Na
psicologia aprendemos que as crianças chegam à escola na fase
descrita pelo psicanalista Sigmund Freud como fase de latência, ou
seja, as crianças sublimam a energia sexual e a canalizam para o
desenvolvimento intelectual, adoram jogos, são curiosos e
observadores, principalmente em relação à natureza. Então se as
crianças desejam aprender e cognitivamente estão aptas, porque não
aprendem?
Descobri
que a resposta é mais complexa do que suspeitava. Os meninos e
meninas que chegam à escola trazem, além das mochilas, uma história
de vida que muitas vezes é de violência, negligência e abandono.
Estas crianças geralmente têm dificuldade de se alfabetizar. Na
disciplina de alfabetização li que os fatores socieconômicos
interferem na aprendizagem, porém não da forma que eu pensava. Não
é porque tem desnutrição, porque sofrem maus tratos ou abusos,
que as crianças não aprendem, o fator é econômico, mas está
ligado à falta de oportunidade de aprender em casa e na pré-escola,
dos zero aos seis anos. As crianças mais pobres não tem acesso a
portadores de textos diversos, não tem acesso a cultura e muitas
vezes os pais são analfabetos. Enquanto as crianças da classe média
e da classe alta iniciam sua alfabetização muito cedo e já chegam
alfabetizadas no primeiro ano, as crianças das classes sociais mais
baixas chegam a escola com defasagem de 5 anos em relação a elas.
O segundo fator tem também fundo econômico, pois alerta para falta
de material necessário nas escolas e a falta de foco dos professores
nas atividades de alfabetização. Muitas vezes a escola não tem uma
sala de aula adequada com espaço ideal para se criar um ambiente
alfabetizador, recursos como jornal do dia, computador e impressora
estão longe da nossa realidade. Os jogos de alfabetização são
escassos e há muitas crianças na sala. Mas, ainda assim, a maioria
das crianças aprendem a ler e a escrever, enquanto algumas não
conseguem. Esta é uma questão que inquieta, porque a escola não dá
conta de ensinar essas crianças? Será por falta de metodologia e
estímulos adequados? Sem uma rede de assistência com profissionais
especializados, os motivos pelos quais estas crianças não aprendem
ficam nos assombrando e o que resta é conviver com o sentimento de
fracasso.

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