segunda-feira, 11 de junho de 2018

IMIGRANTE DIGITAL

A partir dos anos 80 vivenciei uma revolução tecnológica que alterou completamente meu relacionamento com o mundo. Esta revolução exigiu de mim, uma “imigrante digital”, um esforço diário de atualização e adaptação às novas tecnologias e também às possibilidades que se abriram no trabalho, nos estudos, no meu gerenciamento financeiro e nas interações sociais. Foi preciso coragem para explorar, aprender e fazer uso de novas ferramentas.
Em contrapartida, as crianças e os adolescentes de hoje, chamados de “nativos digitais”, por serem frutos da era da informação e da comunicação têm acesso a uma gama enorme de conteúdos e uma relação de muita intimidade com a tecnologia. Por isso, nosso papel como educadores não reside em apresentar a tecnologia aos alunos, mas em ensiná-los a usá-la com consciência e ética. O professor deve ensinar o aluno a buscar o conhecimento, a preservar-se das armadilhas da internet, evitando exposição excessiva, e a opinar com responsabilidade. Este é o desafio do professor e uma responsabilidade que precisamos agregar a tantas outras já postas à nossa profissão de educadores.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

FAÇA O QUE EU DIGO, MAS NÃO FAÇA O QUE EU FAÇO.


          Segundo Rays, a avaliação é um instrumento de desenvolvimento e diagnóstico do processo de ensino-aprendizagem com vistas a sua melhoria, por isso deve ser formativa e não classificatória. Afinal, uma avaliação classificatória é seletiva e não favorece o trabalho pedagógico do erro, enquanto avaliação formativa é parte integrante do processo de ensino e seu valor pedagógico reside no fato de favorecer a aprendizagem do aluno.
         Refletindo sobre o texto da Rays, concluí que muitas mudanças na escola e na universidade se fazem necessárias para que se abandone de vez a avaliação classificatória. Na escola, por exemplo, nos deparamos com duas realidades diversas em um mesmo ambiente: as séries iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) e as séries finais do ensino fundamental e o ensino médio também. Percebemos que nas séries iniciais o professor trabalha com uma turma por turno e tem total condição de conhecer seu aluno, de avaliá-lo durante o processo de aprendizagem e trabalhar a partir do erro para que o aluno avance no seu processo de aprendizagem e na construção dos seus conhecimentos. Entretanto, nas séries finais do ensino fundamental e no ensino médio nos deparamos com uma realidade bem diferente, pois os professores trabalham com diversas turmas, com um número absurdo de alunos e um tempo limitado a uma média de três a quatro períodos de quarenta e cinco minutos cada por semana. Por isso, as provas geralmente são objetivas e a avaliação classificatória. Muitas vezes, o professor só vai conhecer o aluno no final do ano letivo, o que inviabiliza qualquer possibilidade de avaliação formativa.  
        Agora voltando nosso foco para as universidades, principalmente nas disciplinas de exatas, encontramos a mesma situação: professores dando aula em auditórios para turmas de sessenta ou mais alunos. E esta situação é comum mesmo nas turmas de Licenciatura, nas quais o discurso das aulas de didática não se concretiza na prática, por isso constantemente me questiono acerca deste descompasso. Por certo, é função da Universidade e dos cursos de Licenciatura apresentarem as teorias produzidas na área da educação, mas também é preciso preparar o professor para enfrentar a realidade. Desta forma se abriria espaço para discussão e para produção de propostas viáveis já na academia, a qual seria o espaço de experimentação para que se fuja da máxima: “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.


