Em junho de 2018 escrevi
um texto para o blog sobre inovações pedagógicas, disponível em https://hermanncarmem23.blogspot.com/2018/06/
, onde fazia um questionamento sobre a falta de inovações pedagógicas nos
planejamentos de estagiários, que estavam atuando na escola em que trabalho, oriundos
das mais diversas faculdades de pedagogia do nosso estado. Para conceituar
inovação pedagógica me utilizo de Correia e Carbonell. Correia (1991) apresenta
duas definições de inovação pedagógica que podem ser consideradas a partir dos
contextos e das instâncias em que a inovação é proposta e vivenciada. O autor
apresenta a “inovação instituída” que é proposta e definida pelo centro de
poder do sistema educativo e a “inovação instituinte” que é vivenciada pelo
professor em oposição à inovação proposta pelo centro do sistema. Refere-se,
pois, que a inovação em sua concepção instituinte ou dialítica foge dos lugares
comuns de repetição, ou reprodução daquilo que está posto ou enunciado e se
apresenta como alternativa, originalidade e inventividade do pensar e do fazer.
Para Carbonell (2002),
“Existe uma concepção que é bastante aceita no âmbito educacional, que define
inovação como: um conjunto de intervenções, decisões e processos, com certo
grau de intencionalidade e sistematização, que trata de modificar atitudes,
ideias, culturas, conteúdos, modelos e práticas pedagógicas” (p. 19). Segundo o
autor, essa inovação tem o objetivo de renovar projetos e programas, materiais
curriculares, estratégias de ensino e aprendizagem, modelos didáticos e as
formas de organizar e gerir o currículo, a escola e a dinâmica da classe.
A observação do trabalho
destes futuros profissionais da educação sinaliza para uma falta de
originalidade e inventividade no fazer pedagógico privilegiando modelos
didáticos e formas de organização da sala de aula que nos remetem
invariavelmente à educação “bancária”. Embora algumas atividades demonstrem uma
maior valorização do lúdico, na essência percebe-se uma continuidade de
práticas que já se mostraram ineficientes para a construção de aprendizagens
significativas e para o desenvolvimento das competências desejadas para os
alunos ao final da sua escolarização básica.
Em sua obra Mudanças e Inovação Educacional, Messina
(2001), destaca que a inovação não e um fim em si mesma, mas um meio pra
transformar os sistemas educacionais. A inovação implica n a formação de cidadãos autônomos,
críticos, interdependentes e pró-sociais. Está relacionada à forma como a
escola se organiza e como ela e o professor interagem com todos e com cada um,
para que estejam presentes, para que participem no contexto educativo e para
que tenham êxito no seu percurso de aprendizagem,
independentemente de suas (d)eficiências, (in)capacidades ou (des)vantagens.
Penso
que existe uma necessidade de aproximação da escola pública com as
universidades no sentido de promover pesquisas e debates que evidenciem os
fatores que influenciam na permanência de metodologias ultrapassados e
articular caminhos para implementação de mudanças nas práticas educacionais a
partir da reflexão do professor sobre o seu fazer pedagógico. Neste contexto me
refiro aos estudos de Schön, (1983;
1987; 1992; 2000) e Zeichner (1992; 1993). Para Zeichner (1993), o conceito de
professor reflexivo, considera a riqueza da experiência que reside na prática
dos professores e nessa perspectiva, reconhece que o processo de aprender a
ensinar se prolonga durante toda a carreira docente.
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