sexta-feira, 15 de julho de 2016

CURRÍCULO ESCOLAR E DIVERSIDADE

 CURRÍCULO ESCOLAR E DIVERSIDADE

Iniciamos a disciplina de Literatura tratando de um tema de relevante importância no cotidiano escolar: a diversidade.
Nossa história é marcada por conflitos étnicos, lutas de classes e relações de poder. Com o advento da  globalização, nossa sociedade está cada vez mais composta de identidades plurais de gênero, raça, classe social, valores e tradições.  A escola está inserida neste contexto social  e, portanto,  não está imune a presença desses antagonismos . Os  Parâmetros Curriculares Nacionais, incluindo entre os temas transversais, o da pluralidade cultural prevê:
 O grande desafio da escola é reconhecer a diversidade como parte inseparável da identidade nacional e dar a conhecer a riqueza representada por essa diversidade etnocultural que compõe o patrimônio sociocultural brasileiro, investindo na superação de qualquer tipo de discriminação e valorizando a trajetória particular dos grupos que compõem a sociedade (BRASIL, 1998, p.117).
A escola é responsável por disseminar valores como o respeito, a cidadania crítica e a valorização da pluralidade. Como educador é nossa função dar visibilidade à riqueza cultural dos povos para que as crianças aprendam a respeitar e valorizar o “outro”. Precisamos ainda problematizar a questão das desigualdades, sua origem e consequências nas relações sociais.

Considero a literatura uma grande aliada na formação das crianças e é do professor a função de selecionar as obras  a serem trabalhadas com o objetivo de trazer o mundo para a sala de aula. Não um mundo idealizado e perfeito, mas o mundo real, multicultural, heterogêneo e diverso. É lógico que as crianças vão ter contato com todo tipo de literatura, inclusive as que retratam as diferenças de maneira equivocada, porém quando a escola abre espaço para discussão, para abordagem de temas do nosso cotidiano, os alunos vão adquirindo um referencial para formação de seus valores e percebem que o mundo não é monocromático nem homogêneo e é justamente aí que reside toda sua beleza . 

quarta-feira, 13 de julho de 2016

TRABALHANDO POESIA E MÚSICA NA SALA DE AULA

TRABALHANDO POESIA E MÚSICA NA SALA DE AULA

Tarefa proposta na disciplina de Literatura, fazer uma atividade envolvendo poesia. Como este ano estou no administrativo, recorri às colegas e pedi espaço para trabalhar com a turma do 5º ano. A proposta era trabalhar a seguinte poesia:

Venha cá meu balãozinho                             Todas matas pegam fogo
Diga aonde você vai                                      Passarinhos vão morrer
Vou fugindo, vou pra longe                           E os rios vão secando
Vou pra casa de meu pai                                E não podem mais correr

Ah, ah, ah, mais que tolice!                           Eu já estou aborrecido               
Nunca vi balão ter pai                                   Quanto mal faz um balão
Fique quieto neste canto                               Vou ficar bem quietinho
Que daqui você não sai                                 Amarrado no cordão

Quando a noite for chegando
Onde irá você descer
Se cair em nossas matas
O que vai acontecer?


Exploramos a estrutura do poema, as rimas e a mensagem. Conversamos sobre as festas juninas que, no Brasil, correspondem à devoção dos santos - Antônio, João e Pedro- que geralmente são realizadas entre os dias 13 e 29 de junho, e tem significados que vão além de questões religiosas, pois surgiram com intuito de comemorar a colheita do milho. Os alunos pesquisaram na internet a respeito das festas e relataram que no Nordeste, as Festas Juninas são grandes eventos que atraem multidões e alavancam a economia local. Campina Grande, na Paraíba, e Caruaru, em Pernambuco, realizam comemorações com disputa de quadrilhas e receitas típicas da festa, como o quentão, o mingau de milho verde, milho cozido, canjica, pé de moleque e várias outras receitas derivadas do milho. Tudo para que o folclore do Brasil permaneça existindo nas próximas gerações. Conversamos ainda sobre a responsabilidade social e o perigo representado pela tradição de soltar balões, devido  aos prejuízos causados à natureza e os animais. Os alunos declamaram, cantaram e para encerrar construíram balões de São João utilizando a técnica da dobradura, enfeitamos a sala e fizemos um lanche coletivo com as comidas típicas das festas juninas.