domingo, 3 de junho de 2018

PLANEJAMENTO


          Lendo o texto de Rays, aprendemos que o planejamento do trabalho docente deve ter como referência inicial a realidade sociocultural do educando e que um planejamento eficaz depende do conhecimento que o educador tem da história e das inquietações do aluno. Compreendemos, ainda, que é indispensável  a um bom planejamento que o professor seja capaz de desvendar as características de aprendizagem individual e do grupo, considerando as especificidades do conteúdo e estabelecendo relações com a realidade social. O planejamento deve levar em consideração o momento histórico-cultural contextualizando-o para que os conteúdos sejam significativos e a apropriação do conhecimento se dê de forma crítica e consciente contribuindo para a ocorrência de transformações socioculturais.
          Entretanto, o que acontece nas nossas escolas, em termos de planejamento, é bem diverso deste discurso. O planejamento, em geral, ocorre antes do início do ano letivo e é mais focado nos conteúdos que devem ser trabalhados do que na realidade dos alunos e nos seus interesses (até porque ainda não se conhece os alunos ou a turma). Na prática, os professores trabalham uma lista de conteúdos de sua disciplina e sem fazer conexões com a realidade atual. Isto se deve a desatualização e a crescente alienação dos professores causada pelo empobrecimento da classe e consequente redução do acesso a cultura. O “planejamento” acaba sendo resultado da cópia dos planos de estudo dos anos anteriores.
          Os professores organizam suas aulas de forma individual, não há a participação do educando neste processo, nem a articulação com outras disciplinas, além disto, os recursos pedagógicos empregados são escassos. Todos estes fatores conjugados desfavorecem uma assimilação crítica do saber e não preparam o educando para autonomia. Como nos ensina Paulo Freire:
Quando saio de casa não tenho dúvida nenhuma de que, inacabados e conscientes do inacabamento, abertos à procura, curiosos, “programados, mas para aprender”, exercitaremos tanto mais e melhor a nossa capacidade de aprender e de ensinar quanto mais sujeitos e não puros objetos do processo nos façamos (Freire, 1997, p.65)
         Os gestores escolares precisam rever a forma de organização do tempo na escola, o planejamento é de vital importância na busca da qualidade de ensino e não pode ser negligenciado, planejar não é uma ação burocrática, é um ato intencional, uma busca por objetivos concretos e, portanto, necessita de tempo, de suporte pedagógico e de uma constante revisão para que se cumpram as ações que dele resultarem:
Planejamento é elaborar - decidir que tipo de sociedade e de homem se quer e que tipo de ação educacional é necessária para isso; verificar a que dis­tância se está deste tipo de ação e até que ponto se está contribuindo para o resultado final que se pretende; propor uma série orgânica de ações para dimi­nuir esta distância e para contribuir mais para o resultado final estabelecido; executar - agir em conformidade com o que foi proposto e avaliar - revisar sempre cada um desses momentos e cada uma das ações, bem como cada um dos documentos deles derivados (Gandin, 1985, p.22).



DESAFIOS DA ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

           O texto de Regina Hara, indicado na disciplina de Educação de Jovens e Adultos no Brasil, nos oferece um panorama dos desafios enfrentados pelos programas de alfabetização de adultos no Brasil. Além das dificuldades em ensinar pessoas que chegam à vida adulta sem terem acesso à escolarização e de manter a sua motivação para que concluam os estudos, os programas de alfabetização esbarram nas dificuldades de cunho social, na falta de financiamento e no despreparo dos professores, o que compromete os resultados obtidos e inviabiliza garantir uma educação de qualidade. A autora relata uma experiência em que foi utilizada uma metodologia que reunia tanto as concepções de educação de Paulo Freire quanto à psicogênese da língua escrita de Emilia Ferreiro na intencionalidade de alfabetizar adultos de um curso supletivo em 1987. Considerando-se que o pensamento de  Emília Ferreiro e de Paulo Freire convergem em vários pontos- como na necessidade de se utilizar uma linguagem significativa na alfabetização e no empoderamento do aluno enquanto sujeito da própria aprendizagem- podemos dizer que esta metodologia tem um potencial grande de sucesso, como de fato ocorreu neste curso, segundo a autora.
          Além do texto pudemos acompanhar outras experiências na alfabetização de adultos em que fica evidente a importância de se valorizar os conhecimentos trazidos pelos alunos a respeito da leitura e da escrita, bem como de entender suas concepções de mundo. Percebemos que cada aluno  tem uma motivação para avançar nas suas conquistas e que depende do professor valorizar e dar visibilidade aos avanços pessoais e do grupo nos processos de aprendizagem. Em cada relato identificamos a vergonha, a impotência e o sentimento de incapacidade que resultam do analfabetismo.  A  Declaração de Hamburgo sobre a Educação de Adultos, resultado da V Conferência Internacional para a Educação de Adultos (CONFINTEA) enfatiza que:

 A educação de adultos torna-se mais que um direito: é a chave para o século XXI; é tanto conseqüência do exercício da cidadania como uma plena participação na sociedade. Além do mais, é um poderoso argumento em favor do desenvolvimento ecológico sustentável, da democracia, da justiça, da igualdade entre os sexos, do desenvolvimento socioeconômico e científico, além de um requisito fundamental para a construção de um mundo onde a violência cede lugar ao diálogo e à cultura de paz baseada na justiça (UNESCO, 1997, p.1).

