sábado, 9 de setembro de 2017

DIVERSIDADE CULTURAL

Convidei as crianças à sentarem em círculo para ouvir a história de  “Obax” ( texto e ilustrações de André Neves) uma menina criada nas savanas da África e dotada de uma grande imaginação. Perguntei se alguém conhecia algo sobre a África e houve apenas comentários sobre os animais.  Iniciei, então, a contação e fui mostrando as imagens onde eram retratados os animais, a vegetação, costumes e vestimentas típicas. Ressaltei a vivacidade das cores e a riqueza das lendas e costumes do povo.  As crianças demonstraram curiosidade sobre a localização e os costumes do povo africano. Fomos à biblioteca para pesquisar mais sobre o Continente Africano.  As crianças exploraram diversos materiais, inclusive atlas e o globo terrestre. Ficaram encantados com os animais e com o deserto do Saara. Os trajes típicos também chamaram a atenção pelas cores vivas. 
Depois da pesquisa fizemos produções textuais e representações por desenho.
Considero muito importante incorporar ao currículo o estudo das civilizações que ao longo da nossa história tiveram seus saberes suprimidos em favor de uma cultura ocidental dominante. Explorar o continente africano em relação a suas belezas naturais e à riqueza cultural de seu povo foi uma atividade que atraiu a atenção das crianças que demonstraram interesse e curiosidade pela cultura e diversidade existente neste continente. Continuaremos tratando do tema para evidenciar a influência do povo africano na nossa cultura. 
                                        




INTERNET E ACESSO À INFORMAÇÃO

Pensar sobre as redes sociais e sua implicação para a nova geração me fez considerar dois pontos cruciais: distração e aprendizagem.
A nova realidade de acesso à internet permite a interação de uma gama enorme de usuários através do whatsapp, facebook, twitter ou instagram; Inclusive o acesso à podcasts, sites sobre uma variedade ilimitada de assuntos, jogos online, blogs e vídeos constituem um espaço de comunicação entre internautas. Todas estas possibilidades demandam um tempo que é roubado das atividades offline, como o convívio com familiares e amigos, as atividades acadêmicas, prática de esportes. Enfim, é saudável estar conectado também com o mundo real. Quando aprendemos a dosar o uso das mídias, garantimos uma maior qualidade de vida.
A tecnologia no dia-a-dia das pessoas alterou as culturas sociais, ao configurar-se como uma nova maneira de transmitir informações e gerar conhecimento. No que diz respeito à aprendizagem, as redes sociais são bons espaços para os educadores compartilharem com os alunos materiais multimídia, notícias de jornais e revistas, vídeos, músicas, trechos de filmes ou de peças de teatro que envolvam assuntos trabalhados em sala, como material complementar. O aluno também desenvolve uma autonomia em relação a sua formação: pesquisa, acessa, explora, visita e descobre um universo além da sala de aula. Em linhas gerais, a internet democratizou o acesso ao conhecimento.
Todavia, o papel do professor é imprescindível na educação dos usuários, para que possam filtrar o conteúdo das informações recebidas, visando o uso das redes sociais de forma ética e responsável. Obtendo-se essa seleção, a interação entre os meios de comunicação, professores e alunos torna-se mais segura e possibilita que o uso das redes venha a se tornar válido no processo de ensino-aprendizagem.


