A partir dos anos 80 vivenciei
uma revolução tecnológica que alterou completamente meu relacionamento com o
mundo. Esta revolução exigiu de mim, uma “imigrante digital”, um esforço diário
de atualização e adaptação às novas tecnologias e também às possibilidades que
se abriram no trabalho, nos estudos, no meu gerenciamento financeiro e nas
interações sociais. Foi preciso coragem para explorar, aprender e fazer uso de
novas ferramentas.
Em contrapartida, as crianças e os adolescentes
de hoje, chamados de “nativos digitais”, por serem frutos da era da informação
e da comunicação têm acesso a uma gama enorme de conteúdos e uma relação de
muita intimidade com a tecnologia. Por isso, nosso papel como educadores não
reside em apresentar a tecnologia aos alunos, mas em ensiná-los a usá-la com consciência
e ética. O professor deve ensinar o aluno a buscar o conhecimento, a
preservar-se das armadilhas da internet, evitando exposição excessiva, e a opinar
com responsabilidade. Este é o desafio do professor e uma responsabilidade que precisamos
agregar a tantas outras já postas à nossa profissão de educadores.
segunda-feira, 11 de junho de 2018
segunda-feira, 4 de junho de 2018
FAÇA O QUE EU DIGO, MAS NÃO FAÇA O QUE EU FAÇO.
Segundo Rays, a avaliação é um instrumento
de desenvolvimento e diagnóstico do processo de ensino-aprendizagem com vistas
a sua melhoria, por isso deve ser formativa e não classificatória. Afinal, uma
avaliação classificatória é seletiva e não favorece o trabalho pedagógico do
erro, enquanto avaliação formativa é parte integrante do processo de ensino e
seu valor pedagógico reside no fato de favorecer a aprendizagem do aluno.
Refletindo sobre o texto da Rays,
concluí que muitas mudanças na escola e na universidade se fazem necessárias
para que se abandone de vez a avaliação classificatória. Na escola, por
exemplo, nos deparamos com duas realidades diversas em um mesmo ambiente: as
séries iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) e as séries finais do
ensino fundamental e o ensino médio também. Percebemos que nas séries iniciais
o professor trabalha com uma turma por turno e tem total condição de conhecer
seu aluno, de avaliá-lo durante o processo de aprendizagem e trabalhar a partir
do erro para que o aluno avance no seu processo de aprendizagem e na construção
dos seus conhecimentos. Entretanto, nas séries finais do ensino fundamental e
no ensino médio nos deparamos com uma realidade bem diferente, pois os
professores trabalham com diversas turmas, com um número absurdo de alunos e um
tempo limitado a uma média de três a quatro períodos de quarenta e cinco minutos
cada por semana. Por isso, as provas geralmente são objetivas e a avaliação
classificatória. Muitas vezes, o professor só vai conhecer o aluno no final do
ano letivo, o que inviabiliza qualquer possibilidade de avaliação formativa.
Agora voltando nosso foco para as universidades,
principalmente nas disciplinas de exatas, encontramos a mesma situação: professores
dando aula em auditórios para turmas de sessenta ou mais alunos. E esta
situação é comum mesmo nas turmas de Licenciatura, nas quais o discurso das
aulas de didática não se concretiza na prática, por isso constantemente me
questiono acerca deste descompasso. Por certo, é função da Universidade e dos
cursos de Licenciatura apresentarem as teorias produzidas na área da educação,
mas também é preciso preparar o professor para enfrentar a realidade. Desta
forma se abriria espaço para discussão e para produção de propostas viáveis já
na academia, a qual seria o espaço de experimentação para que se fuja da máxima:
“faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.
domingo, 3 de junho de 2018
PLANEJAMENTO
Lendo o texto de Rays, aprendemos
que o planejamento do trabalho docente deve ter como referência inicial a realidade
sociocultural do educando e que um planejamento eficaz depende do conhecimento
que o educador tem da história e das inquietações do aluno. Compreendemos,
ainda, que é indispensável a um bom
planejamento que o professor seja capaz de desvendar as características de
aprendizagem individual e do grupo, considerando as especificidades do conteúdo
e estabelecendo relações com a realidade social. O planejamento deve levar em
consideração o momento histórico-cultural contextualizando-o para que os
conteúdos sejam significativos e a apropriação do conhecimento se dê de forma
crítica e consciente contribuindo para a ocorrência de transformações
socioculturais.
