"Entre
os Muros da Escola", dirigido por Laurent Cantet, retrata os
conflitos e desafios de uma instituição pública de ensino
parisiense frequentada majoritariamente por imigrantes. Evidencia,
assim, as contradições do modelo tradicional de ensino que
desconsidera a história e a cultura dos alunos. A realidade
apresentada não difere da nossa. As escolas brasileiras também são
plurais e diversas e contemplam a mesma forma decadente de ensino.
Os
conflitos retratados pelo filme ocorrem pelos alunos indignarem-se
com a imposição da língua francesa, ministrada por François, e
questionam o modo inadequado de avaliação que desconsidera as suas
expressões verbais individuais e o contexto no qual se inserem.
Podemos claramente aproximar esse dilema com a prática recorrente
das nossas escolas em impor temas, conteúdos e atividades vistos
como irrelevantes pelos alunos por serem alheios à sua realidade ou
ao seus interesses.
Permite,
portanto, pensarmos se há uma maneira justa de receber nossos
alunos, integrando-os como parte importante na elaboração do
currículo. Professores, em geral, aplicam a mesma metodologia para
diferentes turmas sem considerar os alunos protagonistas do processo
de aprendizagem. Possibilitar que cada estudante agregue, compartilhe
e reflita sobre seus valores e crenças e de seus colegas estabelece
um fluxo de informações que contribui na construção de uma
abordagem específica e especializada pelo docente e talvez seja
essencial na constituição de um ambiente escolar mais democrático.
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