domingo, 2 de julho de 2017

PROJETOS DE APRENDIZAGEM

Após semanas do início dos Projetos de Aprendizagem (PA'S), quando escolhemos os temas de pesquisa e iniciamos nossa caminhada passando por todas as etapas como: inventário dos conhecimentos,  elaboração das tabelas de dúvidas e certezas,  construção dos mapas conceituais, estabelecimento do plano de ação e de inúmeras  pesquisas, debates e retomadas do processo, finalmente iremos apresentar os resultados do nosso trabalho.
A metodologia de aprendizagem por projetos inclui situações-problema, como propõe PERRENOUD (2000), na qual reforça o papel do aluno em participar de um esforço coletivo para elaborar um projeto e construir novas competências. Ele tem direito a ensaios e erros e é convidado a expor suas dúvidas, a explicitar seus raciocínios, a tomar consciência de suas maneiras de aprender, de organizar o conhecimento e de comunicar-se. 

Esta semana iniciaremos as apresentações dos PA'S com a seguinte proposta: cada grupo deverá apresentar sua síntese em forma de PowerPoint para os colegas da turma e do outro oitavo ano assistirem, além disto foi solicitado um trabalho escrito. Cada aluno receberá uma ficha para avaliação dos grupos. Os alunos estão empolgados em se apresentar e compartilhar suas aprendizagens, embora um pouco apreensivos devido à exposição. Para nós professores foi um desafio instrumentalizar os alunos para este processo de educação continuada, ensiná-los a aprender por conta própria, com autonomia e capacidade de gerenciamento da sua própria formação. 
Segundo Vasconcelos e Brito(2006, p.98) a dialética entre o aprender e o ensinar constitui um ciclo gnosiológico,  que se dá pela prática e pela pesquisa favorecendo a autonomia dos educandos.
Como educadores estamos satisfeitos em ter dado este primeiro passo em busca de mudanças nas nossas práticas pedagógicas e orgulhosos com os resultados obtidos até aqui.


                                    



segunda-feira, 12 de junho de 2017

O PODER DA PUNIÇÃO

Esta semana estava lendo uma reportagem sobre os privilégios dos juízes e não pude deixar de fazer comparações com os professores. Os juízes assim como os professores gozam de dois meses de férias, porém, ao contrário dos professores, não são questionados por isso e nem por receberem 50% de adicional de férias. Outro ponto de convergência entre as duas profissões são os chamados "pendurucalhos" na composição do salário de ambos, com um pequeno detalhe, enquanto mesmo com os pendurucalhos o salário dos professores continua sendo miserável; o salário dos juízes que chega a R$ 33 mil reais é acrescido de pendurucalhos bem polpudos, como por exemplo: auxílio moradia em torno de R$ 4000, mesmo que possuam casa própria, auxílio creche, auxílio alimentação, auxílio saúde, auxílio formação, auxílio para compra de livros ( em torno de R$ 3000) e outros auxílios que podem elevar os rendimentos de um ministro do STF a R$ 350.000. 
Não é possível ler os textos propostos na interdisciplina de Organização do Ensino Fundamental referente à importância do projeto político pedagógico das escolas para uma educação pública de qualidade e ler sobre esta discrepância nos salários dos juízes e não estabelecer comparações ou medir forças. Como é possível mudar este país através da educação, se os professores estão cada vez mais desvalorizados, empobrecidos e impossibilitados de aperfeiçoar sua formação. Enquanto um juiz recebe R$ 3000  para comprar livros, o professor está totalmente excluído do acesso à cultura. Como o professor pode formar cidadãos críticos, capazes de transformar sua realidade, se sua profissão lhe confere tão pouco para viver com dignidade. 
Se compararmos a situação do judiciário com países como a Suécia onde os juízes recebem salários que variam entre 50 a 100 mil coroas suecas- o equivalente a R$ 16,5 mil a R$ 33mil, respectivamente, para viver em um país que tem um dos mais altos impostos do mundo e um dos custos de vida mais elevados do planeta teremos uma ideia do quanto nossos juízes estão advogando em causa própria votando seus próprios aumentos. Os juízes suecos não recebem nem um tipo de auxílio Göran Lambertz, juiz do Supremo Tribunal da Suécia, alerta:

 "O judiciário de um país deve ter o respeito inabalável de seus cidadãos, porque uma das consequências da perda de respeito do cidadão pelos juízes, é que as pessoas acabam perdendo o respeito pela lei, Luxo pago com o dinheiro do contribuinte é imoral e  antiético"

O que se pode dizer de uma sociedade que privilegia a este ponto e com imensa tolerância o poder  judiciário, uma sociedade onde a mão que pude tem mais valor que a mão que educa. 
  



