Para atividade
da disciplina de Educação de Jovens e Adultos entrevistei dois alunos da turma
T4 da escola em que leciono à noite. Foram duas histórias de vida bem
diferentes, mas ambas culminando no abandono dos estudos. Embora estas
situações tenham ocorrido a 20 ou 30 anos atrás e a legislação brasileira tenha
evoluído no sentido de incluir um maior número de crianças na escola,
infelizmente esta realidade é recorrente. Se assim não fosse, a EJA estaria com
seus dias contados, pois não seria alimentada por novos alunos que a cada dia
trilham este mesmo caminho, empurrados por uma sociedade que não os protege e
que não fornece condições para que eles ingressem na escola e lá permaneçam com
a exclusiva preocupação de aprender e concluir os estudos. Concentrar-se apenas
em estudar não é a realidade para a grande maioria das crianças brasileiras,
que desde muito pequenas têm outras demandas, precisam conviver com a violência,
com a pobreza e com o abandono. Estudar para elas não é prioridade porque não
vislumbram um futuro, ou melhor, uma utilidade no presente, no seu cotidiano.