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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Infância e Violência

Acompanhei uma reportagem sobre as impressões das crianças  a respeito dos atentados terroristas na França, medo e  insegurança são os sentimentos que se sobressaíram nos depoimentos, embora a maioria não entenda a dimensão do ocorrido no país, sabem que de alguma forma estão em perigo, existe um risco que adivinham, que presentem. Como explicar às crianças tanta violência, o que fica no imaginário delas? Será que irão crescer alimentando esse ódio irracional?
 O sociólogo Zigmunt Bauman diz que estamos vivendo uma era pós-moderna, cuja característica é a fluidez das instituições e dos valores, acordamos do sonho da modernidade para o caos. Como podemos proteger as crianças deste caos, desta incerteza? Que adulto se tornarão neste mundo capitalista, que semeia ódio e intolerância entre os povos, em nome do lucro?
Dizem que da crise nascem as grandes ideias, será que podemos esperar que do caos surjam as soluções, os alicerces de um mundo mais justo e igualitário? Quando escuto as crianças, me encho de esperança que haja uma solução pacífica para tanta desavença e fico imaginando em que momento da nossa existência perdemos a ingenuidade e a pureza e nos tornamos capazes de matar e morrer em nome da intolerância, da xenofobia e do poder.

Manifesto

Este poema é uma releitura do poema “Operário em Construção” de Vinícius de Moraes
ESCOLA EM CONSTRUÇÃO
                      Carmem Hermann
Era ela que iluminava mentes
Onde antes só havia escuridão
Com um livro sem verbetes
E mestres a ditar a lição
Com o tempo do aluno
Ocupado à exaustão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo,
Que cada aluno com o tempo
Transformava-se em sua expressão
Nem tampouco sabia
Que cada matéria que proferia
Nada mais era que pura doutrinação.

De fato, como podia
Uma escola em construção
Compreender que aprender direitos humanos
Vale tanto quanto aprender multiplicação?
Posto que na sua concepção
Cidadania era política
Nada tinha a ver com educação
Quanto aos números, desde a Grécia Antiga
Eram sinônimos de qualificação.

E assim a escola cumpria
Seu papel na dominação
A legar somente: geografia, física e religião.
E no imaginário popular ser lugar que trancafia
Exigindo atenção para mesma monotonia
Ocupando os alunos, com trabalho e distração
Pois pensar é perigoso, é semente da revolução.

Em sua metodologia
A cultura popular reprimia
Numa instituição exaurida,
Que só a uma classe servia.
Na sua alienação, na realidade não percebia
Que escola não é fábrica, escola não é prisão
Escola não discrimina, não promove exclusão
Professor não é sacerdote, ensinar não é missão.

A sociedade desconhecia
O poder que da escola era emanado.
Pois o Estado faz a escola
E a sociedade que faz o Estado.
De forma que a mudança
De cada um dependia
E se todos assim pensassem
A escola evoluiria.
O que se quer da escola?
Simplesmente libertação.
Que provoque, que desafie. Que incentive a construção.
E assim a escola
Que só ensinava obediência, tomou-se de consciência
De sua verdadeira missão.

E daqueles muros erguidos
Para trabalhadores forjar
Uma voz se elevou
Cansada de se calar
A voz de toda opressão
A voz de todos os mestres
A voz de cada menino
A voz da libertação
A voz da massa oprimida:
Comunidade, cidade, nação.
E foi assim que se transformou
Em escola construída
A escola em construção.














segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Entre os Muros da Escola


"Entre os Muros da Escola", dirigido por Laurent Cantet, retrata os conflitos e desafios de uma instituição pública de ensino parisiense frequentada majoritariamente por imigrantes. Evidencia, assim, as contradições do modelo tradicional de ensino que desconsidera a história e a cultura dos alunos. A realidade apresentada não difere da nossa. As escolas brasileiras também são plurais e diversas e contemplam a mesma forma decadente de ensino.
Os conflitos retratados pelo filme ocorrem pelos alunos indignarem-se com a imposição da língua francesa, ministrada por François, e questionam o modo inadequado de avaliação que desconsidera as suas expressões verbais individuais e o contexto no qual se inserem. Podemos claramente aproximar esse dilema com a prática recorrente das nossas escolas em impor temas, conteúdos e atividades vistos como irrelevantes pelos alunos por serem alheios à sua realidade ou ao seus interesses.
Permite, portanto, pensarmos se há uma maneira justa de receber nossos alunos, integrando-os como parte importante na elaboração do currículo. Professores, em geral, aplicam a mesma metodologia para diferentes turmas sem considerar os alunos protagonistas do processo de aprendizagem. Possibilitar que cada estudante agregue, compartilhe e reflita sobre seus valores e crenças e de seus colegas estabelece um fluxo de informações que contribui na construção de uma abordagem específica e especializada pelo docente e talvez seja essencial na constituição de um ambiente escolar mais democrático.