Para a disciplina
de didática realizamos um projeto com nossa turma, a partir de um livro didático.
Escolhi um livro da coleção do “Mundinho” de Ingrid Biesemeyer Bellinghausen. O
livro chamado “As Brincadeiras do Mundinho” que resgata as brincadeiras de roda, as
cantigas e outras brincadeiras muito comuns na minha infância, como: passar
anel, mímica, Cinco Marias, brincadeiras de roda onde tínhamos que pagar uma “prenda”
(no caso declamar um verso). Kishimoto (1997) descreve as brincadeiras
tradicionais infantis como folclóricas, uma parte da cultura popular, e esta
cultura vem sofrendo algumas mudanças devido às transformações sociais e
tecnológicas, sendo que a escola está incluída nessas transformações.
Após a leitura do livro e da conversa na rodinha
para saber quais as brincadeiras que as crianças já conheciam e já brincavam,
propus uma brincadeira de roda “Ciranda-Cirandinha”. Quando a canção termina
uma criança deve entrar na roda e declamar um verso, fiquei espantada ao
perceber que as crianças não conhecem versos. Refletindo sobre isto me lembrei
de um texto que li aqui no PEAD em que o autor dizia que antigamente a educação
familiar era mais construtivista, as crianças passavam mais tempo com os
adultos e aprendiam com os pais e avós. Quando eu era criança minha avó materna
e minha bisavó costumavam me ensinar muitos destes versos, lembro que eu
adorava e ainda hoje lembro de vários. Conforme Vygotsky, o desenvolvimento
cognitivo se dá pelo processo de internalização da interação social com materiais
fornecidos pela cultura. Hoje em
dia, com os pais e até os avós trabalhando a troca de saberes dentro da família
ficou prejudicada. Atualmente as crianças ficam mais na companhia da televisão e do computador e acabam sendo privados
da presença dos adultos reduzindo a qualidade das trocas e até prejudicando o seu desenvolvimento cognitivo e sua socialização.