quarta-feira, 22 de junho de 2016

PARA ALÉM DA INVISIBILIDADE

Nunca tinha pensado o que significa ser surdo numa sociedade de ouvintes, mas em minha defesa alego não ter em minhas relações mais próximas nenhuma pessoa nessas condições, portanto não acompanhei de perto o constrangimento e os empecilhos da falta de acessibilidade. Dois fatos incentivaram minha reflexão a respeito deste assunto. O primeiro foi o vídeo “Sou surda e não sabia” que me bateu como um balde de água fria em pleno inverno. Percebi, então, que eu era surda e não sabia: não me sensibilizava, não entendia, nem ao menos imaginava que uma pessoa podia sentir-se invisível na sociedade devido a barreira da língua. A realização de simples tarefas cotidianas como solicitar um pão na mercearia da esquina ou levar o filho ao médico se constituindo em verdadeiros desafios para estas pessoas eram situações que sequer havia imaginado. O outro fato ocorreu com uma colega de trabalho de 56 anos que foi ao médico, acompanhada da filha de 25. Na hora de marcar os exames, a secretária do médico se dirige a filha da minha amiga e começa a explicar os procedimentos, orientando-a a entrar na internet e verificar a preparação necessária e ignorando completamente minha colega, que a essas alturas já estava indignada por estar sendo tratada como uma analfabeta digital. Aparentemente os dois casos não têm uma relação, entretanto ambas as situações referem-se à acessibilidade e preconceito. Nos dois casos temos os indivíduos sendo tratados como invisíveis, sendo no primeiro caso por não ter acesso à linguagem oral e no segundo por ser considerada analfabeta digital em virtude da idade. Felizmente, para minha colega, o caso dela foi facilmente resolvido, ela questionou a secretaria por estar sendo excluída da conversa e declarou-se totalmente capaz de lidar com as tecnologias, apesar dos seus 56 anos. Para as pessoas surdas as dificuldades são maiores, por ser difícil romper as barreiras da língua e, embora a legislação atual favoreça o uso e apoie a difusão da Libras, ainda levará um tempo para que esses indivíduos tornem-se visíveis e incluídos de fato na sociedade.

segunda-feira, 28 de março de 2016

O QUE OS PAIS ESPERAM DA ESCOLA?

O que os pais esperam da escola?

        Certamente que ela seja capaz de ensinar  coisas significativas que contribuam para formação  intelectual, moral, social e afetiva de seus filhos.  Uma escola tradicional preocupada em dar conta de uma infinidade de conteúdos, com professores autoritários e alunos obedientemente realizando tarefas determinadas e sem conexão com seus interesses não é capaz de corresponder a esta expectativa. Um ambiente de aprendizagem pressupõe troca, inquietude, desacomodação, curiosidade  e acima de tudo prazer. A escola precisa oportunizar  às crianças experiências, de acordo com sua fase de desenvolvimento, experiências que resultem em aprendizagens cognitivas, sociais e afetivas.  

              Jean Piaget, um dos mais importantes pensadores do século XX, desenvolveu uma teoria conhecida como Construtivismo, nesta teoria Piaget explica como o brincar e o jogar estão relacionados à construção das estruturas mentais que nos tornam capazes de problematizar a realidade e solucionar problemas do nosso cotidiano. Segundo ele o conhecimento não se origina nem no sujeito, nem no objeto, mas na interação sujeito-objeto.   O faz-de-conta permite à criança esta interação sujeito-objeto, pois ao brincar a criança transforma o objeto: a cadeira pode ser um caminhão;  o boneco, um soldado;  o graveto, uma varinha mágica. Abrem-se, assim, as portas para as experiências e as representações dos  papéis mais diversos. O brincar também  é capaz de ajudar a criança a lidar com seus medos e angústias. Quando recria situações dolorosas e stressantes,  no ambiente seguro da fantasia, a criança  se sente capaz de dominá-las e assim se fortalece.  A socialização é outro grande benefício do brincar, pois no exercício da brincadeira desenvolvemos a empatia pelo outro, aprendemos a dividir, a negociar, a perder e a suportar as frustrações, habilidades de grande importância num convívio social saudável. Gravei este vídeo na turma da educação infantil de uma colega, sem que os alunos percebessem, a cena expressa muito bem o simbolismo característico desta fase do desenvolvimento infantil, por isso estou compartilhando aqui no blog.