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

PÚBLICO X PRIVADO

A história da América Latina é marcada pelo genocídio e pela negação do outro – seja no plano das representações ou no imaginário social. Embora a sociedade brasileira seja produto da miscigenação de diversas raças, não ficamos isentos ao racismo, à discriminação e à exclusão social. O papel que o sistema educacional exerce para a manutenção da desigualdade pode ser analisado com mais clareza a partir da disparidade existente entre educação pública e privada. A escola pública é constantemente acusada de desprezar os saberes das classes populares e forçar o ensino de uma cultura comum. Entretanto é preciso lembrar que existe um currículo comum às escolas públicas e privadas, que se baseia nos conhecimentos e valores da cultura ocidental, em detrimento de outras culturas e, inclusive, da nossa própria história. Segundo Perez Gomez (1993):
“A escola deveria ser concebida como um espaço de cruzamento de culturas e exercer uma função de mediação reflexiva daquelas influências plurais que as diferentes culturas exercem de forma permanente sobre as novas gerações (p. 80)”
Portanto, é preciso rever urgentemente estes currículos se desejamos uma educação multicultural e uma sociedade mais justa e inclusiva.
Outro ponto importante é a situação da escola pública no Brasil que, sujeita às políticas neoliberais, está em processo de sucateamento. O ensino é basicamente teórico porque não existe laboratórios, instrumentos, computadores ou qualquer tecnologia que possibilite um ensino de qualidade. Desta forma, não permite a redução da distância entre a escola pública e a privada e diminui as oportunidades de ascensão social às classes mais desfavorecidas. Segundo FREIRE (1973), a Educação pode dirigir-se a dois caminhos: para contribuir para o processo de emancipação humana, ou para domesticar e ensinar a ser passivo diante da realidade que está posta. 


sexta-feira, 7 de julho de 2017

DESAFIOS DA GESTÃO DEMOCRÁTICA


Um dos primeiros movimentos que trata sobre a função social da escola teve origem por volta dos anos 20 e 30. Alguns educadores como Anísio Teixeira, Fernando Azevedo e Lourenço Filho contribuíram para grandes progressos na área educacional com idéias divulgadas em um documento conhecido como “Manifesto dos Pioneiros da Educação (1932), trecho transcrito abaixo:
“A escola, campo específico de educação, não é um elemento estranho à sociedade humana, um elemento separado, mas “Uma instituição social, um órgão feliz e vivo, no conjunto das instituições necessárias à vida, o lugar onde vivem a criança, a adolescência e a mocidade de conformidade com os interesses e as alegrias profundas de sua natureza […].”
Trecho que parece bastante atual, entretanto, somente com a Constituição de 1988 e com a publicação da LDB/96, a escola terá reconhecida sua importância social e será desafiada a repensar sua gestão para garantir um ensino de qualidade e o  acesso e permanência na escola.
A Lei 10.576/95 dispõe sobre a gestão democrática do ensino público, no seu artigo 6º orienta sobre a administração dos estabelecimentos de ensino:
Art. 6º A administração do estabelecimento de ensino será exercida por uma Equipe Diretiva – ED – integrada pelo Diretor, pelo Vice-Diretor e pelo Coordenador Pedagógico que deverá atuar de forma integrada e em consonância com as deliberações do Conselho Escolar. (Redação dada pela Lei n.º 13.990/12).
Neste artigo fica clara a responsabilidade e a importância dos Conselhos Escolares, entretanto a descentralização do poder, na administração das escolas, se constitui em um desafio. As instâncias colegiadas como os Conselhos Escolares e os Grêmios estudantis ainda têm tímida  participação nas decisões e nas atribuições que lhe competem. Ao entrevistar o presidente do conselho escolar percebi claramente a falta de informação sobre as responsabilidades e competências do conselho.
Das funções do conselho - deliberativa, consultiva, mobilizadora, fiscalizadora e avaliativa- a única que percebi alguma atuação foi a deliberativa, mesmo assim, o conselho é chamado mais para ratificar as decisões da direção do que propriamente para opinar.
O empoderamento das instâncias colegiadas é imprescindível para a efetivação da gestão democrática, da formação de lideranças e do desenvolvimento da cidadania.


quarta-feira, 5 de julho de 2017

PROJETOS DE APRENDIZAGEM EM AÇÃO

Os Projetos de Aprendizagem estão em andamento, a turma de oitavo ano com a qual estou desenvolvendo a atividade tem demonstrado uma crescente autonomia em suas pesquisas, os primeiros resultados já estão aparecendo e percebe-se que as aprendizagens estão ocorrendo. Iniciamos, então, uma revisão nos quadros de certezas e dúvidas e um aperfeiçoamento nos mapas conceituais. Assim daremos prosseguimento ao trabalho traçando o Plano de ação.
O plano de ação é imprescindível para sistematizar o processo de investigação, elencar os recursos necessários à pesquisa e estabelecer as fontes a serem utilizadas nos projetos de aprendizagem.
Organizamos um cronograma estabelecendo o tempo necessário à validação dos itens do inventário dividindo as etapas de  coleta,  análise de dados, debates e produção da síntese reflexiva.
Elencamos os recursos necessários para tais como: vídeos sobre alimentação saudável; pesquisas na internet; manuseio de materiais (como rótulos de produtos industrializados), palestras (sobre a importância da alimentação no desenvolvimento das civilizações); pirâmide alimentar; experiências com alimentos e bebidas e  tabelamento de dados de pesquisas com a comunidade escolar.