COMO AS HISTÓRIAS CHEGAM ÀS CRIANÇAS?

"...as fábulas são verdadeiras. São, tomadas em conjunto, em sua sempre repetida e variada casuística de vivências humanas, uma explicação geral da vida, nascida em tempos remotos e alimentada pela lenta ruminação das consciências camponesas até nossos dias; são o catálogo do destino que pode caber a um homem e a uma mulher, sobretudo pela parte da vida que justamente é o perfazer de um destino: a juventude, do nascimento que tantas vezes carrega consigo um auspício ou uma condenação, ao afastamento de casa, às provas para tornar-se adulto e depois maduro, para confirmar-se como ser humano." Ítalo Calvino 


Se as crianças nascem em famílias desfavorecidas financeiramente, onde um livro é supérfluo, um luxo onde falta o pão, então, como as histórias chegam até as crianças? 
Por certo, embora pobres, muitas crianças já ouviram diversos contos de fadas antes mesmo de chegarem à escola, pois esses antes de serem escritos já tinham esta peculiaridade de passar de boca em boca encantando e surpreendendo ouvintes atentos. Mas e os livros? Como chegam as crianças que não podem comprar? 
Felizmente a escola, hoje, é responsável por apresentar às crianças, principalmente aquelas que não têm acesso  à cultura, uma variedade de gêneros literários. Nossas bibliotecas têm recebido muitos livros de qualidade e para mim, que sempre fui uma leitora voraz, considero isto uma enorme evolução. Quando eu era criança, as bibliotecas das escolas aonde estudei tinham a finalidade de oferecer livros para pesquisa, portanto não ofereciam livros de literatura e, por isso, não tive muitas escolhas e cresci lendo o que por ventura chegava às minhas mãos, sem nenhum tipo de seleção. Na adolescência descobri a Biblioteca Pública de Porto Alegre e foi como se me abrissem as portas do paraíso, pois finalmente tive acesso a uma grande variedade de títulos e gêneros literários.  
Almejo que a escola seja o paraíso dos leitores, que os professores sejam capazes de  encantar as crianças ao lerem para elas histórias mágicas e cheias de aventura, porque a melhor maneira de incentivar a leitura é lendo para as crianças e oferecendo-lhes livros atraentes que despertem a curiosidade de desvendar  o que se esconde em cada página e também a possibilidade de se aventurar em outras vidas, em outros lugares e, assim, se encontrar e se reconhecer.

terça-feira, 12 de julho de 2016

QUEM TEM MEDO DA MATEMÁTICA?

QUEM TEM MEDO DA MATEMÁTICA?

A matemática é uma das ferramentas mais importantes para o desenvolvimento do intelecto humano, porém a forma como essa ferramenta é abordada na escola está em desacordo  com o processo de aprendizagem das crianças. É interessante observar que crianças acostumadas a lidar com dinheiro- fazer compras para casa, administrar a mesada e realizar  diversas outras atividades práticas que envolvem a lógica- na escola apresentam baixo rendimento na matemática. Alguns estudiosos desenvolveram pesquisas sobre  o porquê de muitas crianças fracassarem nesta área, como por exemplo, Freitag (1984) que afirma não haver relação entre o nível de desenvolvimento cognitivo e o rendimento escolar das crianças em matemática. Segundo ele:
    [...] “mesmo alunos que se encontram em estágio “certo” segundo a expectativa teórica de Piaget, ou seja, na entrada do estágio formal (ou nele em estabilização ou estabilizado) apresentam um nível muito elevado de notas baixas e mesmo reprovações (Freitag, 1984, p.199).    
O conhecimento lógico matemático segundo Piaget (1978), é uma construção que resulta da ação mental da criança sobre o mundo, construído a partir de relações que a criança elabora na sua atividade de pensar o mundo, e também das ações sobre os objetos. Portanto não pode ser ensinada por repetição ou verbalização.
Abordar  o ensino da matemática por meio de jogos e atividades lúdicas, dentro da proposta pedagógica da escola é uma forma de resolver problemas de forma significativa, potencializando, assim, a aprendizagem. Os jogos e brincadeiras possibilitam a apreensão de diversas habilidades necessárias à construção do raciocínio matemático de forma prazerosa e interessante para as crianças. Além disso, esta  prática pedagógica diminui o sentimento de incapacidade que alguns alunos têm em relação à matemática, melhorando sua autoestima.
 