domingo, 4 de junho de 2017

GESTÃO DEMOCRÁTICA

                              
A gestão democrática nas escolas ainda está dando seus primeiros passos. Em muitas escolas podemos observar o ranço do autoritarismo e uma forma centralizada de exercer o poder. Ainda que eleitos de forma democrática, muitos diretores, talvez por uma hierarquia histórica, assumem uma posição de dominação tomando, sozinhos, decisões relevantes que afetam toda comunidade escolar.
  A escola deve ser o embrião da cidadania por isso é preciso administrá-la de forma democrática assegurando assim que as crianças aprendam desde cedo a importância da autonomia e da participação nas decisões que as afetam e à comunidade em que vivem.
           A LDB dispõe que:
Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas de gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
 I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto político-pedagógico da escola;
 II – participação das comunidades escolar e local em Conselhos Escolares ou equivalentes.
                 
A gestão democrática nas escolas é um processo que se concretiza quando pais, alunos e professores participam da administração da escola através da elaboração e acompanhamento do seu Projeto Político Pedagógico e da efetiva atuação nos conselhos escolares assumindo responsabilidades e participando com  igualdade na tomada de decisões. Este compartilhamento na administração da escola evita muitos conflitos, pois todos os atores da comunidade escolar passam a ter voz e a compartilharem de um interesse comum, a qualificação da escola pública. Nas palavras de Paulo Freire:                            
 “Tudo o que a gente puder fazer no sentido de convocar os que vivem em torno da escola, e dentro da escola, no sentido de participarem, de tomarem um pouco o destino da escola na mão, também. Tudo o que a gente puder fazer nesse sentido é pouco ainda, considerando o trabalho imenso que se põe diante de nós que é o de assumir esse país democraticamente.”                           

A escola deve ter um compromisso cotidiano com a gestão democrática visando efetivar sua função de formadora de cidadãos com habilidades de pensar criticamente, questionar e intervir na realidade.



segunda-feira, 29 de maio de 2017

UMA AULA PARA REFLETIR

A aula inaugural do Professor Carlos Roberto Jamil Cury ofereceu num curto espaço de tempo um panorama da política educacional brasileira desde o tempo do império até os dias atuais. De forma sucinta o professor nos conduziu ao entendimento do retrocesso que representa a medida provisória (MP) que altera a LDBEN. A aula foi esclarecedora ao demonstrar que a educação é campo de disputa política e nos lembrar do quanto é recente a  legislação que institui o direito à educação pública no Brasil, se comparada a países como a Noruega, onde este direito é garantido há 400 anos. Outro aspecto relevante foi o sentimento de que conquistas históricas como, por exemplo, a valorização da educação básica, enquanto conceito de formação do cidadão pode ser pulverizada por uma MP, de um governo ilegítimo, que serve a interesses capitalistas e tem como objetivo aprofundar as desigualdades sociais. Em relação às mudanças no ensino médio, fica a certeza de que estes burocratas nunca entraram em uma sala de aula, pois qualquer professor sabe o quanto é difícil para os adolescentes fazerem escolhas tão definitivas nesta fase da vida. Como podem escolher sem antes experimentar?

Os autores da MP desconhecem, ainda, a realidade das nossas escolas que, em sua maioria, não tem como oferecer aos alunos do ensino médio cinco itinerários diferentes com os recursos que lhes são disponibilizados

segunda-feira, 22 de maio de 2017

DIÁRIO DE CLASSE - PARTE II

Estamos em pleno andamento da Meta 3 da interdisciplina de Projeto Pedagógico em Ação. Esta semana estamos construindo os mapas conceituais, achei esta a parte mais difícil do projeto até aqui porque os alunos nunca tinham feito um mapa conceitual e tive que explicar tudo passo-a-passo. Pesquisamos na internet alguns exemplos para servir de base à construção dos mapas dos grupos. Depois de muito fazer e desfazer, estamos chegando aos primeiros resultados satisfatórios. Certamente ainda teremos que melhorar estes primeiros esboços, mas estou satisfeita com os resultados até aqui. Alguns grupos desanimaram e resolveram deixar para depois, outros, entretanto, estão trabalhando com entusiasmo e já podemos expor alguns aqui no blog. A construção destes mapas só foi possível porque os alunos já estão se apropriando de conceitos importantes e estão utilizando os dados da pesquisa para compor seus mapas conceituais. Ainda estamos validando nossas certezas e pouco a pouco respondendo às dúvidas que deram origem às pesquisas. Novas dúvidas estão surgindo e procuro não oferecer respostas, mas estimular os grupos a irem em busca do conhecimento explorando várias fontes de pesquisa. 


