quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Por que o tempo escolar é insuficiente para dar conta das aprendizagens a que a escola se propõe?

Provavelmente são muitas as respostas a essa questão, entre elas podemos citar duas como mais relevantes: a organização da escola que fragmenta e engessa o tempo do professor e a carga horária exaustiva a que o professor precisa se submeter para conseguir manter um padrão de vida com um mínimo de dignidade.


O professor possui tempo limitado para planejar, para pensar suas práticas pedagógicas e, principalmente, para se atualizar e se apropriar de cultura – situação que já é inviabilizada pela falta de recursos financeiros. Infelizmente o que se percebe é que os profissionais da educação estão desistindo, se desiludindo, pois não conseguem nem ao menos se encontrar com seus pares para planejar um trabalho interdisciplinar ou para discutir ações e alternativas para o processo de ensino aprendizagem. Cada vez mais o professor se traveste em mero cuidador, responsável por manter a ordem e a disciplina e cumprir um programa falido e desvinculado da realidade para um grupo de alunos que não quer estar ali imóvel e sem voz. Nossas escolas não tem (e nunca tiveram) espaço físico adequado, material didático adequado, recursos humanos e financeiros suficientes e agora estão perdendo a única coisa que restava: o entusiasmo do professor, que se cansou de lutar contra moinhos de vento.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

GAIOLAS OU ASAS?



Há escolas que são gaiolas. Há
escolas que são asas. (Rubens Alves)

Não quero aqui cair no lugar-comum de vitimizar o professor, porque o professor é um profissional que, como qualquer outro, merece respeito e valorização, e não pena, porém preciso expressar minha insatisfação a respeito de algumas coisas que se falam e se escrevem sobre educação, no que diz respeito às mudanças que se fazem necessárias. Muitos discursos carecem de objetividade e, em geral, lançam suas teorias sempre na mesma direção: o professor com sua metodologia atrasada e estagnada.
A escola atual não tem mais a função única de ensinar, a própria legislação reconhece e amplia suas funções incluindo o “educar” e o “cuidar”, entretanto esse reconhecimento não vem acompanhado da devida instrumentalização dessa instituição. Muito se fala em mudanças, mas pouco se faz para fornecer ferramentas ao professor que viabilizem estas mudanças e, principalmente, muito pouco se investe nas escolas para melhorar sua estrutura e oferecer espaço físico e recursos pedagógicos adequados.
Escolher o magistério como profissão é uma opção carregada de intenções, de vontade de fazer diferente, mas a realidade de nossas escolas acaba minando e desmotivando o professor. Como retrata Rubens Alves referindo-se ao cotidiano do professor na sala de aula:

.. Ouvindo os seus relatos, vi uma jaula cheia de tigres
famintos, dentes arreganhados, garras à mostra – e os domadores com os seus chicotes,
fazendo ameaças fracas demais para a força dos tigres... Sentir alegria ao sair de casa
para ir à escola? Ter prazer em ensinar? Amar os alunos? O sonho é livrar-se de tudo
aquilo. Mas não podem. A porta de ferro que fecha os tigres é a mesma porta que os
fecha com os tigres.

Usando a metáfora do autor, a escola não é gaiola só para as crianças e adolescentes, é também para o professor a medida que não oferece absolutamente nada para atrair o aluno. Para ensinar, educar e cuidar, a escola precisa passar por uma profunda mudança de paradigma, precisa tornar-se, além de espaço de aprendizagem, espaço de lazer, de arte, de esporte, espaço de vida.

E o professor? Esse precisa ser instrumentalizado, capacitado para ensinar o voo aos seus alunos. Só se ensina o que se sabe, dessa forma nossas escolas serão asas e não gaiolas.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

ESCRITA COLETIVA

A proposta do Seminário Integrador desta semana foi um exercício de escrita diferente, nos foi dada uma citação para que construíssemos um texto onde fosse possível  encaixá-la. Considerei a ideia bastante criativa, pois geralmente buscamos uma citação para reforçar ou ratificar nossos argumentos, mas nesse exercício, em particular,  teremos de construir argumentos que justifiquem o uso de tal citação e que concomitantemente esteja em consonância com o tema apresentado. Será  um desafio interessante, principalmente por ser um texto de autoria coletiva, quando escrevemos sozinhos  ou pensamos em escrever sobre determinado assunto escolhemos um fio condutor e nos focamos de tal forma que muitas vezes não conseguimos vislumbrar outros pontos de vista ou outras vertentes de pensamento.

Escrever a quatro mãos pressupõe diversidade de  ideias a respeito de um mesmo tema, entretanto escrever em parceria com o outro requer também humildade, tolerância e respeito para abdicarmos  do nosso ponto de vista em alguns momentos e ao mesmo tempo firmeza para defendermos nossas ideias com convicção. Nessa tarefa, em especial, será preciso muita troca de ideias e integração para que o texto seja construído com coerência.

BOM RETORNO

Retornando às aulas com presencial de Seminário Integrador IV e a proposta é continuarmos qualificando nossas escritas. Reflexão, ação, frustrações, experiências, questionamentos e alegrias  do nosso cotidiano devidamente registradas aqui no blog para compor a síntese reflexiva do nosso quarto semestre (incrível como está passando rápido). Como nos ensina Paulo Freire: “Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão.