PROTAGONISMO

PROTAGONISMO
Esta semana realizamos a Feira de Ciências na nossa escola e a sugestão foi trabalhar com projetos individuais, os alunos do 5º ao 9º ano fizeram seus projetos de acordo com seu interesse pessoal. Conduzimos os projetos conforme o que aprendemos nas aulas do seminário integrador III, isto é, a partir de questionamentos e interesses próprios formaram-se os grupos e os professores forneceram o suporte necessário, em todas as áreas do conhecimento. Cada grupo desenvolveu seu projeto para apresentação à comunidade escolar no dia da feira. Os resultados foram excelentes, os alunos deram seguimento aos projetos de forma independente e autônoma, pesquisaram e construíram a partir dos recursos que tinham e, com certeza, superaram seus limites e nossas expectativas. Essa troca de experiências e aprendizado ocorreu de tal forma que se inverteram os papéis, os professores fizeram-se ouvintes atentos às lições de química, física, matemática e biologia que os autores dos projetos ministraram. Talvez caiba aqui uma reflexão sobre a importância de colocar em prática aquela gama de teoria ofertada pela escola no dia-a-dia. Mais relevante do que decorar, é conseguir aplicar e dar sentido ao conhecimento adquirido em sala de aula. Os alunos demonstraram que são capazes de traduzir as palavras do caderno em ações concretas com ideias bem singulares. Às vezes, neste ideal de mentor e aprendiz, desconsideramos a capacidade do aluno e, por vezes, acabamos por nos surpreender com seu grande potencial. Ver que aquelas pessoas que temos contato diário possuem qualidades individuais incríveis gera um sentimento de orgulho e motivação para nos reinventarmos como professor e proporcionar o melhor que temos para uma classe com um futuro incerto e cheio de maravilhosas possibilidades. 

RIQUEZA DE HISTÓRIAS

RIQUEZA DE HISTÓRIAS

A atividade proposta na disciplina de Libras desta semana incluía o vídeo “O Perigo de uma História Única”, cujo  conteúdo é a palestra de uma escritora africana que aborda as consequências nefastas de formarmos opiniões baseadas em um único ponto de vista - logicamente com a intenção de que fizéssemos um link com nossos preconceitos em relação às pessoas surdas, o que, ao menos no meu caso, funcionou. É claro que o vídeo foi mais um entre tantos outros recursos utilizados nesta disciplina para ampliar nossa visão sobre a cultura surda, nos permitir entrar em contato com diversas histórias deslocando nosso olhar, antes focado no que considerávamos uma deficiência, para uma riqueza de histórias. Histórias que vão além de uma peculiaridade, histórias de luta para ter reconhecido um direito a língua e a participação na sociedade em igualdade de condições com os ouvintes. Histórias de superação, de conquistas, de talentos. Nesta disciplina aprendemos um pouquinho de Libras, mas o mais importante, desconstruímos alguns conceitos errados e deixamos de ser vulneráveis a uma história única.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

LUDICIDADE

Ao iniciar a leitura dos textos sobre ludicidade e as contribuições das colegas nos fóruns comecei a relembrar momentos da minha infância há muito tempo adormecidos na memória. Os jogos sempre fizeram parte das minhas brincadeiras preferidas e em casa meu pai sempre que podia participava dos jogos de tabuleiro, de cartas, dominó e toda sorte de outros jogos que tínhamos acesso. Hoje percebo o quanto foi importante este contato, a participação dos pais nas brincadeiras dos filhos estabelece um canal de comunicação que se estende a outros setores do relacionamento familiar. O fato do pai ou da mãe estarem presentes interagindo com as crianças nas brincadeiras proporciona uma intimidade conquistada em momentos prazerosos, de diversão e favorecem a introjeção de valores e atitudes positivas.