Entretanto, o que acontece nas nossas
escolas, em termos de planejamento, é bem diverso deste discurso. O
planejamento, em geral, ocorre antes do início do ano letivo e é mais focado
nos conteúdos que devem ser trabalhados do que na realidade dos alunos e nos
seus interesses (até porque ainda não se conhece os alunos ou a turma). Na
prática, os professores trabalham uma lista de conteúdos de sua disciplina e
sem fazer conexões com a realidade atual. Isto se deve a desatualização e a
crescente alienação dos professores causada pelo empobrecimento da classe e
consequente redução do acesso a cultura. O “planejamento” acaba sendo resultado
da cópia dos planos de estudo dos anos anteriores.
Os professores organizam suas aulas
de forma individual, não há a participação do educando neste processo, nem a
articulação com outras disciplinas, além disto, os recursos pedagógicos
empregados são escassos. Todos estes fatores conjugados desfavorecem uma
assimilação crítica do saber e não preparam o educando para autonomia. Como nos
ensina Paulo Freire:
Quando saio de casa não tenho dúvida nenhuma de que,
inacabados e conscientes do inacabamento, abertos à procura, curiosos,
“programados, mas para aprender”, exercitaremos tanto mais e melhor a nossa
capacidade de aprender e de ensinar quanto mais sujeitos e não puros objetos do
processo nos façamos (Freire, 1997, p.65)
Os gestores escolares precisam rever a
forma de organização do tempo na escola, o planejamento é de vital importância
na busca da qualidade de ensino e não pode ser negligenciado, planejar não é
uma ação burocrática, é um ato intencional, uma busca por objetivos concretos
e, portanto, necessita de tempo, de suporte pedagógico e de uma constante
revisão para que se cumpram as ações que dele resultarem:
Planejamento é
elaborar - decidir que tipo de sociedade e de homem se quer e que tipo de ação
educacional é necessária para isso; verificar a que distância se está deste tipo
de ação e até que ponto se está contribuindo para o resultado final que se
pretende; propor uma série orgânica de ações para diminuir esta distância e
para contribuir mais para o resultado final estabelecido; executar - agir em
conformidade com o que foi proposto e avaliar - revisar sempre cada um desses
momentos e cada uma das ações, bem como cada um dos documentos deles derivados
(Gandin, 1985, p.22).
DESAFIOS DA ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
O texto de Regina Hara, indicado na
disciplina de Educação de Jovens e Adultos no Brasil, nos oferece um panorama
dos desafios enfrentados pelos programas de alfabetização de adultos no Brasil.
Além das dificuldades em ensinar pessoas que chegam à vida adulta sem terem
acesso à escolarização e de manter a sua motivação para que concluam os estudos,
os programas de alfabetização esbarram nas dificuldades de cunho social, na
falta de financiamento e no despreparo dos professores, o que compromete os
resultados obtidos e inviabiliza garantir uma educação de qualidade. A autora
relata uma experiência em que foi utilizada uma metodologia que reunia tanto as
concepções de educação de Paulo Freire quanto à psicogênese da língua escrita
de Emilia Ferreiro na intencionalidade de alfabetizar adultos de um curso
supletivo em 1987. Considerando-se que o pensamento de Emília Ferreiro e de Paulo Freire convergem em
vários pontos- como na necessidade de se utilizar uma linguagem significativa na
alfabetização e no empoderamento do aluno enquanto sujeito da própria
aprendizagem- podemos dizer que esta metodologia tem um potencial grande de
sucesso, como de fato ocorreu neste curso, segundo a autora.
Além do texto pudemos acompanhar
outras experiências na alfabetização de adultos em que fica evidente a
importância de se valorizar os conhecimentos trazidos pelos alunos a respeito
da leitura e da escrita, bem como de entender suas concepções de mundo.
Percebemos que cada aluno tem uma
motivação para avançar nas suas conquistas e que depende do professor valorizar
e dar visibilidade aos avanços pessoais e do grupo nos processos de aprendizagem.
Em cada relato identificamos a vergonha, a impotência e o sentimento de
incapacidade que resultam do analfabetismo.
A Declaração de Hamburgo sobre a
Educação de Adultos, resultado da V Conferência Internacional para a Educação
de Adultos (CONFINTEA) enfatiza que:
A educação de adultos
torna-se mais que um direito: é a chave para o século XXI; é tanto conseqüência
do exercício da cidadania como uma plena participação na sociedade. Além do
mais, é um poderoso argumento em favor do desenvolvimento ecológico
sustentável, da democracia, da justiça, da igualdade entre os sexos, do
desenvolvimento socioeconômico e científico, além de um requisito fundamental
para a construção de um mundo onde a violência cede lugar ao diálogo e à
cultura de paz baseada na justiça (UNESCO, 1997, p.1).
domingo, 8 de abril de 2018
PEDAGOGIA DE COMÊNIO
Estudando os textos de Didática,
relativos à Pedagogia de Comênio, percebemos que suas
ideias e críticas ao ensino são surpreendentemente atuais e muito de sua didática está presente no cotidiano escolar, inclusive se observa nela indícios das teorias
de Freud, Piaget e Vygotsky.
