quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

MUDANÇA DE PARADIGMA


O século XXI está marcado irreversivelmente pela globalização e pelo uso intensivo das tecnologias levando a mudanças paradigmáticas irreversíveis na educação. Atualmente, precisamos estar preparados para uma aprendizagem constante dada a velocidade das mudanças e dos avanços tecnológicos. A meta é aprender a aprender para uma rápida adaptação e principalmente para o enfrentamento dos desafios que o progresso nos impõe. O paradigma positivista que privilegiava a racionalidade, a objetividade e a fragmentação do conhecimento não responde mais às exigências do mundo pós- moderno onde as questões sociais e ambientais se agravam e não encontram mais saída num modelo limitado pela racionalidade científica. Neste contexto, Régnier (1995, p. 3) alerta:
“Em meio a uma crise global, de tão graves proporções, muito se fala ultimamente em diferentes instâncias das sociedades modernas, em mudança de paradigma como reconhecimento da necessidade premente de construção de um novo modelo que, para além dos limites da racionalidade científica, crie as condições propícias a uma aliança entre ciência e consciência, razão e intuição, progresso e evolução, sujeito e objeto, de tal forma que seja possível o estabelecimento de uma nova ordem planetária.”
Neste novo contexto as práticas pedagógicas conservadoras e acríticas perdem totalmente o sentido, pois são incapazes de formar pessoas responsáveis, atuantes na busca de um desenvolvimento sustentável  e de uma sociedade justa e igualitária. Jacques Delors (1998) coordenou o "Relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI", no qual aponta como principal conseqüência da sociedade do conhecimento a necessidade de uma educação continuada. A proposição manifestada por Delors apresenta para a educação uma aprendizagem ao longo de toda vida assentada em quatro pilares: aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a viver juntos e aprender a ser.
A minha geração foi bastante prejudicada por uma educação rigorosa, castradora e diretiva. Nos primeiros semestres do PEAD escrevi no blog um texto sobre protagonismo no ensino (disponível em: https://hermanncarmem23.blogspot.com/2016/12/protagonismo-no-ensino.html)  onde relatei uma única situação, em toda minha vida escolar, em que me senti responsável pela minha aprendizagem e pude realmente construir conhecimento sobre aquele que foi meu  objeto de estudo. Penso que ali nasceu minha fé nos métodos globalizados de aprendizagem, em especial aos projetos de aprendizagem, que se  mostram capazes de incentivar o aluno a buscar conhecimento,  por genuíno prazer, no intuito de responder aquelas questões que os inquietam e conferem verdadeiro significado ao estudo.  Segundo Gadotti (2000, p. 251), aprender a conhecer implica ter prazer de compreender, descobrir, construir e reconstruir o conhecimento, curiosidade, autonomia, atenção.
Ressignificar as práticas pedagógicas fazendo uso das tecnologias e de métodos de ensino que desenvolvem a autonomia é o caminho para uma educação continuada e transformadora.  

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