quinta-feira, 20 de junho de 2019

ALUNOS DA EJA, UM RESGATE SOCIAL


         Revisitando o blog encontrei o relato de uma atividade da disciplina de Educação de Jovens e Adultos em que  entrevistei dois alunos da turma T4 da escola em que leciono à noite. Foram duas histórias de vida bem diferentes, mas ambas culminando no abandono dos estudos. Estes dois casos coincidentemente refletem as duas grandes razões para a evasão escolar: o econômico e o cognitivo.
         Muitas crianças abandonam a escola para ajudar na renda familiar ou, algumas vezes, para cuidar dos irmãos menores e liberando a mãe para buscar trabalho. Outras crianças têm nas práticas escolares tradicionais a maior motivação para abandonar a escola. Em ambos os casos o resultado é a perpetuação da pobreza e da exclusão social. Neste sentido, a EJA tem duas funções que servem de resgate para o seu público: a  função reparadora que deve ser vista, ao mesmo tempo, como uma oportunidade concreta de presença de jovens e adultos na escola e uma alternativa viável em função das especificidades socioculturais desses segmentos para os quais se espera uma efetiva atuação das políticas sociais. É por isso que a EJA necessita ser pensada como um modelo pedagógico próprio, a fim de criar situações pedagógicas e satisfazer necessidades de aprendizagem de jovens e adultos; a função equalizadora que visa garantir a equidade, forma pela qual se distribuem os bens sociais, de modo a garantir uma redistribuição e alocação destes bens em vista de mais igualdade, consideradas as situações específicas.
Por isso a EJA, como modalidade de ensino, tem desafios, como: superar a evasão; promover o investimento em formação continuada dos profissionais; desenvolver práticas de ensino e aprendizagem - mediatizadas pela realidade e experiência - que valorize e reconheça os conhecimentos prévios do seu público alvo; fortalecer nos educandos seu direito ao exercício da cidadania e a inclusão social. Segundo Freire (1989, p. 6), a liberdade “é a matriz que atribui sentido a uma prática educativa que só pode alcançar efetividade e eficácia na medida da participação livre e crítica dos educados”.

 Embora os relatos destes alunos se reportem a fatos ocorridos há 20 ou 30 anos atrás e a legislação brasileira tenha evoluído no sentido de incluir um maior número de crianças na escola, infelizmente esta realidade é recorrente. Se assim não fosse, a EJA estaria com seus dias contados, pois não seria alimentada por novos alunos que a cada dia trilham este mesmo caminho, empurrados por uma sociedade que não os protege e que não fornece condições para que eles ingressem na escola e lá permaneçam com a exclusiva preocupação de aprender e concluir os estudos. Concentrar-se apenas em estudar não é a realidade para a grande maioria das crianças brasileiras, que desde muito pequenas têm outras demandas, precisam conviver com a violência, com a pobreza e com o abandono. Estudar para elas não é prioridade porque não vislumbram um futuro, ou melhor, não acreditam que a escola agregue valor ao seu presente, ao seu cotidiano.


Referências

Freire, P. (1989). Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra. [ Links ]


