No início do curso, na interdisciplina de Alfabetização, a
professora Annamaria Rangel nos provocou a pensar sobre alfabetização a partir
do lugar do aluno, escrevi um texto sobre esta experiência no meu blog naquela
ocasião ( disponível em: https://hermanncarmem23.blogspot.com/2015/10/vivenciando-alfabetizacao.htm)
. A aprendizagem da língua escrita tem sido objeto de pesquisa e estudo de
diversas ciências. Anteriormente aos anos 80, a alfabetização escolar no Brasil
era caracterizada pela alternância entre os métodos sintéticos e analíticos ambos
visando que a criança dominasse a codificação e decodificação da língua para
posteriormente ser capaz de ler textos, livros e histórias. A partir da
perspectiva psicogenética da aprendizagem da língua escrita, difundida
principalmente pela obra de Emilia Ferreiro, houve uma alteração na concepção
do processo de aprendizagem com a integração entre a aprendizagem do sistema de
escrita e as práticas de leitura. Esta mudança de paradigma evidenciou que
alfabetização e letramento são indissociáveis.
Aprender a língua escrita pressupõe, além da compreensão da
transferência da forma sonora da fala para forma gráfica da escrita, a
possibilidade de uma leitura fluente, compreensiva que leve a ampliação do
vocabulário e ao desenvolvimento de habilidades de interpretação e inferência.
Ler muito mais que decodificar é identificar e utilizar adequadamente as
diferentes funções da escrita, dos diferentes portadores de textos e dos
diversos gêneros. Por tudo isto, como educadores temos que perceber que
alfabetização e letramento são processos complexos e contínuos que se
desenrolam durante toda nossa vida. Realizei meu estágio em uma turma de 4º ano
e acompanhando as produções escritas dos alunos percebi que a maioria cometia
erros ortográficos, o que é normal nesta fase da escolaridade,
a escrita envolve, dentre outros conhecimentos mais gerais, alguns
conhecimentos próprios e específicos, tais como os aspectos ortográficos, o
domínio gramatical e sua própria elaboração; para tanto, apenas o domínio
intuitivo da linguagem oral não é suficiente, principalmente quando relacionado
aos aspectos ortográfico e gramatical da escrita (BACHA, 2004). De acordo
com Kiparsky e Menn (1979:75), em relação ao componente fonológico da língua, a
criança se depara com dois importantes problemas nos seus primeiros anos de
vida: o limite de sua capacidade fonética à qual o output adulto deve se
adequar; e a aprendizagem de regularidades abstratas do sistema fonológico. No
entanto, esses problemas encontram solução graças à habilidade cognitiva para a
construção de gramáticas que é comum a todas as crianças. Em uma
perspectiva psicolinguística, os erros encontrados nas produções das crianças
são janelas para as estratégias (modo de processamento) daquele que aprende
(KATO, 1997:80).
Zorzi (1997),
ao pesquisar produções escritas de crianças de 1a a 4a série do Ensino
Fundamental, observou que as trocas ortográficas mais comuns em crianças nas
primeiras séries escolares (47,5% das trocas analisadas), são aquelas
decorrentes de “representações múltiplas”. Os sistemas de escrita alfabética
apresentam como característica essencial correspondências entre sons
e letras. No que se refere à língua portuguesa, podemos encontrar diversos
tipos de correspondências, por isso, em função desta correspondência não
estável entre letras e sons, como pode ser ilustrado pela escrita da palavra
cabeça com a letra s ou ss, resultando em “cabesa” ou “cabessa.
Como estratégia para avançar nos conhecimentos , em relação
à ortografia, foi a proposição de atividades que propiciassem uma reflexão
sobre as regularidades e arbitrariedades da Língua Portuguesa sem contudo
permitir que a ortografia viesse a inibir a escrita espontânea.