Estudando os textos de Didática,
relativos à Pedagogia de Comênio, percebemos que suas
ideias e críticas ao ensino são surpreendentemente atuais e muito de sua didática está presente no cotidiano escolar, inclusive se observa nela indícios das teorias
de Freud, Piaget e Vygotsky.
Comênio
incentivava a experimentação, o uso dos sentidos como fator desencadeador da
aprendizagem em detrimento de teorias abstratas, resguardadas as devidas
proporções, este pensamento tem muita semelhança com a
Epistemologia Genética de Jean Piaget que diz que o conhecimento não se origina
por pressão do meio, o que caracteriza o empirismo, nem por estruturas pré-
determinadas, o que caracteriza o apriorismo. Para Piaget, a gênese das
estruturas cognitivas é explicada pela construção – daí construtivismo –
mediante interação radical entre sujeito e objeto.
Observa-se
também nas ideias de Comênio, o que Freud chamou de transferência, ou
seja, Comênio atribui importância ao bom
relacionamento entre professor e aluno como fundamento para a aprendizagem.
Percebe-se, ainda, semelhanças com a teoria de Vygotsky na valorização da troca de saberes
entre os estudantes- Comênio recomenda que se anime os alunos a ensinarem uns aos outro.
Promovendo
uma crítica às escolas por incentivarem as crianças a decorar nomes e conceitos
sem a devida compreensão, Comênio propunha que os alunos fizessem experiências
por conta própria e aprendessem a partir das próprias observações e não somente
repetindo o que outras pessoas disseram. É uma crítica aplicável a muitas
escolas atuais que mantém resquícios da educação bancária- segundo Paulo Freire,
na
visão “bancária” da educação, o “saber” é uma doação dos que se julgam sábios
aos que julgam nada saber.
Na
pedagogia de Comênio encontramos várias semelhanças com a dinâmica de uma sala
de aula orientada pelo construtivismo: experimentação, ludicidade, troca de
saberes, alternância do trabalho com descanso- através de conversa, brincadeira
ou música-, valorização do relacionamento professor aluno e a apresentação dos conteúdos em progressão de dificuldade, tendo-se o
cuidado de não tornar a aula entediante e procurando-se manter o interesse e
motivação dos alunos. Estas são ações que os
professores que se orientam pela teoria construtivista consideram em seu
planejamento diário objetivando que os alunos aprendam de forma contextualizada
e significativa.
Bom dia, colega Carmem!
ResponderExcluirConcordo com você quando diz que "[...] Pedagogia de Comênio, percebemos que suas ideias e críticas ao ensino são surpreendentemente atuais e muito de sua didática está presente no cotidiano escolar[...]". Comênio, considerado o pai da Didática, importante teórico da educação que vislumbrou a possibilidade de uma Pedagogia diferenciada estimulando experimentações como bem colocou você. Parabéns pela postagem, sucinta e reflexiva. Abraços, Nádila.