terça-feira, 14 de maio de 2019

UM NOVO OLHAR SOBRE AS INOVAÇÕES PEDAGÓGICAS


Em junho de 2018 escrevi um texto para o blog sobre inovações pedagógicas, disponível em https://hermanncarmem23.blogspot.com/2018/06/ , onde fazia um questionamento sobre a falta de inovações pedagógicas nos planejamentos de estagiários, que estavam atuando na escola em que trabalho, oriundos das mais diversas faculdades de pedagogia do nosso estado. Para conceituar inovação pedagógica me utilizo de Correia e Carbonell. Correia (1991) apresenta duas definições de inovação pedagógica que podem ser consideradas a partir dos contextos e das instâncias em que a inovação é proposta e vivenciada. O autor apresenta a “inovação instituída” que é proposta e definida pelo centro de poder do sistema educativo e a “inovação instituinte” que é vivenciada pelo professor em oposição à inovação proposta pelo centro do sistema. Refere-se, pois, que a inovação em sua concepção instituinte ou dialítica foge dos lugares comuns de repetição, ou reprodução daquilo que está posto ou enunciado e se apresenta como alternativa, originalidade e inventividade do pensar e do fazer.
Para Carbonell (2002), “Existe uma concepção que é bastante aceita no âmbito educacional, que define inovação como: um conjunto de intervenções, decisões e processos, com certo grau de intencionalidade e sistematização, que trata de modificar atitudes, ideias, culturas, conteúdos, modelos e práticas pedagógicas” (p. 19). Segundo o autor, essa inovação tem o objetivo de renovar projetos e programas, materiais curriculares, estratégias de ensino e aprendizagem, modelos didáticos e as formas de organizar e gerir o currículo, a escola e a dinâmica da classe.
A observação do trabalho destes futuros profissionais da educação sinaliza para uma falta de originalidade e inventividade no fazer pedagógico privilegiando modelos didáticos e formas de organização da sala de aula que nos remetem invariavelmente à educação “bancária”. Embora algumas atividades demonstrem uma maior valorização do lúdico, na essência percebe-se uma continuidade de práticas que já se mostraram ineficientes para a construção de aprendizagens significativas e para o desenvolvimento das competências desejadas para os alunos ao final da sua escolarização básica.
Em sua obra Mudanças e Inovação Educacional, Messina (2001), destaca que a inovação não e um fim em si mesma, mas um meio pra transformar os sistemas educacionais. A inovação implica n a formação de cidadãos autônomos, críticos, interdependentes e pró-sociais. Está relacionada à forma como a escola se organiza e como ela e o professor interagem com todos e com cada um, para que estejam presentes, para que participem no contexto educativo e para que tenham êxito no seu percurso de aprendizagem, independentemente de suas (d)eficiências, (in)capacidades ou (des)vantagens.
Penso que existe uma necessidade de aproximação da escola pública com as universidades no sentido de promover pesquisas e debates que evidenciem os fatores que influenciam na permanência de metodologias ultrapassados e articular caminhos para implementação de mudanças nas práticas educacionais a partir da reflexão do professor sobre o seu fazer pedagógico. Neste contexto me refiro  aos estudos de Schön, (1983; 1987; 1992; 2000) e Zeichner (1992; 1993). Para Zeichner (1993), o conceito de professor reflexivo, considera a riqueza da experiência que reside na prática dos professores e nessa perspectiva, reconhece que o processo de aprender a ensinar se prolonga durante toda a carreira docente.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

QUESTÕES ÉTNICO RACIAIS NA ESCOLA



O ambiente escolar é um microcosmo onde se estabelecem inúmeras interações e onde nos deparamos com uma rica diversidade cultural, daí a importância de se abordar temas como diversidade, respeito, tolerância e empoderamento. Como já havia ressaltado em uma postagem, a história do Brasil é marcada por conflitos étnicos, lutas de classe e relações de poder ( disponível em: https://hermanncarmem23.blogspot.com/2016/07/curriculo-escolar-e-diversidade.html). Na semana da Consciência Negra  nossa escola promoveu uma feira cultural e fomos convidados a realizar uma apresentação. Propus, então, uma conversa informal sobre o tema, a leitura de artigos, tirinhas, notícias e outros portadores de texto para ampliar o entendimento dos alunos a respeito de conceitos como preconceito, discriminação, ações afirmativas ( que visam oportunizar acesso às universidades e ao mercado de trabalho aqueles que foram excluídos  ao longo da história de nosso país e do mundo). As crianças nesta idade têm pouco conhecimento e criticidade para compreender o alcance deste problema social e o impacto na vida de milhões de pessoas. Entretanto, é possível perceber que elas se sensibilizam com o tema, se indignam com a história dos negros e de outros povos que sofrem dominação.A empatia que demonstram pelo outro reforça em mim a convicção de que o tema racismo deve ser tratado não só nesta semana, mas deve perpassar todo o currículo de forma que as novas gerações cresçam acreditando na igualdade de direitos e na importância de respeitarmos as diferenças. Durante o curso do PEAD tratamos deste tema em interdisciplinas como Literatura e , Questões Étnico Raciais e Escola Cultura e Sociedade  o que foi de extrema importância em nossa formação, pois como educadores precisamos estar sempre atentos, pois a exclusão começa desde a infância dentro das escolas com a desvalorização das características físicas do indivíduo negro. Esta discriminação influencia diretamente na sua formação identitária num período da vida em que o caráter está  sendo formado. É preciso lembrar que a compreensão do racismo não pode ser desvinculada das relações de dominação presentes entre os grupos raciais na população brasileira. Segundo Silva:
 "A relação complexa "entre raça, cor, posição social e nível educacional no Brasil está baseada em relações hierarquizadas e posicionamentos sociais sempre ambivalentes, dependentes de situações quotidianas e de contextos específicos" (Silva, M. L., 2007, p.165).

