Este
poema é uma releitura do poema “Operário em Construção” de
Vinícius de Moraes
ESCOLA
EM CONSTRUÇÃO
Carmem Hermann
Carmem Hermann
Era
ela que iluminava mentes
Onde
antes só havia escuridão
Com
um livro sem verbetes
E
mestres a ditar a lição
Com
o tempo do aluno
Ocupado
à exaustão.
Mas
tudo desconhecia
De
sua grande missão:
Não
sabia, por exemplo,
Que
cada aluno com o tempo
Transformava-se
em sua expressão
Nem
tampouco sabia
Que
cada matéria que proferia
Nada
mais era que pura doutrinação.
De fato, como podia
Uma
escola em construção
Compreender
que aprender direitos humanos
Vale
tanto quanto aprender multiplicação?
Posto
que na sua concepção
Cidadania
era política
Nada
tinha a ver com educação
Quanto
aos números, desde a Grécia Antiga
Eram
sinônimos de qualificação.
E assim a escola cumpria
Seu
papel na dominação
A
legar somente: geografia, física e religião.
E
no imaginário popular ser lugar que trancafia
Exigindo
atenção para mesma monotonia
Ocupando
os alunos, com trabalho e distração
Pois
pensar é perigoso, é semente da revolução.
Em sua metodologia
A
cultura popular reprimia
Numa
instituição exaurida,
Que
só a uma classe servia.
Na
sua alienação, na realidade não percebia
Que
escola não é fábrica, escola não é prisão
Escola
não discrimina, não promove exclusão
Professor
não é sacerdote, ensinar não é missão.
A sociedade desconhecia
O
poder que da escola era emanado.
Pois
o Estado faz a escola
E
a sociedade que faz o Estado.
De
forma que a mudança
De
cada um dependia
E
se todos assim pensassem
A
escola evoluiria.
O
que se quer da escola?
Simplesmente
libertação.
Que
provoque, que desafie. Que incentive a construção.
E
assim a escola
Que
só ensinava obediência, tomou-se de consciência
De
sua verdadeira missão.
E daqueles muros erguidos
Para
trabalhadores forjar
Uma
voz se elevou
Cansada
de se calar
A
voz de toda opressão
A
voz de todos os mestres
A
voz de cada menino
A
voz da libertação
A
voz da massa oprimida:
Comunidade,
cidade, nação.
E
foi assim que se transformou
Em
escola construída
A
escola em construção.