segunda-feira, 26 de setembro de 2016

GAIOLAS OU ASAS?



Há escolas que são gaiolas. Há
escolas que são asas. (Rubens Alves)

Não quero aqui cair no lugar-comum de vitimizar o professor, porque o professor é um profissional que, como qualquer outro, merece respeito e valorização, e não pena, porém preciso expressar minha insatisfação a respeito de algumas coisas que se falam e se escrevem sobre educação, no que diz respeito às mudanças que se fazem necessárias. Muitos discursos carecem de objetividade e, em geral, lançam suas teorias sempre na mesma direção: o professor com sua metodologia atrasada e estagnada.
A escola atual não tem mais a função única de ensinar, a própria legislação reconhece e amplia suas funções incluindo o “educar” e o “cuidar”, entretanto esse reconhecimento não vem acompanhado da devida instrumentalização dessa instituição. Muito se fala em mudanças, mas pouco se faz para fornecer ferramentas ao professor que viabilizem estas mudanças e, principalmente, muito pouco se investe nas escolas para melhorar sua estrutura e oferecer espaço físico e recursos pedagógicos adequados.
Escolher o magistério como profissão é uma opção carregada de intenções, de vontade de fazer diferente, mas a realidade de nossas escolas acaba minando e desmotivando o professor. Como retrata Rubens Alves referindo-se ao cotidiano do professor na sala de aula:

.. Ouvindo os seus relatos, vi uma jaula cheia de tigres
famintos, dentes arreganhados, garras à mostra – e os domadores com os seus chicotes,
fazendo ameaças fracas demais para a força dos tigres... Sentir alegria ao sair de casa
para ir à escola? Ter prazer em ensinar? Amar os alunos? O sonho é livrar-se de tudo
aquilo. Mas não podem. A porta de ferro que fecha os tigres é a mesma porta que os
fecha com os tigres.

Usando a metáfora do autor, a escola não é gaiola só para as crianças e adolescentes, é também para o professor a medida que não oferece absolutamente nada para atrair o aluno. Para ensinar, educar e cuidar, a escola precisa passar por uma profunda mudança de paradigma, precisa tornar-se, além de espaço de aprendizagem, espaço de lazer, de arte, de esporte, espaço de vida.

E o professor? Esse precisa ser instrumentalizado, capacitado para ensinar o voo aos seus alunos. Só se ensina o que se sabe, dessa forma nossas escolas serão asas e não gaiolas.

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