Comênio
incentivava a experimentação, o uso dos sentidos como fator desencadeador da
aprendizagem em detrimento de teorias abstratas, resguardadas as devidas
proporções, este pensamento tem muita semelhança com a
Epistemologia Genética de Jean Piaget que diz que o conhecimento não se origina
por pressão do meio, o que caracteriza o empirismo, nem por estruturas pré-
determinadas, o que caracteriza o apriorismo. Para Piaget, a gênese das
estruturas cognitivas é explicada pela construção – daí construtivismo –
mediante interação radical entre sujeito e objeto.
Observa-se
também nas ideias de Comênio, o que Freud chamou de transferência, ou
seja, Comênio atribui importância ao bom
relacionamento entre professor e aluno como fundamento para a aprendizagem.
Percebe-se, ainda, semelhanças com a teoria de Vygotsky na valorização da troca de saberes
entre os estudantes- Comênio recomenda que se anime os alunos a ensinarem uns aos outro.
Promovendo
uma crítica às escolas por incentivarem as crianças a decorar nomes e conceitos
sem a devida compreensão, Comênio propunha que os alunos fizessem experiências
por conta própria e aprendessem a partir das próprias observações e não somente
repetindo o que outras pessoas disseram. É uma crítica aplicável a muitas
escolas atuais que mantém resquícios da educação bancária- segundo Paulo Freire,
na
visão “bancária” da educação, o “saber” é uma doação dos que se julgam sábios
aos que julgam nada saber.
Na
pedagogia de Comênio encontramos várias semelhanças com a dinâmica de uma sala
de aula orientada pelo construtivismo: experimentação, ludicidade, troca de
saberes, alternância do trabalho com descanso- através de conversa, brincadeira
ou música-, valorização do relacionamento professor aluno e a apresentação dos conteúdos em progressão de dificuldade, tendo-se o
cuidado de não tornar a aula entediante e procurando-se manter o interesse e
motivação dos alunos. Estas são ações que os
professores que se orientam pela teoria construtivista consideram em seu
planejamento diário objetivando que os alunos aprendam de forma contextualizada
e significativa.
segunda-feira, 2 de abril de 2018
INCLUSÃO DIGITAL NA EJA
O perfil dos meus alunos da
EJA - composto majoritariamente por alunos jovens, entre 15 e 25 anos - me
levou a inferir que eles dominavam o uso das tecnologias digitais. Entretanto, após
uma aula no laboratório de informática percebi que embora muitos estivessem
permanentemente conectados, isto não significava que soubessem trabalhar em
ferramentas Office ou utilizar a internet para pesquisar. Muitos dos meus
alunos retornaram à escola porque perceberam que sem formação não conseguiriam
boas oportunidades de trabalho. Outros, ainda, retornaram aos estudos por exigência
das empresas em que trabalham. Entretanto, a escola pode oferecer mais do que
um diploma, a escola pode e deve oferecer acesso às tecnologias digitais. A
influência das tecnologias na sociedade é um fato que não pode ser ignorado.
Práticas sociais, relações comerciais e a educação são cada vez mais orientadas
por e para as tecnologias de informação e comunicação (TIC). Neste contexto, as
pessoas devem estar adaptadas aos padrões de uso dos recursos tecnológicos,
principalmente no tocante ao exercício profissional. Para tal, é essencial
adquirir habilidades e consolidar competências necessárias à utilização de
computadores, redes e outros dispositivos telemáticos em diferentes situações.
Tais habilidades estão associadas à aplicação dos recursos tecnológicos, ao uso
das diversas mídias de comunicação, à busca de informação e à solução de
problemas com o auxilio da tecnologia (Joly, 2004; Leu, Mallette, Karchmer
& Kara- Soteriou, 2005).
Conforme a Secretaria
Municipal de Educação de Belo Horizonte (1995, p. 8):
“Os jovens e adultos não são
discriminados no trabalho e na cidadania só por serem iletrados ou não
dominarem os saberes básicos, mas também por não dominarem articuladamente o
conjunto dos saberes e competências próprios da vida adulta, ou requeridos para
a inserção “adulta” na sociedade, por exemplo: saber captar informação
selecioná-la e elaborá-la é tão central hoje para a vivência quanto as
clássicas habilidades de leitura e escrita.”
Nesta perspectiva, o
professor da EJA tem o desafio de orientar sua prática pedagógica para inclusão
digital tanto dos alunos considerados “imigrantes” quanto dos “nativos”
digitais. Segundo Prensky (2001 e 2006 apud DEMO, 2010): (...) a criança - que
é “nativa”, enquanto nós, adultos, somos “imigrantes”, [a criança] ao
deparar-se com o computador, lida com ele sem saber ler, não precisando,
ademais, de curso específico; ao contrário, fica aborrecida quando os pais
(adultos) persistem em lhes dar “instruções”. (p. 54).