Então, que se inicie o semestre e que seja pleno de ideias, aprendizagens e novas práticas pedagógicas.

sábado, 23 de julho de 2016

JOGOS ELETRÔNICOS

As crianças estão iniciando cada vez mais cedo o uso de aparelhos eletrônicos, os pais acham incrível ver que os filhos se interessam pelo celular e tablete, antes mesmo de aprender a falar e a andar, entretanto essa precocidade pode não ser o melhor para o desenvolvimento infantil.
As novas gerações estão tendo seu direito a brincar tolhido pela falta de espaço, pela falta de tempo e pela insegurança das ruas o que aliado ao acesso fácil à tecnologia resultou na popularização dos jogos eletrônicos. Se por um lado os cientistas concordam que esses jogos podem melhorar a percepção da realidade e auxiliar na formação da personalidade, os prejuízos podem ser bem maiores e mais duradouros. As crianças que ficam jogando por muito tempo podem apresentar problemas de socialização, problemas de postura e lesões por movimentos repetitivos, mas o pior de todos os malefícios causados pelos jogos, são os distúrbios psicológicos: irritabilidade, agressividade, depressão e compulsão.

A escola, neste cenário, é um espaço seguro onde as crianças podem brincar umas com as outras, correr, fazer exercícios e desenvolver capacidades importantes, como a atenção, a memória, a imitação e a imaginação, sendo indispensável para reverter os malefícios do uso abusivo de tecnologias. Ao brincar, as crianças exploram a realidade e se apropriam da cultura na qual estão inseridas, compreendendo as regras e papéis sociais. Para além de estimular a curiosidade, a autoconfiança e a autonomia, o brincar proporciona o desenvolvimento da linguagem, do pensamento e da concentração, por isso o brincar tem de estar na escola.  

quinta-feira, 21 de julho de 2016

CONTOS DE FADAS MODERNO

CONTOS DE FADAS MODERNO

A disciplina de literatura propôs uma atividade sobre gênero em histórias infantis que permite conversar sobre inúmeras vertentes. Particularmente, constatei que em meio a tantas mudanças no comportamento feminino, os contos de fadas tradicionais parecem não se adequar aos padrões atuais. Enquanto retratam esteriótipos de mulheres completamente idealizadas - sempre com boa aparência, perfumadas e gentis e ao mesmo tempo donas de casa impecáveis - a realidade é que a expansão do movimento feminista ocorre junto com a mudança comportamental deste sexo: as universidades brasileiras já possuem mais estudantes do sexo feminino do que masculino; atualmente existe a divisão das tarefas domésticas entre integrantes da moradia; algumas propagandas destinadas à mulher já buscam uma abordagem que critica o machismo. Conclusão: histórias como "Branca de Neve", "Cinderela" e "A Bela Adormecida" se tornaram atemporais e precisam de uma releitura para transmitirem uma mensagem que seja realmente válida.
Nos contos de fada atuais já é possível verificar uma mudança significativa no retrato da mulher. Por exemplo, conseguimos contemplar personagens incríveis como a Mérida, do filme Valente. Esta princesa desconstrói qualquer padrão com seus ideais nada tradicionais, seus gestos e beleza nada delicados e sua paixão pelo arco e flecha. Uma história como esta pode legar muito mais valor às crianças na medida em que trabalha com uma percepção mais igualitária da mulher e menos preconceituosa e retrógrada. Além disso, exalta uma beleza tida como exótica, demonstrando que cada pessoa possui particularidades em sua aparência e a diversidade é muito mais relevante do que um modelo único de perfeição.

domingo, 17 de julho de 2016

MÚSICA NA ESCOLA



MÚSICA NA ESCOLA

Historiadores costumam diferenciar o homo sapiens sapiens dos seus antecessores devido à capacidade de desenvolver cultura. Isto é, a partir do momento em que iniciou-se a produção de esculturas, desenhos rupestres e instrumentos com diferentes utilidades é que nos tornamos humanos. Então, como é possível no Brasil a educação fechar os olhos para o desenvolvimento de atividades relacionadas à arte em geral, se ela é tão relevante para nós?

Por lei, "música" deveria ser matéria obrigatória das escolas, mas isto é uma realidade totalmente idealizada, principalmente no ensino público. Trazer instrumentos para dentro de sala de aula, além de obras de grandes músicos e poetas proporciona aos estudantes um momento cultural indispensável para desenvolvimento de pessoas mais empáticas, sensíveis e eruditas, embora não haja material nem professores de música para realizar um trabalho mais especializado, nada impede que os professores realizem atividades que explorem a riqueza musical. Não há como negar que a música desperta sentimentos que perpassam os nossos mais diversos estados de espírito, isso significa explorar uma competência da classe que hoje é muito negligenciada, o seu lado poético. O quão interessante é trazer letras do Mano Brown que tratam de desigualdade, racismo e exclusão social em uma turma majoritariamente pobre e negra? Ou o quão relevante seria inserir músicas da Bossa Nova para ensinar a euforia vivida pelo Brasil no governo de JK? Ou Gabriel , o Pensador para discutirmos o atual momento político e social do Brasil? Esses assuntos não revelam quem somos? Com certeza sim. Portanto, trabalhar música em sala de aula é trabalhar literatura, história, cidadania.