Após debatermos bastante o tema, optamos por pesquisar sobre algumas personalidades que lutaram pela causa do negro e pelos direitos humanos, desta forma selecionamos 4 personalidades: Zumbi e Dandara dos Palmares, pela sua luta pelo fim da escravidão no Brasil e pela coragem de salvar tantos escravos tornando-se modelo de resistência. Além destes, escolhemos Martin Luther King e Nelson Mandela. Além da pesquisa os alunos pensaram em homenagear estes personagens contando suas histórias aos colegas e produzindo material para divulgação de suas ideias. De acordo com Nilma Lino Gomes, o racismo pode ser caracterizado como:
 [...] um comportamento, uma ação resultante da aversão, por vezes, do ódio, em relação a pessoas que possuem um pertencimento racial observável por meio de sinais, tais como: cor da pele, tipo de cabelo, etc. Ele é por outro lado um conjunto de ideias e imagens referente aos grupos humanos que acreditam na existência de raças superiores e inferiores. O racismo também resulta da vontade de se impor uma verdade ou uma crença particular como única e verdadeira (NILMA, 2005, p.52).
          Trazer para o debate as questões sobre racismo, preconceito e discriminação possibilita que os alunos reflitam sobre suas ações e aprendam a respeitar o outro. Cavalleiro (2006) coloca que:
“É imprescindível, portanto, reconhecer esse problema e combatê-lo no espaço escolar. É necessária a promoção do respeito mútuo, o respeito ao outro, o reconhecimento das diferenças, a possibilidade de se falar sobre as diferenças sem medo, receio ou preconceito”. (Cavalleiro, 2006, p.23)

MATEMÁTICA NÃO É O BICHO


Como professora de matemática da rede estadual e atuando nas séries finais do ensino fundamental,  eu pude presenciar o verdadeiro horror que alguns alunos têm da matemática o que muitas vezes provoca um bloqueio na aprendizagem impedindo o avanço nesta disciplina. Acredito que esta aversão tenha origem nos primeiros contatos do aluno com o mundo dos números e que se deva a metodologias equivocadas que privilegiam a memorização em detrimento da manipulação de materiais, dos jogos e da experimentação. Nos primeiros semestres do curso de pedagogia  já havia externado minha preocupação com o sentimento de incompetência que perseguem alguns alunos em sua relação com a matemática. (https://hermanncarmem23.blogspot.com/2016/12/ensino-da-matematica.html). Durante a realização do meu estágio refleti bastante sobre a maneira de desmistificar a matemática para as crianças. Optei  por dar significado à disciplina explorando com os alunos a presença dos números nas mais diversas situações e de forma interdisciplinar. Baseada na teoria de Piaget, Kamii explica que “[...] o número é construído por cada criança a partir de todos os tipos de relações que ela cria entre os objetos” (KAMII, 1986, p.13). Para ilustrar trago o exemplo de uma atividade de Ciências em que desafiei os alunos do 4º ano  a utilizarem textos informativos sobre os planetas para coletarem dados sobre o tamanho e o diâmetro dos mesmos tabelando- os  para posteriormente compará-los e atribuir  à bolinhas de isopor de tamanhos diversos quais representariam  cada um dos planetas de forma adequada considerando-se  a relação entre suas dimensões. O uso dos textos para pesquisa se configurou em uma estratégia para explorar a função social dos números presentes nesses materiais. “Ao usar esses diferentes gêneros de textos, o educador deve enfatizar, além dos aspectos quantitativos, também os qualitativos, na perspectiva de contribuir para analisar a realidade” (AMOP, 2010, p.185).
             É importante que as crianças percebam que a  matemática tem uso no cotidiano para isto é necessário  que o professor busque metodologias  lúdicas e interativas que   proporcionem aos alunos mais autonomia, pensamento reflexivo, crítico argumentativo e que os mesmos possam questionar, participando com a sua opinião, propondo novos caminhos, novas soluções para aquilo que lhes é proposto, trocando idéias, não só com os professores, mas também com colegas. Segundo os PCN, o papel da matemática, no Ensino Fundamental, é:
[...] desenvolver capacidades intelectuais, na estruturação do pensamento, na agilização do raciocínio dedutivo do aluno, na sua aplicação a problemas, situações da vida cotidiana e atividades do mundo do trabalho. Além de apoiar a construção de conhecimentos em outras áreas curriculares (BRASIL, 2001, p. 29).