DIÁRIO DE CLASSE

Estou dando andamento aos projetos de aprendizagem com os alunos do oitavo ano. Esta semana foi dedicada à socialização das primeiras descobertas, os alunos  trouxeram muitas novidades relativas às pesquisas dos grupos. Vou enumerar algumas que achei muito interessantes:
                              
*O grupo que está pesquisando sobre refrigerantes trouxe um vídeo- disponível em https://www.youtube.com/watch?v=d2JuaCXUSUQ- que compara a quantidade de açúcar contida em uma coca-cola normal e uma light. No final do vídeo o recipiente que contém a coca-cola normal apresenta uma grande quantidade de açúcar (em forma de um melado) e o com coca-cola light fica com um pequeno resíduo no fundo. Depois do espanto em relação a quantidade de açúcar que contém o refrigerante, um aluno questiona o grupo: - Então é melhor beber a light que tem menos açúcar?
Fiquei esperando a resposta do grupo para depois fazer a intervenção, mas não foi necessário porque a resposta foi a seguinte: - Não. O melhor é não consumir nenhum porque aquilo que vocês estão vendo no fundo do recipiente que  contém a coca-cola light é adoçante. Eu li que este adoçante, que não lembro o nome agora, é cancerígeno.
Combinamos, então, que o grupo vai analisar os rótulos dos dois refrigerantes, compará-los e pesquisar mais sobre o assunto.

*O grupo que está pesquisando sobre obesidade trouxe alguns dados sobre obesidade infantil e focou bastante na responsabilidade dos pais em relação à qualidade da alimentação das crianças. Levantaram, ainda, a questão do bullying na escola a que estão sujeitos crianças e adolescentes gordinhos.

*O grupo que está pesquisando sobre o sódio trouxe vários rótulos de produtos, inclusive os de água mineral comparando as marcas com maior quantidade de sódio.

Estes são alguns exemplos dos primeiros resultados das pesquisas, que foram muito ricas até aqui e que geraram bastante discussão na turma. Alguns grupos, ainda, estão com dificuldades para dar andamento às pesquisas. Estou tentando dar algum suporte, porém como não estou diariamente em contato com a turma isto tem se tornado uma dificuldade. Em contrapartida, este trabalho tem ajudado bastante na interação da turma e principalmente na de alguns alunos mais tímidos que estão tendo a oportunidade de auxiliar os colegas nas áreas que tem conhecimento, como postagem de vídeos ou uso da internet.


domingo, 7 de maio de 2017

MÉTODOS GLOBALIZADOS

A atividade da disciplina Projeto Pedagógico em Ação, neste semestre,  é o desenvolvimento de projetos de aprendizagem com nossos alunos. Iniciei os projetos com o oitavo ano e após estabelecermos  os grupos de trabalho por temas de interesse, partimos para o inventário dos conhecimentos dos alunos sobre o tema que escolheram para pesquisa e para a relação de  suas dúvidas. A partir disso cada grupo elaborou seu plano de ação e, então, se iniciaram os problemas: como pesquisar se não há internet na escola? Se pesquisar em casa como trazer a pesquisa se não possuem pen drives?  Que outros métodos são possíveis de utilizar para apropriar-se dos conhecimentos desejados? Como compartilhar as descobertas com os colegas?
Estes problemas práticos relacionados a recursos  estão se resolvendo com muita criatividade e solidariedade, emprestando-se materiais, compartilhando recursos e adaptando-se o que se tem. Entretanto, surgiram também resistências dentro da turma, indagações do tipo: por que temos que pesquisar? O professor não deveria ensinar este conteúdo?
E, nesta hora, o que nos salva é a teoria, todos os textos que lemos e que dão sustentação à nossa prática. Através deles podemos criar uma consciência no nosso aluno, sustentar a importância do autoconhecimento e da gestão da aprendizagem. Orientar o aluno para a reflexão e a busca de autonomia faz parte da nossa função enquanto educadores.
“O pensamento reflexivo é uma capacidade. Como tal, não desabrocha espontaneamente, mas pode desenvolver-se. Para isso, tem de ser cultivado e requer condições favoráveis para o seu desabrochar” (Alarcao, 1996).

A condição favorável para desenvolver um pensamento reflexivo no educando passa por um projeto pedagógico que se utilize dos métodos globalizados de aprendizagem, rompendo, assim, com um ensino compartimentado e trazendo uma proposta inter ou transdisciplinar que propicie o desenvolvimento integral do aluno e a conquista de sua autonomia.