Lendo o texto de Rays, aprendemos
que o planejamento do trabalho docente deve ter como referência inicial a realidade
sociocultural do educando e que um planejamento eficaz depende do conhecimento
que o educador tem da história e das inquietações do aluno. Compreendemos,
ainda, que é indispensável a um bom
planejamento que o professor seja capaz de desvendar as características de
aprendizagem individual e do grupo, considerando as especificidades do conteúdo
e estabelecendo relações com a realidade social. O planejamento deve levar em
consideração o momento histórico-cultural contextualizando-o para que os
conteúdos sejam significativos e a apropriação do conhecimento se dê de forma
crítica e consciente contribuindo para a ocorrência de transformações
socioculturais.
Entretanto, o que acontece nas nossas
escolas, em termos de planejamento, é bem diverso deste discurso. O
planejamento, em geral, ocorre antes do início do ano letivo e é mais focado
nos conteúdos que devem ser trabalhados do que na realidade dos alunos e nos
seus interesses (até porque ainda não se conhece os alunos ou a turma). Na
prática, os professores trabalham uma lista de conteúdos de sua disciplina e
sem fazer conexões com a realidade atual. Isto se deve a desatualização e a
crescente alienação dos professores causada pelo empobrecimento da classe e
consequente redução do acesso a cultura. O “planejamento” acaba sendo resultado
da cópia dos planos de estudo dos anos anteriores.
Os professores organizam suas aulas
de forma individual, não há a participação do educando neste processo, nem a
articulação com outras disciplinas, além disto, os recursos pedagógicos
empregados são escassos. Todos estes fatores conjugados desfavorecem uma
assimilação crítica do saber e não preparam o educando para autonomia. Como nos
ensina Paulo Freire:
Quando saio de casa não tenho dúvida nenhuma de que,
inacabados e conscientes do inacabamento, abertos à procura, curiosos,
“programados, mas para aprender”, exercitaremos tanto mais e melhor a nossa
capacidade de aprender e de ensinar quanto mais sujeitos e não puros objetos do
processo nos façamos (Freire, 1997, p.65)
Os gestores escolares precisam rever a
forma de organização do tempo na escola, o planejamento é de vital importância
na busca da qualidade de ensino e não pode ser negligenciado, planejar não é
uma ação burocrática, é um ato intencional, uma busca por objetivos concretos
e, portanto, necessita de tempo, de suporte pedagógico e de uma constante
revisão para que se cumpram as ações que dele resultarem:
Planejamento é
elaborar - decidir que tipo de sociedade e de homem se quer e que tipo de ação
educacional é necessária para isso; verificar a que distância se está deste tipo
de ação e até que ponto se está contribuindo para o resultado final que se
pretende; propor uma série orgânica de ações para diminuir esta distância e
para contribuir mais para o resultado final estabelecido; executar - agir em
conformidade com o que foi proposto e avaliar - revisar sempre cada um desses
momentos e cada uma das ações, bem como cada um dos documentos deles derivados
(Gandin, 1985, p.22).