domingo, 8 de abril de 2018

PEDAGOGIA DE COMÊNIO


Estudando os textos de Didática, relativos à Pedagogia de Comênio, percebemos que suas ideias e críticas ao ensino são surpreendentemente atuais e muito de sua didática está presente no cotidiano escolar, inclusive se observa nela indícios das teorias de Freud, Piaget e Vygotsky.
Comênio incentivava a experimentação, o uso dos sentidos como fator desencadeador da aprendizagem em detrimento de teorias abstratas, resguardadas as devidas proporções, este pensamento tem muita semelhança com  a Epistemologia Genética de Jean Piaget que diz que o conhecimento não se origina por pressão do meio, o que caracteriza o empirismo, nem por estruturas pré- determinadas, o que caracteriza o apriorismo. Para Piaget, a gênese das estruturas cognitivas é explicada pela construção – daí construtivismo – mediante interação radical entre sujeito e objeto.
Observa-se também nas ideias de Comênio, o que Freud chamou de transferência, ou seja,  Comênio atribui importância ao bom relacionamento entre professor e aluno como fundamento para a aprendizagem.
Percebe-se, ainda, semelhanças com a teoria de Vygotsky na valorização da troca de saberes entre os estudantes- Comênio recomenda que se  anime os alunos a ensinarem uns aos outro.
Promovendo uma crítica às escolas por incentivarem as crianças a decorar nomes e conceitos sem a devida compreensão, Comênio propunha que os alunos fizessem experiências por conta própria e aprendessem a partir das próprias observações e não somente repetindo o que outras pessoas disseram. É uma crítica aplicável a muitas escolas atuais que mantém resquícios da educação bancária- segundo Paulo Freire, na visão “bancária” da educação, o “saber” é uma doação dos que se julgam sábios aos que julgam nada saber.  
Na pedagogia de Comênio encontramos várias semelhanças com a dinâmica de uma sala de aula orientada pelo construtivismo: experimentação, ludicidade, troca de saberes, alternância do trabalho com descanso- através de conversa, brincadeira ou música-, valorização do relacionamento professor aluno e a apresentação dos conteúdos em progressão de dificuldade, tendo-se o cuidado de não tornar a aula entediante e procurando-se manter o interesse e motivação dos alunos. Estas são ações que os  professores que se orientam pela teoria construtivista consideram em seu planejamento diário objetivando que os alunos aprendam de forma contextualizada e significativa.

  


