Mariângela Momo destaca a
reformulação da infância e da juventude provocada pela mídia e
pela cultura consumista em seu artigo “Mídia e Consumo na Produção
da Infância Pós-moderna”. Propõe que tudo é objeto de desejo,
transformando, assim, crianças em consumidores potenciais que
pertencem ao modo de produção capitalista e, para que sejam aceitas
e sintam-se identificadas com o grupo a qual pertencem, precisam
estar sempre adquirindo e aderindo às novidades comerciais. A mídia
é colocada pela autora como agente da formação desta cultura
comum, deste modo de pensar e comportar-se.
O foco do artigo permite uma
reflexão pertinente sobre o papel da escola nesta sociedade dita
pós-moderna. Afinal o bullying pode ser considerado uma consequência
dos valores consumistas manifestada no ambiente escolar. Indivíduos
que não pertencem ao “padrão” de consumo ou, até mesmo, de
beleza estipulados pela mídia são excluídos ou sofrem com agressão
física, psicológica. Por isso, dentro da escola é primordial
aprendizagem de virtudes como tolerância, respeito, e empatia entre
colegas. O desenvolvimento de atividades inclusivas e a retaliação
às ações discriminatórias são medidas essenciais para
desconstruir preconceitos e atribuir relevância a valores mais
cidadãos. A lei do Programa de Combate à Intimidação sancionada
este ano pela presidente Dilma Rousseff e que entrará em vigor em
Março de 2016 é uma medida relevante para reforçar a importância
de prevenir este tipo de agressão.