quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

MATEMÁTICA NÃO É O BICHO


Como professora de matemática da rede estadual e atuando nas séries finais do ensino fundamental,  eu pude presenciar o verdadeiro horror que alguns alunos têm da matemática o que muitas vezes provoca um bloqueio na aprendizagem impedindo o avanço nesta disciplina. Acredito que esta aversão tenha origem nos primeiros contatos do aluno com o mundo dos números e que se deva a metodologias equivocadas que privilegiam a memorização em detrimento da manipulação de materiais, dos jogos e da experimentação. Nos primeiros semestres do curso de pedagogia  já havia externado minha preocupação com o sentimento de incompetência que perseguem alguns alunos em sua relação com a matemática. (https://hermanncarmem23.blogspot.com/2016/12/ensino-da-matematica.html). Durante a realização do meu estágio refleti bastante sobre a maneira de desmistificar a matemática para as crianças. Optei  por dar significado à disciplina explorando com os alunos a presença dos números nas mais diversas situações e de forma interdisciplinar. Baseada na teoria de Piaget, Kamii explica que “[...] o número é construído por cada criança a partir de todos os tipos de relações que ela cria entre os objetos” (KAMII, 1986, p.13). Para ilustrar trago o exemplo de uma atividade de Ciências em que desafiei os alunos do 4º ano  a utilizarem textos informativos sobre os planetas para coletarem dados sobre o tamanho e o diâmetro dos mesmos tabelando- os  para posteriormente compará-los e atribuir  à bolinhas de isopor de tamanhos diversos quais representariam  cada um dos planetas de forma adequada considerando-se  a relação entre suas dimensões. O uso dos textos para pesquisa se configurou em uma estratégia para explorar a função social dos números presentes nesses materiais. “Ao usar esses diferentes gêneros de textos, o educador deve enfatizar, além dos aspectos quantitativos, também os qualitativos, na perspectiva de contribuir para analisar a realidade” (AMOP, 2010, p.185).
             É importante que as crianças percebam que a  matemática tem uso no cotidiano para isto é necessário  que o professor busque metodologias  lúdicas e interativas que   proporcionem aos alunos mais autonomia, pensamento reflexivo, crítico argumentativo e que os mesmos possam questionar, participando com a sua opinião, propondo novos caminhos, novas soluções para aquilo que lhes é proposto, trocando idéias, não só com os professores, mas também com colegas. Segundo os PCN, o papel da matemática, no Ensino Fundamental, é:
[...] desenvolver capacidades intelectuais, na estruturação do pensamento, na agilização do raciocínio dedutivo do aluno, na sua aplicação a problemas, situações da vida cotidiana e atividades do mundo do trabalho. Além de apoiar a construção de conhecimentos em outras áreas curriculares (BRASIL, 2001, p. 29).


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