A AUTONOMIA DA PALAVRA

A tarefa proposta, nesse início de semestre, no Seminário Integrador foi a qualificação dos textos escritos no nosso blog, bem como a análise dos textos dos colegas buscando sugerir alternativas para qualificá-los. Para realizar a tarefa foi preciso reler o que eu havia escrito no semestre passado, reler com um distanciamento que permitisse um olhar crítico. Estranhamente, quando reli meus textos senti como se  o estivesse fazendo pela primeira vez, embora tenha consciência do envolvimento e do esforço dispendido na escrita de cada um deles. Sempre considerei de muita responsabilidade o ato de escrever, registrar sentimentos e opiniões que num determinado momento são a expressão de minhas verdades, porque  a muito tempo percebi que a palavra posta ganha autonomia, não mais pertence a quem escreveu, mas a quem afeta de alguma forma. Daí a responsabilidade, uma vez feito o registro, o autor perde o controle da palavra, não pode evitar que atinja a quem lê, portanto é preciso cautela.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Por que as crianças chegam ao terceiro ano sem saber ler?






Escolhi este texto como qualificado pois considero que apresenta claramente as ideias, as premissas e as argumentações.

Na psicologia aprendemos que as crianças chegam à escola na fase descrita pelo psicanalista Sigmund Freud como fase de latência, ou seja, as crianças sublimam a energia sexual e a canalizam para o desenvolvimento intelectual, adoram jogos, são curiosos e observadores, principalmente em relação à natureza. Então se as crianças desejam aprender e cognitivamente estão aptas, porque não aprendem?

Descobri que a resposta é mais complexa do que suspeitava. Os meninos e meninas que chegam à escola trazem, além das mochilas, uma história de vida que muitas vezes é de violência, negligência e abandono. Estas crianças geralmente têm dificuldade de se alfabetizar. Na disciplina de alfabetização li que os fatores socieconômicos interferem na aprendizagem, porém não da forma que eu pensava. Não é porque tem desnutrição, porque sofrem maus tratos ou abusos, que as crianças não aprendem, o fator é econômico, mas está ligado à falta de oportunidade de aprender em casa e na pré-escola, dos zero aos seis anos. As crianças mais pobres não tem acesso a portadores de textos diversos, não tem acesso a cultura e muitas vezes os pais são analfabetos. Enquanto as crianças da classe média e da classe alta iniciam sua alfabetização muito cedo e já chegam alfabetizadas no primeiro ano, as crianças das classes sociais mais baixas chegam a escola com defasagem de 5 anos em relação a elas. O segundo fator tem também fundo econômico, pois alerta para falta de material necessário nas escolas e a falta de foco dos professores nas atividades de alfabetização. Muitas vezes a escola não tem uma sala de aula adequada com espaço ideal para se criar um ambiente alfabetizador, recursos como jornal do dia, computador e impressora estão longe da nossa realidade. Os jogos de alfabetização são escassos e há muitas crianças na sala. Mas, ainda assim, a maioria das crianças aprendem a ler e a escrever, enquanto algumas não conseguem. Esta é uma questão que inquieta, porque a escola não dá conta de ensinar essas crianças? Será por falta de metodologia e estímulos adequados? Sem uma rede de assistência com profissionais especializados, os motivos pelos quais estas crianças não aprendem ficam nos assombrando e o que resta é conviver com o sentimento de fracasso.

TRANSFERÊNCIA E CONTRATRANSFERÊNCIA ATUALIZADO

TRANSFERÊNCIA E CONTRATRANSFERÊNCIA - ORIGINAL

Analisando as relações professor-aluno podemos observar facilmente estes mecanismos de defesa, observo as crianças  da educação infantil e dos primeiros anos do ensino fundamental e percebo a verdadeira adoração que os pequenos têm pelas professoras e esta relação afetuosa se reflete na aprendizagem, é uma transferência positiva. Nos alunos da área também é possível encontrar este sentimento em relação aos professores, na minha escola as crianças são bastante carentes, não só de coisas materiais, mas de afeto mesmo, acho que por esse motivo se apegam tanto a alguns professores. Entretanto, infelizmente também é possível observar muitos conflitos causados também por transferência, só que negativa. Adolescentes normalmente são opositores e quando se deparam com professores mais autoritários podem desenvolver sentimentos hostis em relação a eles, Muitas vezes estes sentimentos são inconscientes, mas podem provocar no professor o que Freud chamou de contratransferência, o professor esquece, muitas vezes, que é o adulto nesta relação e embarca numa disputa com o aluno. É preciso que os professores estejam atentos para não reagirem de forma impensada às provocações dos estudantes, trabalhar com adolescentes requer paciência e controle emocional. O professor precisa aprender a canalizar a energia dos alunos para a aprendizagem e evitar conflitos desnecessários. 


Escolhi esta postagem para qualificar, pois entendo que poderia ter enriquecido mais minhas argumentações e organizado melhor minhas ideias.



