segunda-feira, 22 de maio de 2017

DIÁRIO DE CLASSE

Estou dando andamento aos projetos de aprendizagem com os alunos do oitavo ano. Esta semana foi dedicada à socialização das primeiras descobertas, os alunos  trouxeram muitas novidades relativas às pesquisas dos grupos. Vou enumerar algumas que achei muito interessantes:
                              
*O grupo que está pesquisando sobre refrigerantes trouxe um vídeo- disponível em https://www.youtube.com/watch?v=d2JuaCXUSUQ- que compara a quantidade de açúcar contida em uma coca-cola normal e uma light. No final do vídeo o recipiente que contém a coca-cola normal apresenta uma grande quantidade de açúcar (em forma de um melado) e o com coca-cola light fica com um pequeno resíduo no fundo. Depois do espanto em relação a quantidade de açúcar que contém o refrigerante, um aluno questiona o grupo: - Então é melhor beber a light que tem menos açúcar?
Fiquei esperando a resposta do grupo para depois fazer a intervenção, mas não foi necessário porque a resposta foi a seguinte: - Não. O melhor é não consumir nenhum porque aquilo que vocês estão vendo no fundo do recipiente que  contém a coca-cola light é adoçante. Eu li que este adoçante, que não lembro o nome agora, é cancerígeno.
Combinamos, então, que o grupo vai analisar os rótulos dos dois refrigerantes, compará-los e pesquisar mais sobre o assunto.

*O grupo que está pesquisando sobre obesidade trouxe alguns dados sobre obesidade infantil e focou bastante na responsabilidade dos pais em relação à qualidade da alimentação das crianças. Levantaram, ainda, a questão do bullying na escola a que estão sujeitos crianças e adolescentes gordinhos.

*O grupo que está pesquisando sobre o sódio trouxe vários rótulos de produtos, inclusive os de água mineral comparando as marcas com maior quantidade de sódio.

Estes são alguns exemplos dos primeiros resultados das pesquisas, que foram muito ricas até aqui e que geraram bastante discussão na turma. Alguns grupos, ainda, estão com dificuldades para dar andamento às pesquisas. Estou tentando dar algum suporte, porém como não estou diariamente em contato com a turma isto tem se tornado uma dificuldade. Em contrapartida, este trabalho tem ajudado bastante na interação da turma e principalmente na de alguns alunos mais tímidos que estão tendo a oportunidade de auxiliar os colegas nas áreas que tem conhecimento, como postagem de vídeos ou uso da internet.


domingo, 7 de maio de 2017

MÉTODOS GLOBALIZADOS

A atividade da disciplina Projeto Pedagógico em Ação, neste semestre,  é o desenvolvimento de projetos de aprendizagem com nossos alunos. Iniciei os projetos com o oitavo ano e após estabelecermos  os grupos de trabalho por temas de interesse, partimos para o inventário dos conhecimentos dos alunos sobre o tema que escolheram para pesquisa e para a relação de  suas dúvidas. A partir disso cada grupo elaborou seu plano de ação e, então, se iniciaram os problemas: como pesquisar se não há internet na escola? Se pesquisar em casa como trazer a pesquisa se não possuem pen drives?  Que outros métodos são possíveis de utilizar para apropriar-se dos conhecimentos desejados? Como compartilhar as descobertas com os colegas?
Estes problemas práticos relacionados a recursos  estão se resolvendo com muita criatividade e solidariedade, emprestando-se materiais, compartilhando recursos e adaptando-se o que se tem. Entretanto, surgiram também resistências dentro da turma, indagações do tipo: por que temos que pesquisar? O professor não deveria ensinar este conteúdo?
E, nesta hora, o que nos salva é a teoria, todos os textos que lemos e que dão sustentação à nossa prática. Através deles podemos criar uma consciência no nosso aluno, sustentar a importância do autoconhecimento e da gestão da aprendizagem. Orientar o aluno para a reflexão e a busca de autonomia faz parte da nossa função enquanto educadores.
“O pensamento reflexivo é uma capacidade. Como tal, não desabrocha espontaneamente, mas pode desenvolver-se. Para isso, tem de ser cultivado e requer condições favoráveis para o seu desabrochar” (Alarcao, 1996).