Estamos planejando a melhor forma de socializarmos as sínteses reflexivas com os colegas e professores.

FATORES QUE INFLUENCIAM NA QUALIDADE DA EDUCAÇÃO

O Brasil é um  país com extrema desigualdade socioeconômica, que se estabelece entre as regiões, estados e município chegando até às escolas públicas. Os recursos variam bastante de escola para escola, dependendo se a  localização é mais ou menos privilegiada economicamente. A qualidade do ensino é diretamente afetada pelos fatores intra e extra-escolares.
Os fatores intra-escolares  são aqueles que dão suporte ao trabalho pedagógico, envolvem os espaços como: refeitório, biblioteca, salas de multimídia, laboratório de ciências, ginásio esportivo e sala de música, entre outros. Envolvem, ainda, os materiais didáticos como: livros, jogos, internet e material esportivo, por exemplo.
Os fatores extra-escolares incluem as políticas públicas e os programas de financiamento da educação como PDE Escola, o PDDE, o transporte escolar e outros que oportunizam o acesso e a permanência na escola.
o artigo 22 da LDBEN/96 estabelece os fins da educação básica:                                
“A educação básica tem por finalidade desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores.”

Para que se cumpram estas finalidades é necessário qualificar a escola, ou seja, é preciso que haja  financiamento adequado às necessidades de cada escola, destinando mais recursos aquelas que mais necessitam sem, contudo, descuidar das demais.  A qualidade da educação passa por qualificação e valorização do professor, pela instrumentalização da escola e por uma gestão de qualidade.

domingo, 2 de julho de 2017

PROJETOS DE APRENDIZAGEM

Após semanas do início dos Projetos de Aprendizagem (PA'S), quando escolhemos os temas de pesquisa e iniciamos nossa caminhada passando por todas as etapas como: inventário dos conhecimentos,  elaboração das tabelas de dúvidas e certezas,  construção dos mapas conceituais, estabelecimento do plano de ação e de inúmeras  pesquisas, debates e retomadas do processo, finalmente iremos apresentar os resultados do nosso trabalho.
A metodologia de aprendizagem por projetos inclui situações-problema, como propõe PERRENOUD (2000), na qual reforça o papel do aluno em participar de um esforço coletivo para elaborar um projeto e construir novas competências. Ele tem direito a ensaios e erros e é convidado a expor suas dúvidas, a explicitar seus raciocínios, a tomar consciência de suas maneiras de aprender, de organizar o conhecimento e de comunicar-se. 

Esta semana iniciaremos as apresentações dos PA'S com a seguinte proposta: cada grupo deverá apresentar sua síntese em forma de PowerPoint para os colegas da turma e do outro oitavo ano assistirem, além disto foi solicitado um trabalho escrito. Cada aluno receberá uma ficha para avaliação dos grupos. Os alunos estão empolgados em se apresentar e compartilhar suas aprendizagens, embora um pouco apreensivos devido à exposição. Para nós professores foi um desafio instrumentalizar os alunos para este processo de educação continuada, ensiná-los a aprender por conta própria, com autonomia e capacidade de gerenciamento da sua própria formação. 
Segundo Vasconcelos e Brito(2006, p.98) a dialética entre o aprender e o ensinar constitui um ciclo gnosiológico,  que se dá pela prática e pela pesquisa favorecendo a autonomia dos educandos.
Como educadores estamos satisfeitos em ter dado este primeiro passo em busca de mudanças nas nossas práticas pedagógicas e orgulhosos com os resultados obtidos até aqui.