MUDANÇA DE PARADIGMA


O século XXI está marcado irreversivelmente pela globalização e pelo uso intensivo das tecnologias levando a mudanças paradigmáticas irreversíveis na educação. Atualmente, precisamos estar preparados para uma aprendizagem constante dada a velocidade das mudanças e dos avanços tecnológicos. A meta é aprender a aprender para uma rápida adaptação e principalmente para o enfrentamento dos desafios que o progresso nos impõe. O paradigma positivista que privilegiava a racionalidade, a objetividade e a fragmentação do conhecimento não responde mais às exigências do mundo pós- moderno onde as questões sociais e ambientais se agravam e não encontram mais saída num modelo limitado pela racionalidade científica. Neste contexto, Régnier (1995, p. 3) alerta:
“Em meio a uma crise global, de tão graves proporções, muito se fala ultimamente em diferentes instâncias das sociedades modernas, em mudança de paradigma como reconhecimento da necessidade premente de construção de um novo modelo que, para além dos limites da racionalidade científica, crie as condições propícias a uma aliança entre ciência e consciência, razão e intuição, progresso e evolução, sujeito e objeto, de tal forma que seja possível o estabelecimento de uma nova ordem planetária.”
Neste novo contexto as práticas pedagógicas conservadoras e acríticas perdem totalmente o sentido, pois são incapazes de formar pessoas responsáveis, atuantes na busca de um desenvolvimento sustentável  e de uma sociedade justa e igualitária. Jacques Delors (1998) coordenou o "Relatório para a Unesco da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI", no qual aponta como principal conseqüência da sociedade do conhecimento a necessidade de uma educação continuada. A proposição manifestada por Delors apresenta para a educação uma aprendizagem ao longo de toda vida assentada em quatro pilares: aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a viver juntos e aprender a ser.
A minha geração foi bastante prejudicada por uma educação rigorosa, castradora e diretiva. Nos primeiros semestres do PEAD escrevi no blog um texto sobre protagonismo no ensino (disponível em: https://hermanncarmem23.blogspot.com/2016/12/protagonismo-no-ensino.html)  onde relatei uma única situação, em toda minha vida escolar, em que me senti responsável pela minha aprendizagem e pude realmente construir conhecimento sobre aquele que foi meu  objeto de estudo. Penso que ali nasceu minha fé nos métodos globalizados de aprendizagem, em especial aos projetos de aprendizagem, que se  mostram capazes de incentivar o aluno a buscar conhecimento,  por genuíno prazer, no intuito de responder aquelas questões que os inquietam e conferem verdadeiro significado ao estudo.  Segundo Gadotti (2000, p. 251), aprender a conhecer implica ter prazer de compreender, descobrir, construir e reconstruir o conhecimento, curiosidade, autonomia, atenção.
Ressignificar as práticas pedagógicas fazendo uso das tecnologias e de métodos de ensino que desenvolvem a autonomia é o caminho para uma educação continuada e transformadora.  

