Estamos em pleno andamento da Meta 3 da interdisciplina de Projeto Pedagógico em Ação. Esta semana estamos construindo os mapas conceituais, achei esta a parte mais difícil do projeto até aqui porque os alunos nunca tinham feito um mapa conceitual e tive que explicar tudo passo-a-passo. Pesquisamos na internet alguns exemplos para servir de base à construção dos mapas dos grupos. Depois de muito fazer e desfazer, estamos chegando aos primeiros resultados satisfatórios. Certamente ainda teremos que melhorar estes primeiros esboços, mas estou satisfeita com os resultados até aqui. Alguns grupos desanimaram e resolveram deixar para depois, outros, entretanto, estão trabalhando com entusiasmo e já podemos expor alguns aqui no blog. A construção destes mapas só foi possível porque os alunos já estão se apropriando de conceitos importantes e estão utilizando os dados da pesquisa para compor seus mapas conceituais. Ainda estamos validando nossas certezas e pouco a pouco respondendo às dúvidas que deram origem às pesquisas. Novas dúvidas estão surgindo e procuro não oferecer respostas, mas estimular os grupos a irem em busca do conhecimento explorando várias fontes de pesquisa.
segunda-feira, 22 de maio de 2017
DIÁRIO DE CLASSE
Estou dando andamento aos projetos de
aprendizagem com os alunos do oitavo ano. Esta semana foi dedicada à socialização
das primeiras descobertas, os alunos trouxeram muitas novidades relativas às
pesquisas dos grupos. Vou enumerar algumas que achei muito interessantes:
*O grupo que está pesquisando sobre
refrigerantes trouxe um vídeo- disponível em
https://www.youtube.com/watch?v=d2JuaCXUSUQ- que compara a quantidade de açúcar
contida em uma coca-cola normal e uma light. No final do vídeo o recipiente que
contém a coca-cola normal apresenta uma grande quantidade de açúcar (em forma
de um melado) e o com coca-cola light fica com um pequeno resíduo no fundo.
Depois do espanto em relação a quantidade de açúcar que contém o refrigerante,
um aluno questiona o grupo: - Então é melhor beber a light que tem menos
açúcar?
Fiquei esperando a resposta do grupo para
depois fazer a intervenção, mas não foi necessário porque a resposta foi a
seguinte: - Não. O melhor é não consumir nenhum porque aquilo que vocês estão
vendo no fundo do recipiente que contém a coca-cola light é adoçante. Eu
li que este adoçante, que não lembro o nome agora, é cancerígeno.
Combinamos, então, que o grupo vai
analisar os rótulos dos dois refrigerantes, compará-los e pesquisar mais sobre
o assunto.
*O grupo que está pesquisando sobre
obesidade trouxe alguns dados sobre obesidade infantil e focou bastante na
responsabilidade dos pais em relação à qualidade da alimentação das crianças.
Levantaram, ainda, a questão do bullying na escola a que estão sujeitos crianças
e adolescentes gordinhos.
*O grupo que está pesquisando sobre o
sódio trouxe vários rótulos de produtos, inclusive os de água mineral
comparando as marcas com maior quantidade de sódio.
Estes são alguns exemplos dos primeiros
resultados das pesquisas, que foram muito ricas até aqui e que geraram bastante
discussão na turma. Alguns grupos, ainda, estão com dificuldades para dar
andamento às pesquisas. Estou tentando dar algum suporte, porém como não estou
diariamente em contato com a turma isto tem se tornado uma dificuldade. Em
contrapartida, este trabalho tem ajudado bastante na interação da turma e principalmente na de alguns alunos mais tímidos que estão tendo a oportunidade de auxiliar os
colegas nas áreas que tem conhecimento, como postagem de vídeos ou uso da
internet.
domingo, 7 de maio de 2017
MÉTODOS GLOBALIZADOS
A atividade da disciplina Projeto
Pedagógico em Ação, neste semestre, é o
desenvolvimento de projetos de aprendizagem com nossos alunos. Iniciei os
projetos com o oitavo ano e após estabelecermos
os grupos de trabalho por temas de interesse, partimos para o inventário
dos conhecimentos dos alunos sobre o tema que escolheram para pesquisa e para a
relação de suas dúvidas. A partir disso
cada grupo elaborou seu plano de ação e, então, se iniciaram os problemas: como
pesquisar se não há internet na escola? Se pesquisar em casa como trazer a
pesquisa se não possuem pen drives? Que
outros métodos são possíveis de utilizar para apropriar-se dos conhecimentos
desejados? Como compartilhar as descobertas com os colegas?
