terça-feira, 12 de julho de 2016

QUEM TEM MEDO DA MATEMÁTICA?

QUEM TEM MEDO DA MATEMÁTICA?

A matemática é uma das ferramentas mais importantes para o desenvolvimento do intelecto humano, porém a forma como essa ferramenta é abordada na escola está em desacordo  com o processo de aprendizagem das crianças. É interessante observar que crianças acostumadas a lidar com dinheiro- fazer compras para casa, administrar a mesada e realizar  diversas outras atividades práticas que envolvem a lógica- na escola apresentam baixo rendimento na matemática. Alguns estudiosos desenvolveram pesquisas sobre  o porquê de muitas crianças fracassarem nesta área, como por exemplo, Freitag (1984) que afirma não haver relação entre o nível de desenvolvimento cognitivo e o rendimento escolar das crianças em matemática. Segundo ele:
    [...] “mesmo alunos que se encontram em estágio “certo” segundo a expectativa teórica de Piaget, ou seja, na entrada do estágio formal (ou nele em estabilização ou estabilizado) apresentam um nível muito elevado de notas baixas e mesmo reprovações (Freitag, 1984, p.199).    
O conhecimento lógico matemático segundo Piaget (1978), é uma construção que resulta da ação mental da criança sobre o mundo, construído a partir de relações que a criança elabora na sua atividade de pensar o mundo, e também das ações sobre os objetos. Portanto não pode ser ensinada por repetição ou verbalização.
Abordar  o ensino da matemática por meio de jogos e atividades lúdicas, dentro da proposta pedagógica da escola é uma forma de resolver problemas de forma significativa, potencializando, assim, a aprendizagem. Os jogos e brincadeiras possibilitam a apreensão de diversas habilidades necessárias à construção do raciocínio matemático de forma prazerosa e interessante para as crianças. Além disso, esta  prática pedagógica diminui o sentimento de incapacidade que alguns alunos têm em relação à matemática, melhorando sua autoestima.
 




PROTAGONISMO

PROTAGONISMO
Esta semana realizamos a Feira de Ciências na nossa escola e a sugestão foi trabalhar com projetos individuais, os alunos do 5º ao 9º ano fizeram seus projetos de acordo com seu interesse pessoal. Conduzimos os projetos conforme o que aprendemos nas aulas do seminário integrador III, isto é, a partir de questionamentos e interesses próprios formaram-se os grupos e os professores forneceram o suporte necessário, em todas as áreas do conhecimento. Cada grupo desenvolveu seu projeto para apresentação à comunidade escolar no dia da feira. Os resultados foram excelentes, os alunos deram seguimento aos projetos de forma independente e autônoma, pesquisaram e construíram a partir dos recursos que tinham e, com certeza, superaram seus limites e nossas expectativas. Essa troca de experiências e aprendizado ocorreu de tal forma que se inverteram os papéis, os professores fizeram-se ouvintes atentos às lições de química, física, matemática e biologia que os autores dos projetos ministraram. Talvez caiba aqui uma reflexão sobre a importância de colocar em prática aquela gama de teoria ofertada pela escola no dia-a-dia. Mais relevante do que decorar, é conseguir aplicar e dar sentido ao conhecimento adquirido em sala de aula. Os alunos demonstraram que são capazes de traduzir as palavras do caderno em ações concretas com ideias bem singulares. Às vezes, neste ideal de mentor e aprendiz, desconsideramos a capacidade do aluno e, por vezes, acabamos por nos surpreender com seu grande potencial. Ver que aquelas pessoas que temos contato diário possuem qualidades individuais incríveis gera um sentimento de orgulho e motivação para nos reinventarmos como professor e proporcionar o melhor que temos para uma classe com um futuro incerto e cheio de maravilhosas possibilidades. 

RIQUEZA DE HISTÓRIAS

RIQUEZA DE HISTÓRIAS

A atividade proposta na disciplina de Libras desta semana incluía o vídeo “O Perigo de uma História Única”, cujo  conteúdo é a palestra de uma escritora africana que aborda as consequências nefastas de formarmos opiniões baseadas em um único ponto de vista - logicamente com a intenção de que fizéssemos um link com nossos preconceitos em relação às pessoas surdas, o que, ao menos no meu caso, funcionou. É claro que o vídeo foi mais um entre tantos outros recursos utilizados nesta disciplina para ampliar nossa visão sobre a cultura surda, nos permitir entrar em contato com diversas histórias deslocando nosso olhar, antes focado no que considerávamos uma deficiência, para uma riqueza de histórias. Histórias que vão além de uma peculiaridade, histórias de luta para ter reconhecido um direito a língua e a participação na sociedade em igualdade de condições com os ouvintes. Histórias de superação, de conquistas, de talentos. Nesta disciplina aprendemos um pouquinho de Libras, mas o mais importante, desconstruímos alguns conceitos errados e deixamos de ser vulneráveis a uma história única.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

LUDICIDADE

Ao iniciar a leitura dos textos sobre ludicidade e as contribuições das colegas nos fóruns comecei a relembrar momentos da minha infância há muito tempo adormecidos na memória. Os jogos sempre fizeram parte das minhas brincadeiras preferidas e em casa meu pai sempre que podia participava dos jogos de tabuleiro, de cartas, dominó e toda sorte de outros jogos que tínhamos acesso. Hoje percebo o quanto foi importante este contato, a participação dos pais nas brincadeiras dos filhos estabelece um canal de comunicação que se estende a outros setores do relacionamento familiar. O fato do pai ou da mãe estarem presentes interagindo com as crianças nas brincadeiras proporciona uma intimidade conquistada em momentos prazerosos, de diversão e favorecem a introjeção de valores e atitudes positivas. 