domingo, 17 de fevereiro de 2019

ALFABETIZAR LETRANDO


No início do curso, na interdisciplina de Alfabetização, a professora Annamaria Rangel nos provocou a pensar sobre alfabetização a partir do lugar do aluno, escrevi um texto sobre esta experiência no meu blog naquela ocasião                         ( disponível em: https://hermanncarmem23.blogspot.com/2015/10/vivenciando-alfabetizacao.htm) . A aprendizagem da língua escrita tem sido objeto de pesquisa e estudo de diversas ciências. Anteriormente aos anos 80, a alfabetização escolar no Brasil era caracterizada pela alternância entre os métodos sintéticos e analíticos ambos visando que a criança dominasse a codificação e decodificação da língua para posteriormente ser capaz de ler textos, livros e histórias. A partir da perspectiva psicogenética da aprendizagem da língua escrita, difundida principalmente pela obra de Emilia Ferreiro, houve uma alteração na concepção do processo de aprendizagem com a integração entre a aprendizagem do sistema de escrita e as práticas de leitura. Esta mudança de paradigma evidenciou que alfabetização e letramento são indissociáveis.
Aprender a língua escrita pressupõe, além da compreensão da transferência da forma sonora da fala para forma gráfica da escrita, a possibilidade de uma leitura fluente, compreensiva que leve a ampliação do vocabulário e ao desenvolvimento de habilidades de interpretação e inferência. Ler muito mais que decodificar é identificar e utilizar adequadamente as diferentes funções da escrita, dos diferentes portadores de textos e dos diversos gêneros. Por tudo isto, como educadores temos que perceber que alfabetização e letramento são processos complexos e contínuos que se desenrolam durante toda nossa vida. Realizei meu estágio em uma turma de 4º ano e acompanhando as produções escritas dos alunos percebi que a maioria cometia erros ortográficos, o que é normal nesta fase da escolaridade,  a escrita envolve, dentre outros conhecimentos mais gerais, alguns conhecimentos próprios e específicos, tais como os aspectos ortográficos, o domínio gramatical e sua própria elaboração; para tanto, apenas o domínio intuitivo da linguagem oral não é suficiente, principalmente quando relacionado aos aspectos ortográfico e gramatical da escrita (BACHA, 2004). De acordo com Kiparsky e Menn (1979:75), em relação ao componente fonológico da língua, a criança se depara com dois importantes problemas nos seus primeiros anos de vida: o limite de sua capacidade fonética à qual o output adulto deve se adequar; e a aprendizagem de regularidades abstratas do sistema fonológico. No entanto, esses problemas encontram solução graças à habilidade cognitiva para a construção de gramáticas que é comum a todas as crianças. Em uma perspectiva psicolinguística, os erros encontrados nas produções das crianças são janelas para as estratégias (modo de processamento) daquele que aprende (KATO, 1997:80).
            Zorzi (1997), ao pesquisar produções escritas de crianças de 1a a 4a série do Ensino Fundamental, observou que as trocas ortográficas mais comuns em crianças nas primeiras séries escolares (47,5% das trocas analisadas), são aquelas decorrentes de “representações múltiplas”. Os sistemas de escrita alfabética apresentam como característica essencial correspondências entre sons e letras. No que se refere à língua portuguesa, podemos encontrar diversos tipos de correspondências, por isso, em função desta correspondência não estável entre letras e sons, como pode ser ilustrado pela escrita da palavra cabeça com a letra s ou ss, resultando em “cabesa” ou “cabessa. 
Como estratégia para avançar nos conhecimentos , em relação à ortografia, foi a proposição de atividades que propiciassem uma reflexão sobre as regularidades e arbitrariedades da Língua Portuguesa sem contudo permitir que a ortografia viesse a inibir a escrita espontânea.

MÉTODOS GLOBALIZADOS


Em dezembro de 2015 fiz uma publicação no meu blog intitulada “Entre os Muros da Escola”( disponível em: https://hermanncarmem23.blogspot.com/2015/12/entre-os-muros-da-escola.html) na qual discorria sobre o filme de mesmo nome e me indagava sobre a existência de uma metodologia capaz de dar protagonismo aos alunos,  possibilitando uma reflexão sobre suas crenças e valores e tornando o ambiente escolar mais democrático. Pois bem, no decorrer do curso, em diversas disciplinas, aprendemos sobre os Métodos Globalizados de Aprendizagem. Zabala  introduz o conceito de  métodos globalizados da seguinte forma:
 “Nesses sistemas, os conteúdos de aprendizagem e sua organização em unidades didáticas somente são relevantes em função de sua capacidade para compreender uma realidade que sempre se manifesta globalmente. ( ZABALA, 2008,p. 144).”

 O autor faz ainda uma distinção entre os métodos disciplinares e os métodos globalizados:
“A diferença básica entre os modelos de organização disciplinares e os métodos globalizados é que neste último as disciplinas  como tal, não são a finalidade básica do ensino , mas tem a função de proporcionar os meios ou instrumentos que  devem facilitar a realização dos objetivos educacionais. ( ZABALA, 2008 ,p. 145).
Nos métodos globalizados  o aluno converte-se em protagonista de suas aprendizagens, sendo capaz de fazer escolhas e construindo na ação seus conhecimentos e o professor passa a ser o mediador que desafia o aluno para a ação. O foco ou fio condutor da educação, antes as disciplinas , passa a ser o aluno: as suas capacidades , interesses e sua motivação.
Na interdisciplina do Seminário Integrador tivemos a oportunidade de trabalhar com Projetos de Aprendizagem, que é um dos métodos globalizados, aprendendo na prática suas etapas e desenvolvendo trabalhos que embasaram nossos conhecimentos sobre o assunto fornecendo ferramentas para aplicação com os alunos no estágio.
 Martins (2001, p.23) aponta que a metodologia de trabalho por projetos “permite superar as práticas habituais e já superadas e, tornar o ensino mais dinâmico e diversificado pelo relacionamento interdisciplinar, assumindo a postura de aprender a prender e do aprender a pensar”.
Utilizar a metodologia de projetos de aprendizagem no meu estágio foi muito gratificante, pois quando o aluno assume a responsabilidade sobre sua aprendizagem ele torna-se mais independente e motivado. O resultado se traduz em aprendizagens significativas e no empoderamento do grupo.