A partir dos anos 80 vivenciei uma revolução tecnológica que
alterou completamente meu relacionamento com o mundo. A era digital, segundo
Guzzi (2006, p. 26), transformou os setores da vida individual e da sociedade
ao ponto em que ampliou, principalmente, através das redes virtuais o acesso à
informação e diminuiu as barreiras da comunicação, o que possibilitou a
globalização. Por outro lado, diante dessas conexões muitos conceitos
rapidamente tornam-se desatualizados. Esta revolução digital exigiu de mim um
esforço diário de atualização e adaptação às novas tecnologias e também às
possibilidades que se abriram no trabalho, nos estudos, no meu gerenciamento
financeiro e nas interações sociais. Foi preciso coragem para explorar,
aprender e fazer uso de novas ferramentas.
Em contrapartida, as crianças e os adolescentes de hoje,
chamados de “nativos digitais”, por serem frutos da era da informação e da
comunicação têm acesso a uma gama enorme de conteúdos e uma relação de muita
intimidade com a tecnologia. O termo “nativos digitais” foi adotado por Palfrey
e Gasser no livro Nascidos na era digital. Refere-se àqueles nascidos após 1980
e que tem habilidade para usar as tecnologias digitais. Eles se relacionam
através das redes sociais e interagem naturalmente com as mídias digitais. Porém,
aqueles que, como eu, não se enquadram nesse grupo precisam aprender a conviver
e interagir com esses nativos e, além disso, adaptar-se a uma vertiginosa
sucessão de inovações tecnológicas, são
os chamados imigrantes digitais (PALFREY; GASSER, 2011).
Desta forma, meu papel como educadora, assim como daqueles professores
que, como eu, são imigrantes digitais, não reside em apresentar a tecnologia
aos alunos, mas em ensiná-los a usá-la com consciência e ética. O professor
deve ensinar o aluno a buscar o conhecimento, a preservar-se das armadilhas da
internet, evitando exposição excessiva, e a opinar com responsabilidade. Este é
o desafio de todo educador e uma responsabilidade que precisamos agregar a
tantas outras já postas à nossa profissão.
REFERÊNCIAS
GUZZI,
Drica. Web e participação: a democracia no século XXI. São Paulo: Editora Senac
São Paulo, 2010.
PALFREY,
John; GASSER, Urs. Nascidos na era digital: entendendo a primeira geração dos
nativos digitais. Porto Alegre:Artmed, 2011.