TRANSFERÊNCIA E CONTRATRANSFERÊNCIA - ATUALIZADO


Freud, em seu livro “Estudo sobre histeria” conceitua transferência e contratransferência. Atualmente, considera-se a existência de três tipos de transferências possíveis – a positiva, a negativa e a erótica – e analisando as relações professor-aluno é possível exemplificar facilmente este mecanismo. Ao observar as crianças da educação infantil e dos primeiros anos do ensino fundamental, percebemos a verdadeira adoração que os pequenos têm por seus professores. Isto ocorre pois o contato diário com os pais – o qual estavam habituados – diminui com a entrada na vida escolar, dando início a uma interação contínua com seu/sua professor(a). Constrói-se, então, esta relação afetuosa que tem bons reflexos na aprendizagem e caracteriza-se como uma transferência positiva e semelhante ao Complexo de Édipo. Nos alunos da área também é possível encontrar este sentimento em relação aos professores: na minha escola as crianças são bastante carentes, não só de coisas materiais, mas de afeto também. Talvez por esse motivo se apeguem tanto a alguns professores e permitam por contratansferência que os docentes compartilhem seu conhecimento de maneira prazerosa e eficaz.
Também é possível observar conflitos causados por transferência negativa, pois adolescentes normalmente são opositores e quando se deparam com professores autoritários podem desenvolver sentimentos hostis em relação a eles. Como Freud explicou, estes sentimentos são inconscientes podendo provocar no professor uma contratransferência também negativa. É preciso que os professores estejam atentos para não embarcarem numa disputa com o aluno nem reagirem de forma impensada às provocações dos estudantes, afinal trabalhar com adolescentes requer paciência e controle emocional. A compreensão destes conceitos ajudam os docentes a canalizar a energia dos alunos para a aprendizagem e evitar conflitos desnecessários. Por isso, a disciplina de Psicologia torna-se essencial na medida que amplia nossos horizontes para compreendermos melhor a postura do aluno dentro de sala de aula.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Novas Gerações x Preconceito Racial

O artigo "A diferença étnico-racial em livros brasileiros para crianças: análise de três tendências contemporâneas" investiga as diferentes obras literárias produzidas para o público infantil e demonstra que a questão racial é tratada geralmente de  três formas diferentes nos enredos:  problematizando o preconceito,  introduzindo uma pensonagem negra como protagonista de uma história aleatória ou exaltando a diversidade étnica brasileira. A conclusão é que  em alguns livros ainda se mantém uma visão conservadora e preconceituosa, entretanto, essa literatura infantil tem sido uma aliada na discussão das diferenças étnico-raciais, introduzindo o ensino da história e cultura afro-brasileira como obriga a lei  A lei 10.639, diluída no currículo e não apenas em datas pré-estabelecidas. As mudanças de comportamento ocorrem de forma lenta e muitas vezes são necessárias várias gerações e um investimento em educação para que se obtenha os resultados desejados. Lançar luz ao problema é um primeiro passo para transformação social, ninguém nasce preconceituoso, a sociedade nos corrompe, por isso é importante tratar das diferenças na escola e fomentar a reflexão a cerca da formação étnica e cultural do nosso povo.
A reportagem veiculada pelo Jornal do Almoço, no Dia da Consciência Negra neste ano, demonstrou a importância da introdução da questão racial já na infância. Enquanto a maior parte dos adultos negaram ser preconceituosos e, até mesmo, um entrevistado insultou uma mulher negra durante a entrevista, um jovem destacou-se pela sua sinceridade,  declarando-se racista, por ser um produto da nossa sociedade. Ele esclareceu sua opinião com embasamento histórico e considerou a possibilidade e o desejo de mudança. Demonstrou responsabilidade social, sendo, então, elogiado pelo repórter Emanuel Soares, que é negro. Talvez pareça contraditório uma vítima de preconceito aprovar uma confissão como esta, mas a atitude do rapaz aponta para mudanças nas novas gerações, que estão mais abertas a reconhecerem seus defeitos e a retificá-los, evidencia uma coragem para admitir sentimentos enraizados na nossa cultura, o que pode ser o estopim para as mudanças sociais.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Infância e Violência

Acompanhei uma reportagem sobre as impressões das crianças  a respeito dos atentados terroristas na França, medo e  insegurança são os sentimentos que se sobressaíram nos depoimentos, embora a maioria não entenda a dimensão do ocorrido no país, sabem que de alguma forma estão em perigo, existe um risco que adivinham, que presentem. Como explicar às crianças tanta violência, o que fica no imaginário delas? Será que irão crescer alimentando esse ódio irracional?
 O sociólogo Zigmunt Bauman diz que estamos vivendo uma era pós-moderna, cuja característica é a fluidez das instituições e dos valores, acordamos do sonho da modernidade para o caos. Como podemos proteger as crianças deste caos, desta incerteza? Que adulto se tornarão neste mundo capitalista, que semeia ódio e intolerância entre os povos, em nome do lucro?
Dizem que da crise nascem as grandes ideias, será que podemos esperar que do caos surjam as soluções, os alicerces de um mundo mais justo e igualitário? Quando escuto as crianças, me encho de esperança que haja uma solução pacífica para tanta desavença e fico imaginando em que momento da nossa existência perdemos a ingenuidade e a pureza e nos tornamos capazes de matar e morrer em nome da intolerância, da xenofobia e do poder.