ENCANTAMENTO PELA MÚSICA

A leitura dos textos de música me influenciou a buscar atividades que proporcionassem aos alunos vivências nesta área, por isso no mês de maio participamos de duas atividades muito interessantes: uma Oficina de Percussão na UFRGS  e um concerto da Orquestra de Câmara no Theatro São Pedro. As duas atividades tiveram uma grande aceitação dos alunos que participaram interagindo com os músicos.
Na oficina de percussão as crianças puderam manusear e tocar alguns instrumentos musicais, adoraram e contribuíram com seus conhecimentos e aptidões. No Theatro São Pedro usufruíram de uma    experiência musical fascinante: conheceram o funcionamento de uma orquestra e as peculiaridades do som de cada instrumento – violino, viola violoncelo e contrabaixo - o “concerto - aula” teve a participação especial de instrumentistas de sopros: flauta, oboé, clarinete, fagote e trompete. Durante o encontro, de aproximadamente 60 minutos,  apreciaram algumas obras de compositores célebres como: Mozart, Bach, Vivaldi. No repertório também  Ennio Morricone (ganhador do Oscar 2016 de melhor trilha sonora) e grandes nomes da MPB: Tom Jobim, Toquinho e Vinicius de Moraes.
Valeu muito a pena participar destas duas atividades e presenciar o encantamento dos alunos que num momento de puro prazer cantaram, tocaram e ouviram música de qualidade. A musicalidade é realmente um traço do ser humano, como lemos no texto da Leda  Maffioletti e cabe também à escola despertar o gosto pela música nos alunos.

INCLUSÃO X EXCLUSÃO

Na aula de Seminário Integrador III, desta semana, nos foi proposto responder a seguinte questão: “ A inclusão escolar é um problema ou uma solução?” 
A respeito deste questionamento faço as seguintes colocações:
- A nova política nacional de educação especial é um texto inovador que traça as diretrizes para que as redes de ensino reavaliem suas práticas educacionais no intuito de garantir o direito à educação para todos, propondo uma escola inclusiva, sem seleção ou segregação. O texto é explícito no que tange ao Atendimento Educacional Especializado – AEE orientando as escolas a organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade removendo barreiras e promovendo um atendimento que visa dar autonomia e independência aos alunos de inclusão dentro e fora da escola. O texto é maravilhoso, mas usando um ditado popular parece que  “colocou-se a carroça a frente dos bois”, ou  seja, ofertou-se as vagas na escola comum para os alunos de inclusão antes mesmo de preparar os professores e o ambiente escolar para recebê-los. Logo as escolas passaram a matricular alunos com todo tipo de  deficiências físicas e intelectuais sem que houvesse a implantação de salas de recursos, a oferta de professor auxiliar , a preparação dos ambientes para acessibilidade dos cadeirantes e principalmente a adaptação do currículo e das práticas pedagógicas.
Hoje todos sofrem as consequências, os professores porque não dão conta de atender  a todos os alunos numa sala de aula com poucos recursos e sem nenhum auxílio; os alunos porque não recebem o atendimento com a qualidade a que têm direito; os pais porque a escola não consegue atender a demanda dos filhos.
Preciso deixar claro que a resposta do nosso grupo foi que a inclusão é solução, porém não da forma como foi feita. E este é meu posicionamento pessoal, que reforço diariamente ao acompanhar  a trajetória escolar  dos muitos alunos de inclusão que fizeram ou fazem parte da nossa escola. Os benefícios são visíveis, pois as crianças aprendem a conviver com as diferenças acolhendo e auxiliando os colegas, sendo  este contato fundamental para o desenvolvimento socioafetivo  e cognitivo dos alunos com necessidades especiais .


quarta-feira, 22 de junho de 2016

PARA ALÉM DA INVISIBILIDADE

Nunca tinha pensado o que significa ser surdo numa sociedade de ouvintes, mas em minha defesa alego não ter em minhas relações mais próximas nenhuma pessoa nessas condições, portanto não acompanhei de perto o constrangimento e os empecilhos da falta de acessibilidade. Dois fatos incentivaram minha reflexão a respeito deste assunto. O primeiro foi o vídeo “Sou surda e não sabia” que me bateu como um balde de água fria em pleno inverno. Percebi, então, que eu era surda e não sabia: não me sensibilizava, não entendia, nem ao menos imaginava que uma pessoa podia sentir-se invisível na sociedade devido a barreira da língua. A realização de simples tarefas cotidianas como solicitar um pão na mercearia da esquina ou levar o filho ao médico se constituindo em verdadeiros desafios para estas pessoas eram situações que sequer havia imaginado. O outro fato ocorreu com uma colega de trabalho de 56 anos que foi ao médico, acompanhada da filha de 25. Na hora de marcar os exames, a secretária do médico se dirige a filha da minha amiga e começa a explicar os procedimentos, orientando-a a entrar na internet e verificar a preparação necessária e ignorando completamente minha colega, que a essas alturas já estava indignada por estar sendo tratada como uma analfabeta digital. Aparentemente os dois casos não têm uma relação, entretanto ambas as situações referem-se à acessibilidade e preconceito. Nos dois casos temos os indivíduos sendo tratados como invisíveis, sendo no primeiro caso por não ter acesso à linguagem oral e no segundo por ser considerada analfabeta digital em virtude da idade. Felizmente, para minha colega, o caso dela foi facilmente resolvido, ela questionou a secretaria por estar sendo excluída da conversa e declarou-se totalmente capaz de lidar com as tecnologias, apesar dos seus 56 anos. Para as pessoas surdas as dificuldades são maiores, por ser difícil romper as barreiras da língua e, embora a legislação atual favoreça o uso e apoie a difusão da Libras, ainda levará um tempo para que esses indivíduos tornem-se visíveis e incluídos de fato na sociedade.