A condição favorável para desenvolver um pensamento reflexivo no educando passa por um projeto pedagógico que se utilize dos métodos globalizados de aprendizagem, rompendo, assim, com um ensino compartimentado e trazendo uma proposta inter ou transdisciplinar que propicie o desenvolvimento integral do aluno e a conquista de sua autonomia. 

quarta-feira, 26 de abril de 2017

HORA CERTA, LUGAR CERTO

[...] Clarice Lispector, escritora ucraniana que viveu no nosso país tem uma frase magnífica que, sintetizada, dizia: “O melhor de mim é aquilo que eu não sei”, ou, no escrito dela, “aquilo que desconheço é minha melhor parte”. Porque aquilo que já sei é mera repetição, mas aquilo que eu não sei é o que me renova, o que me faz crescer. O conhecimento é algo que me reinventa, recria, renova. Por isso, é preciso ter humildade para que possamos aprender a fazer melhor aquilo que fazemos. Para que aquilo que realizamos sirva para a vida em abundância. Você não precisa deixar o lugar em que está para fazer melhor. É fazer melhor onde você está. (CORTELLA, 2014 p.47).


Estamos iniciando os projetos do SI e tenho certeza de que, assim como eu, minhas colegas de grupo estão aproveitando esta oportunidade para reinventarem-se, todas estamos buscando fazer melhor  aquilo que fizemos diariamente: ensinar e aprender. Embora estejamos trabalhando com turmas bem diferentes- a Núbia no primeiro ano, a Ester com o terceiro e eu com o oitavo ano- pude perceber que  as três turmas têm em comum a vontade de aprender,  de viver a experiência  desta nova metodologia que lhes confere autonomia e protagonismo. Cada uma de nós irá enfrentar dificuldades na execução do projeto daqui pra frente, pois contamos com poucos recursos, minha escola, por exemplo, não tem internet, o que dificulta bastante a  ação. As gurias enfrentarão problemas em conduzir o projeto articulando com os conteúdos e com a alfabetização, porque exigirá  muita reflexão ao realizar o planejamento. Mas nossa realidade é esta e é com ela que teremos que lidar, nunca haverá uma ocasião perfeita, ou uma hora melhor. Parafraseando Cortella, este é o nosso lugar de fazer melhor. Vamos à luta!

sábado, 22 de abril de 2017

REFLEXÃO X AÇÃO


O texto de Alarcao, leitura proposta na interdisciplina de SI, apresenta o conceito de ser reflexivo ligado ao aspecto formativo do professor e do aluno. Na construção do blog nos tornamos reflexivos a partir destes dois lugares, enquanto alunos refletimos sobre a natureza do que aprendemos, buscamos comunicar nossa percepção sobre o objeto de aprendizagem de cada interdisciplina ligando as informações e construindo nosso conhecimento através das interações com nossa prática. No lugar de professores, refletimos sobre nossas ações à luz de tudo que nos é disponibilizado: metodologias, textos, vídeos, interações com os colegas nos fóruns, aulas presenciais...
Escrever no blog nos ajuda a avaliar nossa prática e é uma forma de buscar o auto-conhecimento, é um exercício de reflexão, como nos sugere o texto, na nossa ação, sobre nossa ação e para nossa ação enquanto professores e alunos do PEAD.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

