segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Jogos Matemáticos

Sou formada em Licenciatura em Ciências pela PUC e sempre trabalhei com matemática no ensino fundamental séries finais. Trabalho na Escola Stella Maris em Alvorada e atualmente estou na vice-direção e na supervisão escolar por isso sempre que é necessário solicito as minhas colegas que estão em sala de aula que disponibilizem um tempo para eu aplicar as atividades com os alunos, geralmente no fundamental 1.
Tenho 15 anos de experiência em sala de aula e 6 na supervisão escolar. As experiências mais relevantes da minha atuação são aquelas que envolvem jogos matemáticos. Nos dois últimos anos que atuei em sala de aula experimentei trabalhar os conceitos de equações do primeiro grau com material concreto. Percebi que desta forma os ganhos são relevantes, as crianças se interessam pelo conteúdo e os conceitos envolvidos são apreendidos com maior facilidade, os erros diminuem e os alunos ficam mais seguros.

Raciocínio Multiplicativo

A tarefa de matemática desta semana era explicar como introduzimos o ensino da multiplicação e divisão, foi uma tarefa desafiadora porque às vezes é difícil explicar nossa prática.
O raciocínio multiplicativo envolve relações fixas entre variáveis, por exemplo, entre quantidades e grandezas abrangendo ações de correspondência um para muitos, distribuição e divisão. A multiplicação envolve mais do que a adição de parcelas iguais, pois abarca a proporcionalidade, a combinatória e os cálculos de área.
É importante que se explore todas essas aplicações da multiplicação para a construção dos conceitos envolvidos no campo multiplicativo, o uso dos materiais concretos, da malha quadriculada e de jogos é fundamental antes que se introduzam os algoritmos da multiplicação e divisão.
Sempre inicio a multiplicação e divisão explorando esses conceitos em jogos e desafios, a construção da tabuada e as situações envolvendo divisões com material concreto facilitarão o entendimento do algoritmo.
Ao introduzir a divisão utilizo principalmente figurinhas que eles sempre têm em abundância.
Os desafio a repartir, por exemplo, 10 figurinhas por 2 alunos, por 5, por 4, por 3. Neste caso eles mesmos não permitem que alguém receba mais. Quando trabalhamos com balas sempre alguém sugere o corte em partes.

Ciência e Construtivismo

A ciências naturais podem auxiliar na construção de ideias cada vez mais complexas do mundo simplesmente questionando, instigando, tirando o aluno da zona de conforto ao provocar uma desestruturação nas suas certezas. Observar o mundo e buscar respostas às questões que resultam desta observação é o caminho para construção de conhecimento. O professor precisa orientar o trabalho do aluno mantendo uma relação mais próxima, sendo uma referência para ele, um parceiro de trabalho, sabendo escutar e criando um ambiente pedagógico produtivo.

ENSINAR X APRENDER

Ensinar história para os pequenos é um desafio principalmente quando nos atemos às datas comemorativas de forma aleatória e sem contextualização. É preciso construir a ideia de passado, presente e futuro e desenvolver o conceito de tempo sob o ponto de vista da história. As crianças têm que perceber que existe a história escrita e a que estamos construindo diariamente enquanto seres históricos. O segredo é ouvir mais as crianças para aprendendo com elas, investigando como elas pensam o mundo, encontrarmos o caminho para fazermos as intervenções certas.

Educação Física na Escola Estadual

A educação física se faz importante no âmbito escolar desde o momento do ingresso dos alunos. É na escola que todas as pessoas começam a praticar atividades físicas e que  desenvolvem certas habilidades que devem ser trabalhadas e maturadas neste espaço destinado a essa disciplina. Infelizmente, os(as) professores (as) de currículo não possuem embasamento para que essas competências sejam transmitidas para os alunos de maneira correta, o que faz com que seja ainda mais importante a presença de um professor de Educação Física nas escolas estaduais desde o início das formação das crianças. Essas atividades ajudam a trabalhar conceitos como a lateralidade, que exemplifica a direção (esquerda, direita, para frente e para trás). A lateralidade nesse caso, colabora para que os alunos adquiram noção de espaço-tempo, importantes para o sucesso outras disciplinas, como a matemática. 

Algumas Conclusões Sobre o Portfólio de Porto Alegre

O portfólio sobre Porto Alegre como análise da história da cidade e projeção dos alunos como protagonistas desta história permitiu inserir uma visão de ser histórico em cada um deles. Além de desenvolverem a ideia de tempo, também foi introduzida a noção de agentes modificadores dentro do espaço em que vivem. É uma atividade muito abrangente, porque demonstra que todos temos uma história e que nossa história remete a história do local onde vivemos e é isso que constrói quem nós somos: nossas raízes e antepassados. A partir da árvore genealógica percebemos que nossa cidade, assim como o estado e o país, é basicamente formada por imigrantes e que possuímos uma riqueza cultural enorme. As conclusões são inúmeras, desde uma análise sobre os povos indígenas que aqui habitavam e sua condição atual, até a importância do mercado público na cultura umbandista. Infelizmente não é possível trabalhar tudo em sala de aula, mas uma pequena parcela de aprendizagem já consegue ajudar os alunos a adquirirem um conhecimento amplo e imprescindível enquanto cidadãos.

O tempo e a Comunicação

Estudar os meios de comunicação se tornou muito mais dinâmico com a utilização da internet. Alguns aparelhos, que não existem mais e que as crianças não conhecem, são facilmente demonstrados por imagens e explicados por sites de pesquisa como o Wikipedia. Temos acesso a um universo de informação que permite aos professores aprofundarem e inovarem sua metodologia com os alunos. Quando construí o jogo da linha do tempo para organizar com os alunos os meios de comunicação na ordem que eles acreditavam que haviam surgido, encontrei diversas imagens que demonstraram o grande avanço da tecnologia. Por exemplo, a televisão é algo que as crianças possuem contato e poderiam se enganar se utilizasse uma foto atual quanto a data de seu surgimento. Pensei: será que elas reconheceriam um aparelho antigo de imagem preto e branca? O celular se aplica nessa mesma comparação. 
Este exercício de organização dos meios de comunicação permitiu aos alunos uma reflexão sobre a evolução dos objetos ao longo do tempo, sobre a transformação tecnológica e sobre o impacto disso no nosso cotidiano. Eles ficaram intrigados com a diferença entre a forma dos aparelhos em sua origem e seu modelo atual. Por isso conduzi eles a refletirem sobre seu futuro e quais seriam os próximos avanços da tecnologia, o que rendeu ideias bastante criativas.