Como
professora de matemática da rede estadual e atuando nas séries finais do ensino
fundamental, eu pude presenciar o
verdadeiro horror que alguns alunos têm da matemática o que muitas vezes
provoca um bloqueio na aprendizagem impedindo o avanço nesta disciplina.
Acredito que esta aversão tenha origem nos primeiros contatos do aluno com o
mundo dos números e que se deva a metodologias equivocadas que privilegiam a
memorização em detrimento da manipulação de materiais, dos jogos e da
experimentação. Nos primeiros semestres do curso de pedagogia já havia externado minha preocupação com o
sentimento de incompetência que perseguem alguns alunos em sua relação com a
matemática. (https://hermanncarmem23.blogspot.com/2016/12/ensino-da-matematica.html).
Durante a realização do meu estágio refleti bastante sobre a maneira de desmistificar
a matemática para as crianças. Optei por
dar significado à disciplina explorando com os alunos a presença dos números
nas mais diversas situações e de forma interdisciplinar. Baseada na teoria de
Piaget, Kamii explica que “[...] o número é construído por cada criança a
partir de todos os tipos de relações que ela cria entre os objetos” (KAMII,
1986, p.13). Para ilustrar trago o exemplo de uma atividade de Ciências em que
desafiei os alunos do 4º ano a
utilizarem textos informativos sobre os planetas para coletarem dados sobre o
tamanho e o diâmetro dos mesmos tabelando- os para posteriormente compará-los e atribuir à bolinhas de isopor de tamanhos diversos
quais representariam cada um dos
planetas de forma adequada considerando-se a relação entre suas dimensões. O uso dos textos
para pesquisa se configurou em uma estratégia para explorar a função social dos
números presentes nesses materiais. “Ao usar esses diferentes gêneros de
textos, o educador deve enfatizar, além dos aspectos quantitativos, também os
qualitativos, na perspectiva de contribuir para analisar a realidade” (AMOP,
2010, p.185).
É importante que as crianças percebam que
a matemática tem uso no cotidiano para
isto é necessário que o professor busque
metodologias lúdicas e interativas
que proporcionem aos alunos mais
autonomia, pensamento reflexivo, crítico argumentativo e que os mesmos possam
questionar, participando com a sua opinião, propondo novos caminhos, novas
soluções para aquilo que lhes é proposto, trocando idéias, não só com os
professores, mas também com colegas. Segundo os PCN, o papel da matemática, no
Ensino Fundamental, é:
[...] desenvolver capacidades
intelectuais, na estruturação do pensamento, na agilização do raciocínio
dedutivo do aluno, na sua aplicação a problemas, situações da vida cotidiana e
atividades do mundo do trabalho. Além de apoiar a construção de conhecimentos
em outras áreas curriculares (BRASIL, 2001, p. 29).
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