Estes problemas práticos relacionados
a recursos estão se resolvendo com muita
criatividade e solidariedade, emprestando-se materiais, compartilhando recursos
e adaptando-se o que se tem. Entretanto, surgiram também resistências dentro da
turma, indagações do tipo: por que temos que pesquisar? O professor não deveria
ensinar este conteúdo?
E, nesta hora, o que nos salva é
a teoria, todos os textos que lemos e que dão sustentação à nossa prática.
Através deles podemos criar uma consciência no nosso aluno, sustentar a
importância do autoconhecimento e da gestão da aprendizagem. Orientar o aluno
para a reflexão e a busca de autonomia faz parte da nossa função enquanto
educadores.
“O pensamento reflexivo é uma
capacidade. Como tal, não desabrocha espontaneamente, mas pode desenvolver-se.
Para isso, tem de ser cultivado e requer condições favoráveis para o seu
desabrochar” (Alarcao, 1996).
A condição favorável para
desenvolver um pensamento reflexivo no educando passa por um projeto pedagógico
que se utilize dos métodos globalizados de aprendizagem, rompendo, assim, com
um ensino compartimentado e trazendo uma proposta inter ou transdisciplinar que
propicie o desenvolvimento integral do aluno e a conquista de sua autonomia.
quarta-feira, 26 de abril de 2017
HORA CERTA, LUGAR CERTO
[...] Clarice Lispector, escritora
ucraniana que viveu no nosso país tem uma frase magnífica que, sintetizada,
dizia: “O melhor de mim é aquilo que eu não sei”, ou, no escrito dela, “aquilo
que desconheço é minha melhor parte”. Porque aquilo que já sei é mera repetição,
mas aquilo que eu não sei é o que me renova, o que me faz crescer. O
conhecimento é algo que me reinventa, recria, renova. Por isso, é preciso ter
humildade para que possamos aprender a fazer melhor aquilo que fazemos. Para
que aquilo que realizamos sirva para a vida em abundância. Você não precisa
deixar o lugar em que está para fazer melhor. É fazer melhor onde você está.
(CORTELLA, 2014 p.47).
Estamos iniciando os projetos do SI e tenho certeza de que,
assim como eu, minhas colegas de grupo estão aproveitando esta oportunidade
para reinventarem-se, todas estamos buscando fazer melhor aquilo que fizemos diariamente: ensinar e
aprender. Embora estejamos trabalhando com turmas bem diferentes- a Núbia no primeiro
ano, a Ester com o terceiro e eu com o oitavo ano- pude perceber que as três turmas têm em comum a vontade de
aprender, de viver a experiência desta nova metodologia que lhes confere
autonomia e protagonismo. Cada uma de nós irá enfrentar dificuldades na
execução do projeto daqui pra frente, pois contamos com poucos recursos, minha
escola, por exemplo, não tem internet, o que dificulta bastante a ação. As gurias enfrentarão problemas em
conduzir o projeto articulando com os conteúdos e com a alfabetização, porque
exigirá muita reflexão ao realizar o
planejamento. Mas nossa realidade é esta e é com ela que teremos que lidar,
nunca haverá uma ocasião perfeita, ou uma hora melhor. Parafraseando Cortella,
este é o nosso lugar de fazer melhor. Vamos à luta!
sábado, 22 de abril de 2017
REFLEXÃO X AÇÃO
O texto
de Alarcao, leitura proposta na interdisciplina de SI, apresenta o
conceito de ser reflexivo ligado ao aspecto formativo do professor e
do aluno. Na construção do blog nos tornamos reflexivos a partir
destes dois lugares, enquanto alunos refletimos sobre a natureza do
que aprendemos, buscamos comunicar nossa percepção sobre o objeto
de aprendizagem de cada interdisciplina ligando as informações e
construindo nosso conhecimento através das interações com nossa
prática. No lugar de professores, refletimos sobre nossas ações à
luz de tudo que nos é disponibilizado: metodologias, textos, vídeos,
interações com os colegas nos fóruns, aulas presenciais...