segunda-feira, 2 de abril de 2018

INCLUSÃO DIGITAL NA EJA

O perfil dos meus alunos da EJA - composto majoritariamente por alunos jovens, entre 15 e 25 anos - me levou a inferir que eles dominavam o uso das tecnologias digitais. Entretanto, após uma aula no laboratório de informática percebi que embora muitos estivessem permanentemente conectados, isto não significava que soubessem trabalhar em ferramentas Office ou utilizar a internet para pesquisar. Muitos dos meus alunos retornaram à escola porque perceberam que sem formação não conseguiriam boas oportunidades de trabalho. Outros, ainda, retornaram aos estudos por exigência das empresas em que trabalham. Entretanto, a escola pode oferecer mais do que um diploma, a escola pode e deve oferecer acesso às tecnologias digitais. A influência das tecnologias na sociedade é um fato que não pode ser ignorado. Práticas sociais, relações comerciais e a educação são cada vez mais orientadas por e para as tecnologias de informação e comunicação (TIC). Neste contexto, as pessoas devem estar adaptadas aos padrões de uso dos recursos tecnológicos, principalmente no tocante ao exercício profissional. Para tal, é essencial adquirir habilidades e consolidar competências necessárias à utilização de computadores, redes e outros dispositivos telemáticos em diferentes situações. Tais habilidades estão associadas à aplicação dos recursos tecnológicos, ao uso das diversas mídias de comunicação, à busca de informação e à solução de problemas com o auxilio da tecnologia (Joly, 2004; Leu, Mallette, Karchmer & Kara- Soteriou, 2005).
Conforme a Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte (1995, p. 8):
“Os jovens e adultos não são discriminados no trabalho e na cidadania só por serem iletrados ou não dominarem os saberes básicos, mas também por não dominarem articuladamente o conjunto dos saberes e competências próprios da vida adulta, ou requeridos para a inserção “adulta” na sociedade, por exemplo: saber captar informação selecioná-la e elaborá-la é tão central hoje para a vivência quanto as clássicas habilidades de leitura e escrita.”
Nesta perspectiva, o professor da EJA tem o desafio de orientar sua prática pedagógica para inclusão digital tanto dos alunos considerados “imigrantes” quanto dos “nativos” digitais. Segundo Prensky (2001 e 2006 apud DEMO, 2010): (...) a criança - que é “nativa”, enquanto nós, adultos, somos “imigrantes”, [a criança] ao deparar-se com o computador, lida com ele sem saber ler, não precisando, ademais, de curso específico; ao contrário, fica aborrecida quando os pais (adultos) persistem em lhes dar “instruções”. (p. 54).
Ao orientar os alunos na busca e seleção de informações, incentivando-os a utilizar a internet como ferramenta de ensino, o professor está formando alunos com  autonomia para gerenciar seus próprios estudos, criando base para uma educação continuada. Além disto, a história dos alunos da EJA torna evidente que ao utilizar-se das mesmas práticas do ensino regular o professor estará apenas contribuindo para perpetuar o fracasso e repetindo os motivos que levaram muitos alunos à evasão escolar. A dificuldade de adequação dos jovens a um ensino tradicional requer que o professor busque uma nova abordagem que possibilite resgatar estes indivíduos mudando sua história e renovando suas expectativas em relação à educação.
É preciso que o educador respeite a trajetória de seus alunos valorizando seus saberes direcionando sua prática para o desenvolvimento de competências que façam sentido e que agreguem valor a este público que deseja uma oportunidade no mercado de trabalho. Segundo PRENSKY (2011):
“Há pressões forçando os professores novos a adotar métodos antigos. Nós precisamos fazer um grande esforço de mudança. Primeiro, mudar a forma como nós ensinamos --nossas pedagogias. Depois, mudar a tecnologia que nos dá suporte. Finalmente, mudar o que nós ensinamos --nosso currículo-- para estarmos em acordo com o contexto e as necessidades do século 21”.
Utilizar as tecnologias digitais nas aulas de Ciências está sendo um desafio, principalmente pela falta de estrutura e equipamentos. A quantidade de computadores funcionando é insuficiente para atender a demanda da turma, muitas vezes não é possível acessar a internet e é preciso adaptar o planejamento na última hora. Na nossa escola, é o professor que precisa dar conta, sozinho, de todo processo: abrir a sala, ligar os computadores, assessorar os alunos, desligar tudo e organizar a sala. Não há recursos humanos no laboratório e a manutenção dos computadores é feita raramente.
A escola pública precisa de investimento em tecnologia, em material didático atrativo, em espaços físicos adequados e em recursos humanos capacitados e dignamente remunerados. Mas, enquanto isto não acontece, não podemos ficar parados ou nos deixarmos contaminar pela falta de perspectiva. O professor pode, apesar de todas as dificuldades que enfrenta, oferecer uma educação de qualidade e, assim, fazer a diferença para os seus alunos e para as comunidades onde atua.



sábado, 24 de março de 2018

ESCOLAS DEMOCRÁTICAS

Iniciamos o eixo VII do PEAD (parece mentira que passou tão rápido) e na aula presencial do Seminário Integrador fomos convidados a refletir sobre o curta “Escolas Democráticas”. A semelhança com a realidade das nossas escolas não é, certamente, uma coincidência, e sim uma crítica a um sistema educacional que não contempla as especificidades de um alunado que é produto da terceira revolução industrial, onde os meios de comunicação estão instrumentalizados pela informática e pela internet.
Nossas escolas trazem, ainda, muitas marcas de um modelo educacional centrado na figura do professor e dependente de uma organização rígida de tempo e espaço para que possa dar conta de um grande número de alunos por turma em salas pequenas e sem nenhuma infra-estrutura ou tecnologia. Por isso, não é difícil entender o porquê das permanências na organização do tempo, nas metodologias e nas relações que se estabelecem entre os atores da escola pública no Brasil.
A educação é uma eterna vítima do descaso dos governantes deste país, o discurso velho e amarrotado da falta de verbas é a justificativa para o sucateamento das escolas públicas. Sobre o professor recai, então, toda responsabilidade pela melhoria da qualidade do ensino. A sociedade quer uma revolução na escola, mas armam os professores com giz e mimeógrafo. É preciso se ter consciência que a verdadeira revolução na educação passa pela participação de toda sociedade, se a comunidade não conhece a realidade da escola, se não participa das decisões, também não se sente responsável por reivindicar e por cobrar providências dos órgãos públicos. A escola pública precisa de investimento em tecnologia, em material didático atrativo, em espaços físicos adequados e em recursos humanos capacitados e dignamente remunerados.
O que ainda sustentava a educação era a vontade dos professores, mas nossa classe acabou sendo contaminada pela falta de perspectiva e de esperança. Entretanto, ainda encontramos professores que realizam um milagre por dia na tentativa de fazer a diferença nas comunidades em que trabalham e na vida de seus alunos. São estes profissionais que me inspiram e que alimentam minha fé nas mudanças.