Em dezembro de 2016, logo
no início do curso de Pedagogia, fiz uma postagem sobre jogos matemáticos1
e sua importância para aprendizagem da matemática. Minha experiência com
jogos é do trabalho na disciplina de matemática no ensino fundamental séries
finais. Quando iniciei o estágio neste semestre em uma turma de quarto ano,
percebi no momento da sondagem que a
grande maioria dos alunos não entendiam o algoritmo da divisão e não associavam
a operação concreta com os termos do algoritmo, portanto não eram capazes de analisar os
resultados e reconhecer quando esses estavam totalmente incoerentes. No início fiquei
em dúvida de qual seria a melhor abordagem, uma vez que eles já utilizavam o algoritmo mesmo que sem noção do que estavam realizando. Revisitei, então, algumas interdisciplinas do curso, como
Psicologia da Educação, para relembrar as fases de desenvolvimento da criança e
os recursos educacionais mais adequados à faixa etária em que se encontravam os
alunos e também a disciplina de Representação do Mundo Pela Matemática aonde
reli o texto sobre campo multiplicativo2 que me abriu um leque de possibilidades de
rever a apresentação do algoritmo e a utilização do material concreto para o
melhor entendimento da operação de divisão pelos alunos. Desta forma, para
retomar os conceitos envolvidos na divisão e desenvolver as competências
necessárias para o entendimento do algoritmo propus um trabalho com material
dourado. A utilização de material concreto torna a aprendizagem mais
significativa permitindo que o professor se apoie, sempre que necessário, nas vivências do aluno
durante a atividade prática. Apesar da
utilização do material não determinar por si só a aprendizagem é importante
proporcionar aos alunos diversas oportunidades de contato com materiais para
despertar interesse e envolvê-los em situações de aprendizagem matemática, já
que os materiais podem constituir um suporte físico através do qual as crianças
vão explorar, experimentar, manipular e desenvolver a observação (Gomide,
1970). Utilizei diversos jogos, inclusive virtuais e finalmente construímos
juntos o algoritmo. Desta forma abrimos espaço para análise e compreensão dos
resultados possíveis em cada situação.
O ensino da matemática nos
Anos Iniciais ainda está muito atrelado com o uso de técnicas operatórias e
simples memorização que se fazem com e a partir de escritas mecânicas e sem
sentido. Nessa abordagem, o ambiente é de repetição, cópia, reprodução
(FIORENTINI,2001), o que por consequência não garante um aprendizado para o
aluno, e contribui, consideravelmente, para o aumento dos índices do fracasso
escolar. Entretanto, conforme Lorenzato, a exploração matemática pode ser um
bom caminho para favorecer o desenvolvimento intelectual, social e emocional da
criança. Do ponto de vista do conteúdo matemático, a exploração matemática nada
mais é do que a primeira aproximação das crianças, intencional e direcionada,
ao mundo das formas e das quantidades (LORENZATO, 2008, p.1). Nessa
perspectiva, Beatriz S.D’Ambrosio aponta que há:
[...] propostas que colocam o aluno
como o centro do processo educacional, enfatizando o aluno como um ser ativo no
processo de construção de seu conhecimento. Propostas essas onde o professor
passa a ter um papel de orientador e monitor das atividades propostas aos
alunos e por eles realizadas (D'AMBROSIO, 2010, p 2 ).
Os resultados reforçaram
minha crença no material concreto e nos jogos como recursos pedagógicos
eficazes e valiosos para que os alunos construam conceitos, façam descobertas e obtenham
sucesso na aprendizagem da matemática.
1 1- Disponível em https://hermanncarmem23.blogspot.com/2016/12/jogos-matematicos.html
2 2- Disponível em http://www.pead.faced.ufrgs.br/sites/publico/eixo4/matematica2/
campo_multiplicativo/nova_escola_campo_multiplicativo.pdf
Referências
D’
AMBROSIO. UbiratanDa realidade à ação: reflexões sobre educação e matemática/
Ubiratan D’ Ambrosio- São Paulo: Summus: Campinas: Ed. Da Universidade Estadual
de Campinas, 1986.
Gomide,
M. V. (1970). Explorando a Matemática na Escola Primária. Rio de
Janeiro: Livraria José Olympio Editora.
LORENZATO,
Sérgio. Educação Infantil e percepção matemática. 2. ed. rev. e ampliada.
Campinas, SP: Autores associados, 2008.
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