MÚSICA NA ESCOLA
Historiadores costumam diferenciar o homo sapiens sapiens dos seus antecessores devido à capacidade de desenvolver cultura. Isto é, a partir do momento em que iniciou-se a produção de esculturas, desenhos rupestres e instrumentos com diferentes utilidades é que nos tornamos humanos. Então, como é possível no Brasil a educação fechar os olhos para o desenvolvimento de atividades relacionadas à arte em geral, se ela é tão relevante para nós?
Por lei, "música" deveria ser matéria obrigatória das escolas, mas isto é uma realidade totalmente idealizada, principalmente no ensino público. Trazer instrumentos para dentro de sala de aula, além de obras de grandes músicos e poetas proporciona aos estudantes um momento cultural indispensável para desenvolvimento de pessoas mais empáticas, sensíveis e eruditas, embora não haja material nem professores de música para realizar um trabalho mais especializado, nada impede que os professores realizem atividades que explorem a riqueza musical. Não há como negar que a música desperta sentimentos que perpassam os nossos mais diversos estados de espírito, isso significa explorar uma competência da classe que hoje é muito negligenciada, o seu lado poético. O quão interessante é trazer letras do Mano Brown que tratam de desigualdade, racismo e exclusão social em uma turma majoritariamente pobre e negra? Ou o quão relevante seria inserir músicas da Bossa Nova para ensinar a euforia vivida pelo Brasil no governo de JK? Ou Gabriel , o Pensador para discutirmos o atual momento político e social do Brasil? Esses assuntos não revelam quem somos? Com certeza sim. Portanto, trabalhar música em sala de aula é trabalhar literatura, história, cidadania.