidade aos avanços pessoais e do grupo nos processos de aprendizagem.
Em cada relato identificamos a vergonha, a impotência e o sentimento de
incapacidade que resultam do analfabetismo.
A Declaração de Hamburgo sobre a
Educação de Adultos, resultado da V Conferência Internacional para a Educação
de Adultos (CONFINTEA) enfatiza que:
A educação de adultos
torna-se mais que um direito: é a chave para o século XXI; é tanto conseqüência
do exercício da cidadania como uma plena participação na sociedade. Além do
mais, é um poderoso argumento em favor do desenvolvimento ecológico
sustentável, da democracia, da justiça, da igualdade entre os sexos, do
desenvolvimento socioeconômico e científico, além de um requisito fundamental
para a construção de um mundo onde a violência cede lugar ao diálogo e à
cultura de paz baseada na justiça (UNESCO, 1997, p.1).