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sexta-feira, 21 de junho de 2019

MÉTODO CLÍNICO, UMA ANÁLISE DO EXPERIMENTO


A Epistemologia Genética é uma teoria criada pelo biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), que estuda a gênese ou origem do conhecimento humano. Esta teoria estabelece que o conhecimento não vem pronto com a pessoa (apriorismo), nem é imposto pelo meio (empirismo), resulta sim de um processo interacional entre as condições internas do sujeito e do meio (construtivismo). Para realizar sua pesquisa, Piaget, desenvolveu um método, conhecido como “método clínico”, para acompanhar o pensamento das crianças e entendê-lo. Para entender melhor o método aplicamos com nossos alunos. Foi uma experiência muito interessante, observar o raciocínio das crianças através das respostas aos nossos questionamentos. A apresentação dos vídeos na aula presencial foi um momento de aprendizagem e troca.
Aplicar o Método Clínico de Jean Piaget foi uma das tarefas propostas na disciplina de Psicologia da Educação para que pudéssemos observar como as crianças pensam. A Epistemologia Genética é uma teoria criada pelo biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980), que estuda a gênese ou origem do conhecimento humano. Esta teoria estabelece que o conhecimento não vem pronto com a pessoa (apriorismo), nem é imposto pelo meio (empirismo), resulta sim de um processo interacional entre as condições internas do sujeito e do meio (construtivismo). Para realizar sua pesquisa, Piaget, desenvolveu um método, conhecido como “método clínico”, para acompanhar o pensamento das crianças e entendê-lo. Piaget propôs que conforme a criança se desenvolve, ocorre uma crescente aprendizagem e maturação, tanto a inteligência quanto suas manifestações tornam-se diferenciadas – mais altamente especializadas em vários domínios. Piaget dividiu o desenvolvimento cognitivo em quatro estágios principais: os estágios sensório-motorpré-operatóriooperatório concreto e operatório formal.
Para aplicar o método escolhi um menino com 7 anos de idade, que chamarei aqui de N,  segundo Piaget, aproximadamente entre 7 e 8 anos até os 11 ou 12, as crianças encontram-se no estágio das operações concretas. Neste estágio as crianças tornam-se capazes de manipular mentalmente as representações internas que formaram, durante o período anterior, o pré-operatório. Em outras palavras, eles agora não só têm ideias e memórias dos objetos, mas também podem realizar operações mentais com essas ideias e memórias.
Uma das evidências mais fortes da mudança do pensamento pré-operatório para o pensamento representativo do estágio operatório concreto é a conservação da quantidade com o desenvolvimento do pensamento reversível. A criança passa a ser capaz de conservar mentalmente (lembrar-se) uma dada quantidade, embora observe modificações na aparência do objeto ou da substância.
Realizei, então, o experimento piagetiano de conservação de líquidos, neste experimento mostram-se para a criança dois recipientes com líquido neles, o experimentador faz a criança verificar que os dois recipientes contêm as mesmas quantidades de líquido. Depois, à medida que ela observa, o experimentador despeja o líquido de um dos recipientes em um terceiro, que é mais alto e fino do que os outros dois. No novo recipiente mais estreito, o líquido eleva-se a um nível mais alto do que no outro menor e mais largo, ainda cheio. Quando indagada se as quantidades de líquido nos dois recipientes cheios são as mesmas ou diferentes, a criança pré-operatória dirá que agora há mais líquido no recipiente mais alto e mais fino, porque o líquido, nesse local, alcança um ponto perceptivelmente mais alto. Embora, ela tenha visto o experimentador despejar todo o líquido de um recipiente no outro, nada adicionando, não concebe que a quantidade seja conservada, apesar da mudança de aparência. A criança operatória concreta, por outro lado, diz que os recipientes contêm a mesma quantidade de líquido, baseada nos seus esquemas internos quanto à conservação da matéria.
Ao realizar o experimento pude constatar que N já se encontrava no estágio das operações concretas, pois, embora a princípio tenha ficado um pouco inseguro, demonstrou ao ser questionado que já era capaz de conservar a quantidade, respondendo que os dois continham a mesma quantidade e que a diferença de nível estava relacionada ao formato do recipiente. Além do mais, N demonstrou ter pensamento reversível, pois ele pode julgar idênticas as quantidades a medida que entendeu que, potencialmente, o líquido podia ser redespejado no recipiente original (o pequeno), revertendo, dessa forma, a operação. Uma vez que a criança reconheça internamente a possibilidade de reverter a ação e possa realizar mentalmente essa operação concreta, ela pode captar a implicação lógica de que a quantidade não mudou.


REFERÊNCIAS

PIAGET, J. A representação do mundo na. Tradução Rubens Fiúza. Rio de Janeiro: Record, 1945. _________. O nascimento da inteligência na criança. Tradução Álvaro Cabral. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1975.