Mostrando postagens com marcador #alfabetizaçãoeletramento#psicogenesedalinguaescrita#linguagemescrita#. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #alfabetizaçãoeletramento#psicogenesedalinguaescrita#linguagemescrita#. Mostrar todas as postagens

domingo, 17 de fevereiro de 2019

ALFABETIZAR LETRANDO


No início do curso, na interdisciplina de Alfabetização, a professora Annamaria Rangel nos provocou a pensar sobre alfabetização a partir do lugar do aluno, escrevi um texto sobre esta experiência no meu blog naquela ocasião                         ( disponível em: https://hermanncarmem23.blogspot.com/2015/10/vivenciando-alfabetizacao.htm) . A aprendizagem da língua escrita tem sido objeto de pesquisa e estudo de diversas ciências. Anteriormente aos anos 80, a alfabetização escolar no Brasil era caracterizada pela alternância entre os métodos sintéticos e analíticos ambos visando que a criança dominasse a codificação e decodificação da língua para posteriormente ser capaz de ler textos, livros e histórias. A partir da perspectiva psicogenética da aprendizagem da língua escrita, difundida principalmente pela obra de Emilia Ferreiro, houve uma alteração na concepção do processo de aprendizagem com a integração entre a aprendizagem do sistema de escrita e as práticas de leitura. Esta mudança de paradigma evidenciou que alfabetização e letramento são indissociáveis.
Aprender a língua escrita pressupõe, além da compreensão da transferência da forma sonora da fala para forma gráfica da escrita, a possibilidade de uma leitura fluente, compreensiva que leve a ampliação do vocabulário e ao desenvolvimento de habilidades de interpretação e inferência. Ler muito mais que decodificar é identificar e utilizar adequadamente as diferentes funções da escrita, dos diferentes portadores de textos e dos diversos gêneros. Por tudo isto, como educadores temos que perceber que alfabetização e letramento são processos complexos e contínuos que se desenrolam durante toda nossa vida. Realizei meu estágio em uma turma de 4º ano e acompanhando as produções escritas dos alunos percebi que a maioria cometia erros ortográficos, o que é normal nesta fase da escolaridade,  a escrita envolve, dentre outros conhecimentos mais gerais, alguns conhecimentos próprios e específicos, tais como os aspectos ortográficos, o domínio gramatical e sua própria elaboração; para tanto, apenas o domínio intuitivo da linguagem oral não é suficiente, principalmente quando relacionado aos aspectos ortográfico e gramatical da escrita (BACHA, 2004). De acordo com Kiparsky e Menn (1979:75), em relação ao componente fonológico da língua, a criança se depara com dois importantes problemas nos seus primeiros anos de vida: o limite de sua capacidade fonética à qual o output adulto deve se adequar; e a aprendizagem de regularidades abstratas do sistema fonológico. No entanto, esses problemas encontram solução graças à habilidade cognitiva para a construção de gramáticas que é comum a todas as crianças. Em uma perspectiva psicolinguística, os erros encontrados nas produções das crianças são janelas para as estratégias (modo de processamento) daquele que aprende (KATO, 1997:80).
            Zorzi (1997), ao pesquisar produções escritas de crianças de 1a a 4a série do Ensino Fundamental, observou que as trocas ortográficas mais comuns em crianças nas primeiras séries escolares (47,5% das trocas analisadas), são aquelas decorrentes de “representações múltiplas”. Os sistemas de escrita alfabética apresentam como característica essencial correspondências entre sons e letras. No que se refere à língua portuguesa, podemos encontrar diversos tipos de correspondências, por isso, em função desta correspondência não estável entre letras e sons, como pode ser ilustrado pela escrita da palavra cabeça com a letra s ou ss, resultando em “cabesa” ou “cabessa. 
Como estratégia para avançar nos conhecimentos , em relação à ortografia, foi a proposição de atividades que propiciassem uma reflexão sobre as regularidades e arbitrariedades da Língua Portuguesa sem contudo permitir que a ortografia viesse a inibir a escrita espontânea.