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domingo, 23 de junho de 2019

EU, IMIGRANTE DIGITAL


          A partir dos anos 80 vivenciei uma revolução tecnológica que alterou completamente meu relacionamento com o mundo. A era digital, segundo Guzzi (2006, p. 26), transformou os setores da vida individual e da sociedade ao ponto em que ampliou, principalmente, através das redes virtuais o acesso à informação e diminuiu as barreiras da comunicação, o que possibilitou a globalização. Por outro lado, diante dessas conexões muitos conceitos rapidamente tornam-se desatualizados. Esta revolução digital exigiu de mim um esforço diário de atualização e adaptação às novas tecnologias e também às possibilidades que se abriram no trabalho, nos estudos, no meu gerenciamento financeiro e nas interações sociais. Foi preciso coragem para explorar, aprender e fazer uso de novas ferramentas.
          Em contrapartida, as crianças e os adolescentes de hoje, chamados de “nativos digitais”, por serem frutos da era da informação e da comunicação têm acesso a uma gama enorme de conteúdos e uma relação de muita intimidade com a tecnologia. O termo “nativos digitais” foi adotado por Palfrey e Gasser no livro Nascidos na era digital. Refere-se àqueles nascidos após 1980 e que tem habilidade para usar as tecnologias digitais. Eles se relacionam através das redes sociais e interagem naturalmente com as mídias digitais. Porém, aqueles que, como eu, não se enquadram nesse grupo precisam aprender a conviver e interagir com esses nativos e, além disso, adaptar-se a uma vertiginosa sucessão de  inovações tecnológicas, são os chamados imigrantes digitais (PALFREY; GASSER, 2011).
         Desta forma, meu papel como educadora, assim como daqueles professores que, como eu, são imigrantes digitais, não reside em apresentar a tecnologia aos alunos, mas em ensiná-los a usá-la com consciência e ética. O professor deve ensinar o aluno a buscar o conhecimento, a preservar-se das armadilhas da internet, evitando exposição excessiva, e a opinar com responsabilidade. Este é o desafio de todo educador e uma responsabilidade que precisamos agregar a tantas outras já postas à nossa profissão.

REFERÊNCIAS
GUZZI, Drica. Web e participação: a democracia no século XXI. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2010.
PALFREY, John; GASSER, Urs. Nascidos na era digital: entendendo a primeira geração dos nativos digitais. Porto Alegre:Artmed, 2011.