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segunda-feira, 28 de março de 2016
A AUTONOMIA DA PALAVRA
A tarefa proposta, nesse início de semestre, no Seminário Integrador foi a qualificação dos textos escritos no nosso blog, bem como a análise dos textos dos colegas buscando sugerir alternativas para qualificá-los. Para realizar a tarefa foi preciso reler o que eu havia escrito no semestre passado, reler com um distanciamento que permitisse um olhar crítico. Estranhamente, quando reli meus textos senti como se o estivesse fazendo pela primeira vez, embora tenha consciência do envolvimento e do esforço dispendido na escrita de cada um deles. Sempre considerei de muita responsabilidade o ato de escrever, registrar sentimentos e opiniões que num determinado momento são a expressão de minhas verdades, porque a muito tempo percebi que a palavra posta ganha autonomia, não mais pertence a quem escreveu, mas a quem afeta de alguma forma. Daí a responsabilidade, uma vez feito o registro, o autor perde o controle da palavra, não pode evitar que atinja a quem lê, portanto é preciso cautela.
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
Novas Gerações x Preconceito Racial
O artigo "A diferença étnico-racial em livros brasileiros para crianças: análise de três tendências contemporâneas" investiga as diferentes obras literárias produzidas para o público infantil e demonstra que a questão racial é tratada geralmente de três formas diferentes nos enredos: problematizando o preconceito, introduzindo uma pensonagem negra como protagonista de uma história aleatória ou exaltando a diversidade étnica brasileira. A conclusão é que em alguns livros ainda se mantém uma visão conservadora e preconceituosa, entretanto, essa literatura infantil tem sido uma aliada na discussão das diferenças étnico-raciais, introduzindo o ensino da história e cultura afro-brasileira como obriga a lei A lei 10.639, diluída no currículo e não apenas em datas pré-estabelecidas. As mudanças de comportamento ocorrem de forma lenta e muitas vezes são necessárias várias gerações e um investimento em educação para que se obtenha os resultados desejados. Lançar luz ao problema é um primeiro passo para transformação social, ninguém nasce preconceituoso, a sociedade nos corrompe, por isso é importante tratar das diferenças na escola e fomentar a reflexão a cerca da formação étnica e cultural do nosso povo.
A reportagem veiculada pelo Jornal do Almoço, no Dia da Consciência Negra neste ano, demonstrou a importância da introdução da questão racial já na infância. Enquanto a maior parte dos adultos negaram ser preconceituosos e, até mesmo, um entrevistado insultou uma mulher negra durante a entrevista, um jovem destacou-se pela sua sinceridade, declarando-se racista, por ser um produto da nossa sociedade. Ele esclareceu sua opinião com embasamento histórico e considerou a possibilidade e o desejo de mudança. Demonstrou responsabilidade social, sendo, então, elogiado pelo repórter Emanuel Soares, que é negro. Talvez pareça contraditório uma vítima de preconceito aprovar uma confissão como esta, mas a atitude do rapaz aponta para mudanças nas novas gerações, que estão mais abertas a reconhecerem seus defeitos e a retificá-los, evidencia uma coragem para admitir sentimentos enraizados na nossa cultura, o que pode ser o estopim para as mudanças sociais.
sábado, 5 de dezembro de 2015
Bullying na Escola
Mariângela Momo destaca a
reformulação da infância e da juventude provocada pela mídia e
pela cultura consumista em seu artigo “Mídia e Consumo na Produção
da Infância Pós-moderna”. Propõe que tudo é objeto de desejo,
transformando, assim, crianças em consumidores potenciais que
pertencem ao modo de produção capitalista e, para que sejam aceitas
e sintam-se identificadas com o grupo a qual pertencem, precisam
estar sempre adquirindo e aderindo às novidades comerciais. A mídia
é colocada pela autora como agente da formação desta cultura
comum, deste modo de pensar e comportar-se.
O foco do artigo permite uma
reflexão pertinente sobre o papel da escola nesta sociedade dita
pós-moderna. Afinal o bullying pode ser considerado uma consequência
dos valores consumistas manifestada no ambiente escolar. Indivíduos
que não pertencem ao “padrão” de consumo ou, até mesmo, de
beleza estipulados pela mídia são excluídos ou sofrem com agressão
física, psicológica. Por isso, dentro da escola é primordial
aprendizagem de virtudes como tolerância, respeito, e empatia entre
colegas. O desenvolvimento de atividades inclusivas e a retaliação
às ações discriminatórias são medidas essenciais para
desconstruir preconceitos e atribuir relevância a valores mais
cidadãos. A lei do Programa de Combate à Intimidação sancionada
este ano pela presidente Dilma Rousseff e que entrará em vigor em
Março de 2016 é uma medida relevante para reforçar a importância
de prevenir este tipo de agressão.
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