PROFISSÃO: PROFESSOR

Esta semana iniciamos a disciplina Psicologia da Vida Adulta e sua proposta também  segue a linha de projetos de aprendizagem, o que é bom, pois assim poderemos exercitar esta prática e consolidá-la como metodologia de trabalho em nossas salas de aula. Nosso grupo de trabalho escolheu investigar as doenças ocupacionais que acometem os docentes, por se tratar de uma realidade com a qual convivemos cotidianamente.
O magistério vem perdendo prestígio ao longo dos anos e, em contrapartida, nunca houve tanta pressão para que o professor se atualize e consiga enfrentar os crescentes desafios da profissão. A atual desestruturação familiar e inversão de valores sociais atingem diretamente as escolas que, a cada ano, assumem mais e mais as obrigações que seriam do âmbito familiar e, até mesmo, do próprio estado. A inclusão de crianças com necessidades especiais nas escolas é outro fator que tem contribuído com o desgaste destes profissionais, pois não há nenhuma iniciativa de orientação adequada para os professores. Associam-se a tudo isto os baixos salários e excesso de carga horária e teremos o cenário propício para o desenvolvimento de doenças ocupacionais, acidentes de trabalho, depressão, síndrome do pânico e outras comorbidades resultantes do desgaste físico, emocional e psicológico dos docentes.

terça-feira, 4 de abril de 2017

NOSSO PRÓPRIO TEMPO

Segunda-feira, três de abril, aula do Seminário Integrador V (inacreditável como o tempo voa), a proposta foi refletir sobre o que constituiu para cada um de nós um entrave ou obstáculo  nos semestres anteriores do PEAD. Na maioria dos grupos surgiu a questão “tempo”, ou melhor, a falta dele. Uma colega alertou para o fato de que esta é uma peculiaridade da profissão de professor que cumpre uma carga horária excessiva e sempre tem uma infinidade de trabalhos extraclasse para realizar.  A falta de tempo para realizar as tarefas cotidianas foi a primeira coisa que me ocorreu também, assim como a maioria das minhas colegas, vivo constantemente correndo atrás de uma quantidade enorme de afazeres e  vou empurrando para amanhã ou depois os compromissos com aqueles que me são mais caros: o cinema com os filhos, o almoço com os pais,  o cafezinho com os amigos...
Todos os dias, abdicamos de pequenos prazeres, mas isto ocorre porque perseguimos um objetivo, queremos nos formar e  este é o nosso foco neste momento de nossas vidas. Esta dinâmica me fez lembrar os textos do semestre passado que abordavam a temática: tempo e espaço.
“Embora o tempo siga seu curso, temos de tomar consciência de que nosso tempo deve ser algo próprio, algo que nos ocorre e em que podemos intervir ativamente, convertendo-o em um tempo vivido e sentido e conscientemente assumido por cada um de nós.” (GÓMEZ, 2004, p.50).

Este tempo que estamos vivendo não é tempo perdido, é um tempo de que nos apropriamos conscientemente, tempo que assumimos para nossa formação, é um tempo vivido intensamente, mas do qual não precisamos nos tornar prisioneiros, com organização, disciplina e pró-atividade haveremos de encontrar um espaço de vida para além das escolas e do PEAD porque, afinal, ninguém é de ferro.

terça-feira, 28 de março de 2017

NOVOS DESAFIOS


Ontem, primeira aula do V eixo com as professoras Rosane e Aline  da disciplina de Projeto Pedagógico em Ação. Novos e grandes desafios para este semestre, trabalhar com projetos de aprendizagem. No eixo quatro vivenciamos como alunas esta experiência e agora precisamos aplicar o que aprendemos e orientar nossos alunos no desenvolvimento de seus projetos. Para mim uma experiência completamente inédita porque, embora já tenha trabalhado com projetos de ensino, nunca conduzi um projeto nestes moldes onde o professor não tem ideia dos temas de interesse que irão surgir e o rumo que as aulas irão tomar. O fato de termos  cinco metas a perseguir foi importante para dar um norte ao trabalho, mas a sensação de não estar totalmente no controle é bastante inquietante. Em contrapartida, surge uma curiosidade boa , uma vontade de iniciar logo e descobrir quais os interesses destes pequenos e  o  potencial de cada um na busca de conhecimento. Antes de tudo, porém muita leitura para nos apropriarmos  de conceitos que serão de grande utilidade nesta caminhada.