Escrever
no blog nos ajuda a avaliar nossa prática e é uma forma de buscar o
auto-conhecimento, é um exercício de reflexão, como nos sugere o
texto, na nossa ação, sobre nossa ação e para nossa ação
enquanto professores e alunos do PEAD.
quinta-feira, 20 de abril de 2017
PROFISSÃO: PROFESSOR
Esta semana iniciamos a disciplina Psicologia da Vida Adulta e sua proposta também segue a linha de projetos de aprendizagem, o que é bom, pois assim poderemos exercitar esta prática e consolidá-la como metodologia de trabalho em nossas salas de aula. Nosso grupo de trabalho escolheu investigar as doenças ocupacionais que acometem os docentes, por se tratar de uma realidade com a qual convivemos cotidianamente.
O magistério vem perdendo prestígio ao longo dos anos e, em contrapartida, nunca houve tanta pressão para que o professor se atualize e consiga enfrentar os crescentes desafios da profissão. A atual desestruturação familiar e inversão de valores sociais atingem diretamente as escolas que, a cada ano, assumem mais e mais as obrigações que seriam do âmbito familiar e, até mesmo, do próprio estado. A inclusão de crianças com necessidades especiais nas escolas é outro fator que tem contribuído com o desgaste destes profissionais, pois não há nenhuma iniciativa de orientação adequada para os professores. Associam-se a tudo isto os baixos salários e excesso de carga horária e teremos o cenário propício para o desenvolvimento de doenças ocupacionais, acidentes de trabalho, depressão, síndrome do pânico e outras comorbidades resultantes do desgaste físico, emocional e psicológico dos docentes.
terça-feira, 4 de abril de 2017
NOSSO PRÓPRIO TEMPO
Segunda-feira, três de abril,
aula do Seminário Integrador V (inacreditável como o tempo voa), a proposta foi
refletir sobre o que constituiu para cada um de nós um entrave ou obstáculo nos semestres anteriores do PEAD. Na maioria
dos grupos surgiu a questão “tempo”, ou melhor, a falta dele. Uma colega
alertou para o fato de que esta é uma peculiaridade da profissão de professor
que cumpre uma carga horária excessiva e sempre tem uma infinidade de trabalhos
extraclasse para realizar. A falta de
tempo para realizar as tarefas cotidianas foi a primeira coisa que me ocorreu
também, assim como a maioria das minhas colegas, vivo constantemente correndo
atrás de uma quantidade enorme de afazeres e vou empurrando para amanhã ou depois os compromissos
com aqueles que me são mais caros: o cinema com os filhos, o almoço com os
pais, o cafezinho com os amigos...
Todos os dias, abdicamos de
pequenos prazeres, mas isto ocorre porque perseguimos um objetivo, queremos nos
formar e este é o nosso foco neste
momento de nossas vidas. Esta dinâmica me fez lembrar os textos do semestre
passado que abordavam a temática: tempo e espaço.
“Embora o tempo siga seu curso, temos
de tomar consciência de que nosso tempo deve ser algo próprio, algo que nos
ocorre e em que podemos intervir ativamente, convertendo-o em um tempo vivido e
sentido e conscientemente assumido por cada um de nós.” (GÓMEZ, 2004, p.50).
Este tempo que estamos vivendo
não é tempo perdido, é um tempo de que nos apropriamos conscientemente, tempo
que assumimos para nossa formação, é um tempo vivido intensamente, mas do qual
não precisamos nos tornar prisioneiros, com organização, disciplina e pró-atividade
haveremos de encontrar um espaço de vida para além das escolas e do PEAD porque,
afinal, ninguém é de ferro.
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