Ao orientar os alunos na
busca e seleção de informações, incentivando-os a utilizar a internet como
ferramenta de ensino, o professor está formando alunos com autonomia para gerenciar seus próprios
estudos, criando base para uma educação continuada. Além disto, a história dos
alunos da EJA torna evidente que ao utilizar-se das mesmas práticas do ensino
regular o professor estará apenas contribuindo para perpetuar o fracasso e
repetindo os motivos que levaram muitos alunos à evasão escolar. A dificuldade
de adequação dos jovens a um ensino tradicional requer que o professor busque
uma nova abordagem que possibilite resgatar estes indivíduos mudando sua
história e renovando suas expectativas em relação à educação.
É preciso que o educador
respeite a trajetória de seus alunos valorizando seus saberes direcionando sua
prática para o desenvolvimento de competências que façam sentido e que agreguem
valor a este público que deseja uma oportunidade no mercado de trabalho.
Segundo PRENSKY (2011):
“Há pressões forçando os professores
novos a adotar métodos antigos. Nós precisamos fazer um grande esforço de
mudança. Primeiro, mudar a forma como nós ensinamos --nossas pedagogias.
Depois, mudar a tecnologia que nos dá suporte. Finalmente, mudar o que nós
ensinamos --nosso currículo-- para estarmos em acordo com o contexto e as
necessidades do século 21”.
Utilizar as tecnologias digitais
nas aulas de Ciências está sendo um desafio, principalmente pela falta de
estrutura e equipamentos. A quantidade de computadores funcionando é
insuficiente para atender a demanda da turma, muitas vezes não é possível acessar
a internet e é preciso adaptar o planejamento na última hora. Na nossa escola,
é o professor que precisa dar conta, sozinho, de todo processo: abrir a sala,
ligar os computadores, assessorar os alunos, desligar tudo e organizar a sala.
Não há recursos humanos no laboratório e a manutenção dos computadores é feita
raramente.
A escola pública precisa de
investimento em tecnologia, em material didático atrativo, em espaços físicos
adequados e em recursos humanos capacitados e dignamente remunerados. Mas, enquanto
isto não acontece, não podemos ficar parados ou nos deixarmos contaminar pela
falta de perspectiva. O professor pode, apesar de todas as dificuldades que
enfrenta, oferecer uma educação de qualidade e, assim, fazer a diferença para os seus alunos e para as comunidades onde atua.
sábado, 24 de março de 2018
ESCOLAS DEMOCRÁTICAS
Iniciamos o eixo VII do PEAD (parece mentira que passou tão
rápido) e na aula presencial do Seminário Integrador fomos convidados a
refletir sobre o curta “Escolas Democráticas”. A semelhança com a realidade das
nossas escolas não é, certamente, uma coincidência, e sim uma crítica a um
sistema educacional que não contempla as especificidades de um alunado que é
produto da terceira revolução industrial, onde os meios de comunicação estão
instrumentalizados pela informática e pela internet.
Nossas escolas trazem, ainda, muitas marcas de um modelo
educacional centrado na figura do professor e dependente de uma organização
rígida de tempo e espaço para que possa dar conta de um grande número de alunos
por turma em salas pequenas e sem nenhuma infra-estrutura ou tecnologia. Por
isso, não é difícil entender o porquê das permanências na organização do tempo,
nas metodologias e nas relações que se estabelecem entre os atores da escola
pública no Brasil.
A educação é uma eterna vítima do descaso dos governantes
deste país, o discurso velho e amarrotado da falta de verbas é a justificativa
para o sucateamento das escolas públicas. Sobre o professor recai, então, toda
responsabilidade pela melhoria da qualidade do ensino. A sociedade quer uma
revolução na escola, mas armam os professores com giz e mimeógrafo. É preciso
se ter consciência que a verdadeira revolução na educação passa pela
participação de toda sociedade, se a comunidade não conhece a realidade da
escola, se não participa das decisões, também não se sente responsável por
reivindicar e por cobrar providências dos órgãos públicos. A escola pública
precisa de investimento em tecnologia, em material didático atrativo, em
espaços físicos adequados e em recursos humanos capacitados e dignamente
remunerados.
O que ainda sustentava a educação era a vontade dos
professores, mas nossa classe acabou sendo contaminada pela falta de perspectiva
e de esperança. Entretanto, ainda encontramos professores que realizam um
milagre por dia na tentativa de fazer a diferença nas comunidades em que
trabalham e na vida de seus alunos. São estes profissionais que me inspiram e
que alimentam minha fé nas mudanças.
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