segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

ENSINAR X APRENDER

Ensinar história para os pequenos é um desafio principalmente quando nos atemos às datas comemorativas de forma aleatória e sem contextualização. É preciso construir a ideia de passado, presente e futuro e desenvolver o conceito de tempo sob o ponto de vista da história. As crianças têm que perceber que existe a história escrita e a que estamos construindo diariamente enquanto seres históricos. O segredo é ouvir mais as crianças para aprendendo com elas, investigando como elas pensam o mundo, encontrarmos o caminho para fazermos as intervenções certas.

Educação Física na Escola Estadual

A educação física se faz importante no âmbito escolar desde o momento do ingresso dos alunos. É na escola que todas as pessoas começam a praticar atividades físicas e que  desenvolvem certas habilidades que devem ser trabalhadas e maturadas neste espaço destinado a essa disciplina. Infelizmente, os(as) professores (as) de currículo não possuem embasamento para que essas competências sejam transmitidas para os alunos de maneira correta, o que faz com que seja ainda mais importante a presença de um professor de Educação Física nas escolas estaduais desde o início das formação das crianças. Essas atividades ajudam a trabalhar conceitos como a lateralidade, que exemplifica a direção (esquerda, direita, para frente e para trás). A lateralidade nesse caso, colabora para que os alunos adquiram noção de espaço-tempo, importantes para o sucesso outras disciplinas, como a matemática. 

Algumas Conclusões Sobre o Portfólio de Porto Alegre

O portfólio sobre Porto Alegre como análise da história da cidade e projeção dos alunos como protagonistas desta história permitiu inserir uma visão de ser histórico em cada um deles. Além de desenvolverem a ideia de tempo, também foi introduzida a noção de agentes modificadores dentro do espaço em que vivem. É uma atividade muito abrangente, porque demonstra que todos temos uma história e que nossa história remete a história do local onde vivemos e é isso que constrói quem nós somos: nossas raízes e antepassados. A partir da árvore genealógica percebemos que nossa cidade, assim como o estado e o país, é basicamente formada por imigrantes e que possuímos uma riqueza cultural enorme. As conclusões são inúmeras, desde uma análise sobre os povos indígenas que aqui habitavam e sua condição atual, até a importância do mercado público na cultura umbandista. Infelizmente não é possível trabalhar tudo em sala de aula, mas uma pequena parcela de aprendizagem já consegue ajudar os alunos a adquirirem um conhecimento amplo e imprescindível enquanto cidadãos.

O tempo e a Comunicação

Estudar os meios de comunicação se tornou muito mais dinâmico com a utilização da internet. Alguns aparelhos, que não existem mais e que as crianças não conhecem, são facilmente demonstrados por imagens e explicados por sites de pesquisa como o Wikipedia. Temos acesso a um universo de informação que permite aos professores aprofundarem e inovarem sua metodologia com os alunos. Quando construí o jogo da linha do tempo para organizar com os alunos os meios de comunicação na ordem que eles acreditavam que haviam surgido, encontrei diversas imagens que demonstraram o grande avanço da tecnologia. Por exemplo, a televisão é algo que as crianças possuem contato e poderiam se enganar se utilizasse uma foto atual quanto a data de seu surgimento. Pensei: será que elas reconheceriam um aparelho antigo de imagem preto e branca? O celular se aplica nessa mesma comparação. 
Este exercício de organização dos meios de comunicação permitiu aos alunos uma reflexão sobre a evolução dos objetos ao longo do tempo, sobre a transformação tecnológica e sobre o impacto disso no nosso cotidiano. Eles ficaram intrigados com a diferença entre a forma dos aparelhos em sua origem e seu modelo atual. Por isso conduzi eles a refletirem sobre seu futuro e quais seriam os próximos avanços da tecnologia, o que rendeu ideias bastante criativas.

Redes Sociais

Compartilhar fotos em redes sociais se tornou um evento comum e rotineiro. Talvez por isso banalizamos a tecnologia fotográfica e não nos damos conta de como ela revolucionou o modo de contar histórias. E quando cito história, posso tratar tanto de histórias pessoais de indivíduos quaisquer e de famosos quanto também da história da humanidade. 
O Brasil é um país que estuda sua história nas escolas a partir de sua colonização europeia devido a falta de informação sobre os indígenas que habitavam nosso território. Isso porque esses povos nunca desenvolveram escrita ou registraram de alguma forma seus costumes, lendas, crenças ou a história de seus antepassados. Em sua cultura, tudo era transmitido oralmente e não viam a necessidade de desenvolverem outro método de propagação do conhecimento. Por isso, tudo que sabemos dessas tribos foi através da visão dos portugueses sobre eles, como na carta de Pero Vaz de Caminha, ou a partir de utensílios descobertos em escavações. A partir de um olhar sobre nosso próprio passado, podemos percebera importância de existir atualmente grande número de registros sobre nosso momento histórico e de haver diversos pontos de vistas a serem analisados. Vídeos e fotos registram os acontecimentos cotidianos e permitem construir um acervo rico para análise futura pelos historiadores destes eventos. Não veremos nossa própria história desaparecer novamente. 

ENSINAR CIÊNCIAS

O currículo da ciência, como o de qualquer disciplina não é neutro, ao contrário é carregado de intencionalidade e de visão ideológica. Não é a toa que cientistas têm opiniões e resultados de pesquisas antagônicas a respeito do aquecimento global. Enquanto uns defendem que o planeta caminha para o caos, outros dizem que os fenômenos que observamos hoje-furacões, secas, tornados, morte de corais- nada tem a ver com o aumento da temperatura do planeta. Como educadores precisamos instigar nossos alunos a pensar criticamente, a formar sua própria opinião fundamentados em pesquisas, em observações e em experimentações. Quando somos crianças temos tendência a pensar que é preciso crescer para fazer a diferença, para podermos agir e mudar o mundo, mas isto é pura ilusão, é a infância que é terra fértil. Se o professor for capaz de semear pró-atividade certamente colheremos gerações futuras capazes de buscarem soluções sustentáveis para o nosso planeta.

Ensino da Matemática

O conhecimento matemático aterroriza as crianças desde as séries iniciais. Os números são tão complicados ou nós que complicamos? A verdade é que há incoerências na metodologia de ensino que impedem as crianças de aprenderem esta matéria. Existem diversos tipo de inteligência e, obviamente, algumas crianças possuem facilidade com raciocínio lógico. Entretanto, outras crianças que não possuem o mesmo talento não precisam se sentir frustradas e isso depende basicamente de como o professor conduz a aula e quais métodos utiliza. Ensinar matemática de forma lúdica pode ser o caminho para o sucesso de um número maior de crianças na disciplina. Jogar ajuda a desenvolver diversas competências, além de diminuir o erro e o sentimento de incompetência. 
Fazer matemática não é uma estrada de mão única. Existem diversas formas de solucionar um problema e o professor tem que estar apto a ver o caminho que cada aluno segue e valorizá-lo. Hoje há muita demonstração de uma forma única de solução que às vezes o aluno não aceita ou nãocompreende e isso dificulta seu aprendizado.