Segundo Rays, a avaliação é um instrumento
de desenvolvimento e diagnóstico do processo de ensino-aprendizagem com vistas
a sua melhoria, por isso deve ser formativa e não classificatória. Afinal, uma
avaliação classificatória é seletiva e não favorece o trabalho pedagógico do
erro, enquanto avaliação formativa é parte integrante do processo de ensino e
seu valor pedagógico reside no fato de favorecer a aprendizagem do aluno.
Refletindo sobre o texto da Rays,
concluí que muitas mudanças na escola e na universidade se fazem necessárias
para que se abandone de vez a avaliação classificatória. Na escola, por
exemplo, nos deparamos com duas realidades diversas em um mesmo ambiente: as
séries iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) e as séries finais do
ensino fundamental e o ensino médio também. Percebemos que nas séries iniciais
o professor trabalha com uma turma por turno e tem total condição de conhecer
seu aluno, de avaliá-lo durante o processo de aprendizagem e trabalhar a partir
do erro para que o aluno avance no seu processo de aprendizagem e na construção
dos seus conhecimentos. Entretanto, nas séries finais do ensino fundamental e
no ensino médio nos deparamos com uma realidade bem diferente, pois os
professores trabalham com diversas turmas, com um número absurdo de alunos e um
tempo limitado a uma média de três a quatro períodos de quarenta e cinco minutos
cada por semana. Por isso, as provas geralmente são objetivas e a avaliação
classificatória. Muitas vezes, o professor só vai conhecer o aluno no final do
ano letivo, o que inviabiliza qualquer possibilidade de avaliação formativa.
Agora voltando nosso foco para as universidades,
principalmente nas disciplinas de exatas, encontramos a mesma situação: professores
dando aula em auditórios para turmas de sessenta ou mais alunos. E esta
situação é comum mesmo nas turmas de Licenciatura, nas quais o discurso das
aulas de didática não se concretiza na prática, por isso constantemente me
questiono acerca deste descompasso. Por certo, é função da Universidade e dos
cursos de Licenciatura apresentarem as teorias produzidas na área da educação,
mas também é preciso preparar o professor para enfrentar a realidade. Desta
forma se abriria espaço para discussão e para produção de propostas viáveis já
na academia, a qual seria o espaço de experimentação para que se fuja da máxima:
“faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.