Sábado de
homenagem às mães, a escola estava cheia como dificilmente temos oportunidade
de ver. A família presente na escola, participando é o sonho de todo professor.
Invariavelmente, quando se questiona o professor sobre as dificuldades que
encontra na profissão, ele cita o descomprometimento da família. Existe
realmente um distanciamento entre família e escola, mas esta situação é um
reflexo da gestão escolar.
De acordo com a
LDB (Lei n. 9.394/96), as instituições públicas que ofertam a Educação Básica
devem ser administradas com base no princípio da Gestão Democrática. Os artigos
14 da referida lei e 22 do Plano Nacional de Educação (PNE) indicam que os
sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público
na educação básica obedecendo aos princípios da participação dos profissionais
da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e a participação das
comunidades escolares e locais em conselhos escolares. Desta forma, a
Gestão Democrática está baseada na coordenação de atitudes e ações que propõem
a participação social, ou seja, a comunidade escolar (professores, alunos,
pais, direção, equipe pedagógica e demais funcionários) é considerada sujeito
ativo em todo o processo da gestão, participando de todas as decisões da
escola. Assim, é imprescindível que cada um destes sujeitos tenha clareza e
conhecimento de seu papel enquanto participante da comunidade escolar.
Uma escola que constrói seu projeto
político pedagógico (PPP) com a comunidade escolar e com propostas coerentes
para aquela comunidade não sofre o abandono dos pais porque todos se sentem
incluídos e cientes das suas responsabilidades. Enquanto princípio
constitucional, a gestão democrática do ensino público, traduz a participação
ativa e cidadã da comunidade escolar e local na condução da escola, pois, no
contexto escolar, a gestão é um ato político que implica na tomada de decisões
que não podem ser individuais, mas coletivas. (BRASIL, 2004). Pais e
responsáveis não podem ser visita na escola porque este seguimento da
comunidade precisa ter voz, precisa ser consultado, escutado e ter protagonismo
na gestão escolar. Chamar os pais à escola somente para resolver conflitos não
é uma boa política, por isso a participação da comunidade na elaboração do PPP
é fundamental para que se garanta uma educação de qualidade e um ambiente
democrático que contemple todos os fatores capazes de influenciar nos processos
de ensino aprendizagem. Nas palavras de
Veiga:
O projeto político pedagógico, ao se
constituir em processo democrático de decisões, preocupa-se em instaurar uma
forma de organização do trabalho pedagógico que supere os conflitos, buscando
eliminar as relações competitivas e autoritárias, rompendo com a rotina do
mando impessoal e racionalizado da burocracia que permeia as relações no
interior da escola, diminuindo os efeitos fragmentários da divisão do trabalho
que reforça as diferenças e hierarquiza os poderes dedecisão(2008,p.13).
Para instituir-se uma gestão
verdadeiramente democrática, é necessário criar espaços de diálogo, fortalecer
o Conselho Escolar e outras instâncias consultivas para que os projetos e as
questões do cotidiano da escola sejam cuidados por todos, em prol de uma
educação de qualidade. Quando isso ocorre os resultados aparecem e a cultura de
paz se concretiza no ambiente escolar.
REFERÊNCIAS
BRASIL,
Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Conselho escolar, gestão
democrática da educação e escolha do diretor / elaboração Ignez Pinto
Navarro... [et al.]. Brasília: MEC, SEB, 2004.
VEIGA, I. P. A.
Projeto político-pedagógico: uma construção coletiva. In: VEIGA, I. P. A.
(Org.) Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. 15.ed.
Campinas: Papirus Editora, 2002.